Reavaliação do Tratamento Não Operatório da Apendicite Aguda Não Complicada em Crianças: Revisão Sistemática e Meta-análise Sobre o artigo A apendicite aguda não complicada é uma das emergências cirúrgicas mais frequentes em pediatria. O tratamento padrão por décadas tem sido a apendicectomia, porém crescem os estudos que avaliam a viabilidade do tratamento não operatório (NOM) com antibióticos. Esta revisão sistemática e meta-análise objetiva avaliar a eficácia, segurança e impacto clínico do NOM comparado à apendicectomia em crianças com apendicite aguda não complicada. Métodos utilizados Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais com mais de 10 pacientes pediátricos (1–18 anos) com diagnóstico de apendicite não complicada, comparando NOM com apendicectomia. A busca foi realizada em bases como PubMed, Embase e Cochrane, sem restrição de idioma, até junho de 2023. A análise estatística incluiu estimativas agrupadas de sucesso do tratamento, recorrência, complicações e tempo de internação, com avaliação de heterogeneidade e viés. Resultados Foram incluídos 26 estudos (8 ECRs e 18 observacionais), totalizando 14.171 pacientes. A taxa de sucesso inicial do NOM foi de 85,7% (IC 95%: 82,0–89,4). A taxa de falha (recorrência ou necessidade de cirurgia subsequente) foi de 21,9% (IC 95%: 17,0–26,9). Complicações foram menos frequentes no grupo NOM em comparação ao cirúrgico. O NOM resultou em menor duração da internação inicial, mas maior taxa de reinternação. Os dados de longo prazo mostraram risco cumulativo de recorrência superior a 30% em até 5 anos. A heterogeneidade metodológica entre os estudos foi significativa. Discussão O NOM é uma estratégia segura e viável para muitas crianças com apendicite não complicada, com elevada taxa de sucesso inicial e menor risco de complicações no curto prazo. No entanto, o risco de recorrência e reinternação é considerável, e a necessidade de cirurgia em até um terço dos casos no seguimento prolongado deve ser levada em conta. A ausência de definições padronizadas de falha e complicação dificulta a comparação entre os estudos. A decisão terapêutica deve ser compartilhada com a família, considerando riscos, preferências e tolerância à incerteza. Conclusão O tratamento não operatório da apendicite não complicada em crianças é eficaz e seguro em curto prazo, mas apresenta taxa de recorrência relevante em longo prazo. Ambos os tratamentos — NOM e apendicectomia — são estratégias válidas e devem ser discutidos com base em dados objetivos e alinhados às preferências das famílias. Insights clínicos O tratamento não operatório da apendicite não complicada em crianças é seguro? Sim. Apresenta alta taxa de sucesso inicial e menor incidência de complicações imediatas em comparação com a cirurgia. Qual a taxa de falha do NOM? Cerca de 21,9%, considerando recorrência ou necessidade de cirurgia após o tratamento inicial com antibióticos. A apendicectomia continua sendo o padrão-ouro? Embora segura e eficaz, a cirurgia não é necessariamente superior ao NOM em todos os casos. A escolha deve ser individualizada. O NOM reduz tempo de internação? Sim, a internação inicial tende a ser mais curta, embora haja maior risco de reinternações por recorrência. Como deve ser conduzida a decisão terapêutica? Deve ser compartilhada entre equipe médica e familiares, com base em dados claros sobre riscos, benefícios e preferências pessoais. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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