Alterações nas Características Clínicas e Microbiológicas da Mastoidite Aguda em Crianças: Estudo Comparativo entre 2001–2008 e 2021–2024 Sobre o artigo O estudo investigou as mudanças nas características clínicas, microbiológicas, tratamento inicial e complicações da mastoidite aguda (MA) pediátrica em um centro terciário francês, comparando os períodos de 2001–2008 e 2021–2024. Observou-se um aumento da incidência de complicações intracranianas, especialmente associadas a agentes como Streptococcus pyogenes e Fusobacterium necrophorum, além de mudanças na abordagem cirúrgica e uso de antibióticos. Métodos utilizados Estudo retrospectivo de coorte, incluindo todas as crianças (<18 anos) diagnosticadas com MA entre junho de 2021 e maio de 2024. A coorte foi comparada com dados de 2001 a 2008 do mesmo hospital. Foram analisadas características clínicas, tipos de complicações, tratamentos cirúrgicos e antibióticos utilizados, além de resultados microbiológicos. A confirmação diagnóstica foi feita por tomografia computadorizada com contraste e, quando indicado, por ressonância magnética. A microbiologia incluiu cultura convencional e PCR, com metodologia padronizada entre os períodos analisados. Resultados Foram incluídas 223 crianças no período recente (2021–2024), com mediana de idade de 19 meses. Observou-se aumento significativo de complicações intracranianas (39% vs. 4% no período anterior). As principais complicações foram abscesso subperiosteal (95%), empiema extradural (29%) e trombose do seio lateral (25%). Houve aumento na realização de mastoidectomia (54% vs. 33%). S. pyogenes (37%) e F. necrophorum (19%) foram os patógenos mais frequentes e associados às formas complicadas. Redução de casos causados por S. pneumoniae (23% em 2021–2024 vs. predominância anterior). Todos os isolados de S. pyogenes e Fusobacterium foram sensíveis a betalactâmicos. A falha do tratamento inicial com punção retroauricular ocorreu em apenas 6% dos casos. Discussão A pandemia de COVID-19, seguida pelo relaxamento das medidas sanitárias, pode ter contribuído para a elevação dos casos e complicações de MA. A mudança no perfil etiológico reflete o impacto da vacinação pneumocócica (PCV13) e do aumento das infecções por S. pyogenes e anaeróbios como F. necrophorum. O estudo reforça a importância da vigilância microbiológica contínua e da adequação das estratégias terapêuticas com base nos agentes predominantes. Conclusão Houve aumento significativo na incidência, complicações e mudanças etiológicas da mastoidite aguda pediátrica entre os períodos analisados. A vigilância contínua da etiologia bacteriana é fundamental para otimizar o manejo inicial e prevenir desfechos graves. Estratégias terapêuticas devem considerar o risco de complicações associadas aos patógenos emergentes, especialmente S. pyogenes e F. necrophorum. Insights clínicos Qual foi o principal agente etiológico da mastoidite aguda complicada nas crianças estudadas entre 2021 e 2024? S. pyogenes foi o principal agente identificado, seguido por F. necrophorum, ambos associados a >70% das formas complicadas. Houve mudança no perfil microbiológico em comparação com os anos anteriores? Sim. Observou-se redução de S. pneumoniae e aumento de S. pyogenes e F. necrophorum, em parte relacionada à vacinação e mudanças pós-pandemia. Qual o impacto da COVID-19 sobre a mastoidite pediátrica? Durante e após a pandemia, houve um aumento nos casos de MA e de complicações, possivelmente devido à menor imunidade coletiva e à retomada do contato com patógenos respiratórios. Qual a taxa de falha do tratamento conservador com punção e antibióticos? A falha ocorreu em 6% dos casos, sendo todos posteriormente submetidos à mastoidectomia. Qual a conduta preferencial para casos sem complicações intracranianas? Punção retroauricular com miringotomia associada à antibioticoterapia (ceftriaxona + metronidazol). Os patógenos identificados apresentaram resistência aos antibióticos utilizados? Todos os isolados de S. pyogenes e Fusobacterium foram sensíveis a betalactâmicos. Entre os S. pneumoniae, 55% apresentaram sensibilidade reduzida à penicilina, mas nenhum foi resistente a cefalosporinas de terceira geração. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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