Vírus Influenza C em Crianças com Bronquiolite Aguda e Convulsões Febris Sobre o artigo O vírus Influenza C (ICV) é um membro menos frequente da família Orthomyxoviridae, geralmente associado a infecções respiratórias leves em crianças pequenas. Devido à baixa prevalência e à semelhança clínica com outras infecções virais respiratórias, sua pesquisa não faz parte dos painéis diagnósticos rotineiros. O estudo teve como objetivo investigar a presença do ICV em crianças hospitalizadas com bronquiolite aguda (BA) e convulsões febris (CF), comparando os achados com um grupo de crianças saudáveis. Métodos utilizados Estudo observacional realizado entre outubro de 2009 e setembro de 2011 no Centro Médico Universitário de Ljubljana, Eslovênia. Foram avaliadas 499 amostras de swab nasofaríngeo de crianças com idade inferior a 6 anos, distribuídas em: 307 crianças com bronquiolite aguda; 192 crianças com convulsões febris; 150 crianças saudáveis utilizadas como grupo controle. A detecção viral foi realizada por RT-PCR em tempo real, incluindo pesquisa específica para Influenza C. As amostras positivas foram submetidas ao sequenciamento de Sanger e análise filogenética. Resultados O Influenza C foi identificado em 9 das 499 crianças avaliadas (1,8%). A distribuição dos casos positivos foi: 4/307 crianças com bronquiolite aguda (1,3%); 5/192 crianças com convulsões febris (2,6%); 0/150 controles saudáveis. Coinfecções com outros vírus respiratórios ocorreram em 56% dos casos positivos. Em quatro pacientes, o ICV foi o único agente identificado: 1 criança com bronquiolite aguda; 3 crianças com convulsões febris. Entre os pacientes com bronquiolite, uma lactente de 3,7 meses apresentou quadro mais grave, necessitando de cinco dias de oxigenoterapia. Todos os pacientes com monoinfecção por ICV apresentaram: Febre superior a 38°C; Odinofagia; Saturação de oxigênio superior a 90%; Ausência de comorbidades relevantes. A análise filogenética demonstrou que todas as cepas eslovenas pertenciam ao clado I, geneticamente relacionadas à linhagem Yamagata. Discussão A prevalência do Influenza C foi baixa, porém sua detecção ocorreu exclusivamente em crianças hospitalizadas com bronquiolite aguda ou convulsões febris. Apesar da ausência de significância estatística na comparação com controles saudáveis, os autores sugerem que o vírus possa desempenhar papel patogênico em algumas infecções respiratórias pediátricas. A elevada frequência de coinfecções dificulta a definição do impacto clínico isolado do ICV. Entretanto, o caso de bronquiolite grave associado à monoinfecção reforça observações prévias de que o vírus pode contribuir para quadros respiratórios moderados ou graves, especialmente em lactentes menores de dois anos. Os autores destacam que a exclusão do Influenza C dos painéis diagnósticos habituais pode resultar em perda de diagnóstico etiológico, principalmente em crianças hospitalizadas com testes negativos para vírus respiratórios mais comuns. As limitações do estudo incluem o pequeno número de casos positivos e a impossibilidade de estabelecer padrões consistentes de sazonalidade. Conclusão O vírus Influenza C foi detectado em baixa frequência, porém exclusivamente em crianças hospitalizadas com bronquiolite aguda e convulsões febris, não sendo identificado em crianças saudáveis. Os resultados sugerem que o ICV pode representar um patógeno respiratório subdiagnosticado na população pediátrica, com potencial participação em apresentações clínicas mais graves, particularmente em lactentes com bronquiolite. Estudos maiores e programas de vigilância molecular ampliada são necessários para definir melhor sua relevância epidemiológica e clínica. Insights clínicos O vírus Influenza C deve ser pesquisado em crianças hospitalizadas com bronquiolite? Sim. Os autores sugerem considerar a pesquisa de ICV em pacientes hospitalizados com bronquiolite e testes negativos para vírus respiratórios convencionais. O Influenza C pode estar associado a convulsões febris? Possivelmente. O vírus foi detectado em 2,6% das crianças com convulsões febris e esteve presente como único agente identificado em três pacientes. O Influenza C pode causar doença respiratória grave? Embora raro, o estudo descreve um lactente com bronquiolite grave por monoinfecção por ICV que necessitou de cinco dias de oxigenoterapia. O Influenza C faz parte dos painéis virais rotineiros? Não. Na maioria dos centros, o ICV permanece excluído dos painéis diagnósticos habituais, podendo ser um agente etiológico subdiagnosticado. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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