Infecções Cervicais Profundas em Pediatria: A Idade Influencia o Manejo Clínico? Sobre o artigo As infecções cervicais profundas (Deep Neck Infections – DNIs) representam um importante desafio diagnóstico e terapêutico na pediatria devido à anatomia complexa do pescoço e ao risco de complicações graves, como obstrução de vias aéreas, trombose séptica da veia jugular e mediastinite. A apresentação clínica varia conforme a idade. Lactentes tendem a manifestar sintomas inespecíficos, enquanto crianças maiores apresentam sinais localizados. Apesar dessas diferenças, ainda não existem diretrizes amplamente aceitas que estratifiquem a abordagem diagnóstica e terapêutica de acordo com a idade. O objetivo do estudo foi avaliar se a idade influencia a apresentação clínica, o uso de exames de imagem, o tratamento, os desfechos e os fatores associados à drenagem cirúrgica. Métodos utilizados Estudo retrospectivo realizado em um centro terciário pediátrico, incluindo pacientes internados entre 2009 e 2020 com diagnóstico de infecção retrofaríngea ou parafaríngea. Foram analisadas: características demográficas; manifestações clínicas; localização da infecção; exames de imagem; tratamento realizado; tempo de internação; necessidade de drenagem cirúrgica. Os pacientes foram divididos em três grupos etários: menores de 1 ano; entre 1 e 6 anos; maiores de 6 anos. Foi utilizada regressão logística multivariada para identificar fatores associados à drenagem cirúrgica e à internação prolongada. Resultados Foram incluídas 268 crianças, com idade média de aproximadamente 30 meses. Os principais achados foram: As infecções retrofaríngeas predominaram em crianças menores de 6 anos. As infecções parafaríngeas foram mais frequentes em crianças acima de 6 anos. Lactentes apresentaram maior frequência de sintomas inespecíficos, como sialorreia e dificuldade alimentar. Crianças entre 1 e 6 anos apresentaram principalmente aumento cervical e torcicolo. Crianças maiores manifestaram mais disfagia e dor localizada. Quanto ao tratamento: apenas 15,7% realizaram tomografia computadorizada; 14,2% realizaram ultrassonografia; cerca de 90% receberam antibioticoterapia intravenosa; somente 7,8% necessitaram drenagem cirúrgica. A realização da tomografia foi o único fator independentemente associado à necessidade de drenagem cirúrgica. A idade não aumentou o risco de: drenagem cirúrgica; internação prolongada. Discussão O estudo demonstra que a idade modifica principalmente a forma de apresentação clínica e a localização anatômica da infecção, mas não altera os principais desfechos clínicos. Os autores defendem algoritmos específicos por faixa etária. Para lactentes, recomendam maior atenção a sinais inespecíficos, como: sialorreia; recusa alimentar; torcicolo. Em crianças maiores, sugerem priorizar a ultrassonografia como primeiro exame, reservando a tomografia para situações selecionadas. Os resultados reforçam que a maioria das infecções pode ser tratada clinicamente com antibióticos intravenosos, evitando procedimentos cirúrgicos desnecessários. Conclusão As infecções cervicais profundas apresentam comportamento clínico diferente conforme a idade, especialmente em relação aos sintomas e ao local da infecção. Entretanto, a idade, isoladamente, não aumenta a necessidade de cirurgia nem prolonga a internação. Os autores propõem protocolos diagnósticos estratificados por idade para melhorar o reconhecimento precoce, reduzir exposição desnecessária à radiação e otimizar a utilização dos recursos hospitalares. Insights clínicos A idade modifica a apresentação clínica das infecções cervicais profundas? Sim. Lactentes apresentam manifestações inespecíficas, enquanto crianças maiores apresentam sintomas localizados. A idade aumenta a necessidade de cirurgia? Não. A taxa de drenagem cirúrgica foi semelhante entre todas as faixas etárias. Qual exame esteve mais associado à necessidade de drenagem? A realização da tomografia computadorizada foi o principal preditor independente de drenagem cirúrgica. Qual foi a taxa de drenagem cirúrgica? Apenas 7,8% dos pacientes necessitaram intervenção cirúrgica. Qual infecção predomina nos menores de seis anos? As infecções retrofaríngeas. Qual infecção é mais comum em crianças maiores de seis anos? As infecções parafaríngeas. A maioria dos pacientes precisou de cirurgia? Não. A grande maioria respondeu adequadamente ao tratamento conservador com antibióticos intravenosos. Os autores sugerem mudanças na prática clínica? Sim. Propõem algoritmos específicos para cada faixa etária, priorizando ultrassonografia em crianças maiores e reservando a tomografia para casos selecionados, especialmente em lactentes com sinais de alerta. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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