Doença Pneumocócica Invasiva (DPI) em crianças na era pós-PCV13 e perspectivas com a PCV20. Sobre o artigo A introdução da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (PCV13) reduziu expressivamente a incidência da doença pneumocócica invasiva (DPI) infantil. Entretanto, sorotipos vacinais, especialmente 3, 19A e 19F, continuam sendo responsáveis por parcela significativa dos casos. Além disso, observa-se substituição por sorotipos não contemplados pela PCV13, tornando relevante avaliar o potencial impacto da introdução da PCV20 na prática clínica. Este estudo descreve a epidemiologia recente da DPI em oito hospitais pediátricos norte-americanos imediatamente antes da ampla utilização da PCV20. Métodos utilizados Trata-se de um estudo multicêntrico prospectivo de vigilância envolvendo oito hospitais pediátricos dos Estados Unidos. Foram incluídas crianças menores de 18 anos com isolamento de Streptococcus pneumoniae em sítios estéreis entre janeiro de 2018 e dezembro de 2023. Foram coletados dados demográficos, manifestações clínicas, condições predisponentes, histórico vacinal, sorotipos pneumocócicos e perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos. A sorotipagem foi realizada em laboratório central por reação de Quellung, e a susceptibilidade aos antibióticos foi determinada conforme critérios do CLSI. Resultados Foram identificados 661 casos de DPI, sendo aproximadamente dois terços em crianças menores de cinco anos. Os sorotipos da PCV13 permaneceram responsáveis por cerca de 30% dos casos, principalmente os sorotipos: 3 19F 19A Os sete sorotipos adicionais presentes na PCV20 responderam por aproximadamente: 25% dos casos em menores de cinco anos; 19% nos pacientes com cinco anos ou mais. Entre os sorotipos não incluídos na PCV13, destacaram-se: 35B 23B 15C 15B 22F 33F A pneumonia foi a principal manifestação clínica associada aos sorotipos da PCV13, enquanto bacteremia e meningite foram mais frequentes entre sorotipos não-PCV13. Condições clínicas predisponentes foram significativamente mais frequentes nas infecções causadas por sorotipos não-PCV13, especialmente em crianças maiores. Na análise microbiológica: cerca de 10% dos isolados de meningite apresentaram resistência à ceftriaxona; os sorotipos 35B e 15C destacaram-se pela maior resistência aos antibióticos; mais de 95% dos isolados de infecções não meníngeas permaneceram sensíveis à penicilina e ceftriaxona. Durante o período da pandemia de COVID-19 houve queda transitória da incidência da DPI, seguida de retorno aos níveis pré-pandemia entre 2021 e 2023. Discussão Mesmo mais de uma década após a introdução da PCV13, os sorotipos 3, 19A e 19F continuam contribuindo significativamente para a carga de doença pneumocócica invasiva. Os autores destacam que o sorotipo 3 permanece particularmente problemático devido à menor efetividade imunológica observada na prática, apesar da presença na vacina. A substituição por sorotipos não contemplados pela PCV13 evidencia a evolução da epidemiologia pneumocócica e reforça o potencial benefício da incorporação da PCV20. O sorotipo 35B merece atenção especial por sua frequência crescente e maior resistência antimicrobiana. Os dados também reforçam que a associação de vancomicina com ceftriaxona permanece indicada como terapia empírica da meningite bacteriana pediátrica, considerando a persistência de cepas com redução da sensibilidade à ceftriaxona. Conclusão Os sorotipos da PCV13 continuam sendo responsáveis por aproximadamente um terço dos casos de doença pneumocócica invasiva em crianças, principalmente os sorotipos 3, 19A e 19F. A maioria dos casos restantes é causada por sorotipos não contemplados pela PCV13, muitos deles incluídos na PCV20, sugerindo que a implementação rotineira dessa vacina poderá reduzir ainda mais a carga da doença. Apesar da redução global da incidência, permanece necessária vigilância epidemiológica contínua, principalmente devido ao surgimento de sorotipos resistentes e ao elevado risco em crianças com doenças de base. Insights clínicos A PCV13 eliminou a doença pneumocócica invasiva causada por seus sorotipos? Não. Aproximadamente 30% dos casos ainda foram causados por sorotipos incluídos na PCV13, principalmente 3, 19A e 19F. Quais sorotipos continuam sendo os principais responsáveis pela DPI? Os sorotipos 3, 19F e 19A permanecem predominantes entre os sorotipos vacinais. Qual o potencial benefício da PCV20? Os sete novos sorotipos adicionados à PCV20 representam parcela importante dos casos atuais de DPI, indicando potencial para reduzir ainda mais a incidência da doença. Quais crianças apresentam maior risco de DPI por sorotipos não-PCV13? Principalmente crianças com doenças de base, como neoplasias, doenças neurológicas, imunodeficiências, hemoglobinopatias e outras condições predisponentes. O tratamento empírico da meningite pneumocócica deve ser modificado? Não. Os achados sustentam a manutenção da associação entre vancomicina e ceftriaxona como tratamento empírico inicial da meningite bacteriana pediátrica. Qual sorotipo merece maior vigilância atualmente? O sorotipo 35B destaca-se pela frequência crescente e pela maior resistência aos antimicrobianos, tornando-se um importante alvo para vigilância epidemiológica. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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