Cobertura vacinal contra rotavírus e barreiras à vacinação em crianças prematuras e internadas em UTI Neonatal Sobre o artigo A vacina contra o rotavírus reduziu significativamente a carga da gastroenterite grave, porém sua cobertura permanece inferior à de outras vacinas administradas no mesmo calendário infantil, como a DTaP. As recomendações atuais limitam a primeira dose até 14 semanas e 6 dias de vida e, em muitos casos, orientam que lactentes internados na UTI Neonatal recebam a vacina apenas após a alta. Os autores avaliaram se essas recomendações representam barreiras importantes para a vacinação. Métodos utilizados Estudo observacional utilizando dados da New Vaccine Surveillance Network (NVSN). Foram incluídas crianças nascidas a partir de 1º de janeiro de 2007, acompanhadas entre 2014 e 2024, com idade suficiente para elegibilidade vacinal e status vacinal conhecido. Os pesquisadores analisaram: Cobertura da vacina contra rotavírus. Início e conclusão do esquema vacinal. Oportunidades perdidas de vacinação. Fatores associados à não vacinação. Impacto da idade gestacional, permanência em UTI Neonatal, tipo de seguro de saúde e período de nascimento. Foram utilizados testes de associação e regressão logística para estimativa das razões de chances (OR). Resultados Foram analisadas 24.775 crianças. Os principais achados foram: A cobertura da primeira dose aumentou ao longo dos anos, estabilizando em aproximadamente 91%. A cobertura permaneceu inferior à observada para a vacina DTaP. Prematuros extremos apresentaram o maior risco de não iniciar a vacinação contra rotavírus (OR 14,6). Crianças que receberam a primeira DTaP após 15 semanas apresentaram risco muito maior de não receber a vacina contra rotavírus (OR 30,0). A ausência de seguro de saúde também esteve associada à menor cobertura vacinal. Mais da metade dos prematuros extremos permaneceu internada na UTI Neonatal além das 15 semanas de vida, ultrapassando o limite recomendado para iniciar a vacinação. Aproximadamente 80% desses lactentes não receberam a vacina contra rotavírus, apesar de muitos já terem recebido DTaP durante a internação. Discussão Embora a cobertura vacinal tenha melhorado desde a introdução da vacina, persistem barreiras relevantes. Os resultados sugerem que as restrições etárias e a recomendação de adiar a vacinação até a alta da UTI Neonatal dificultam principalmente a imunização de prematuros extremos. Os autores destacam que permitir a administração da vacina durante a internação em UTI Neonatal poderia reduzir oportunidades perdidas sem alterar o limite máximo de idade recomendado para vacinação, aumentando a cobertura em um grupo particularmente vulnerável. Conclusão A cobertura da vacina contra rotavírus permanece inferior à de outras vacinas do calendário infantil. Prematuridade extrema, internação prolongada em UTI Neonatal, vacinação tardia e vulnerabilidade socioeconômica foram os principais fatores associados à não vacinação. Os autores concluem que a reavaliação das recomendações para administração da vacina durante a permanência na UTI Neonatal pode contribuir para aumentar a cobertura vacinal e reduzir barreiras de acesso. Insights clínicos Por que a cobertura da vacina contra rotavírus continua menor que a de outras vacinas infantis? Porque existem restrições etárias rigorosas para seu início e barreiras relacionadas à internação prolongada de prematuros em UTI Neonatal. Quais crianças apresentaram maior risco de não iniciar a vacinação? Prematuros extremos, crianças sem seguro de saúde e aquelas que receberam DTaP tardiamente. Qual foi a principal barreira identificada para os prematuros extremos? A permanência prolongada na UTI Neonatal até após o limite de idade recomendado para iniciar a vacinação. Houve oportunidades perdidas de vacinação? Sim. Muitos lactentes receberam DTaP na idade adequada, mas não receberam a vacina contra rotavírus. Qual mudança prática os autores sugerem? Reavaliar as recomendações para permitir a administração da vacina contra rotavírus durante a permanência na UTI Neonatal em lactentes elegíveis. Qual é a principal mensagem para a prática clínica? A flexibilização da vacinação em prematuros internados na UTI Neonatal pode aumentar a cobertura vacinal e reduzir a suscetibilidade de um grupo com elevado risco de doença grave por rotavírus. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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