Prevenção da bronquiolite por VSR: vacina materna e nirsevimabe | 42º CBP O que a vida real mostra sobre as novas estratégias, por que a janela de aplicação importa e como a sazonalidade mudou depois da pandemia. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Conferência "A revolução na prevenção da bronquiolite", com Renato de Ávila Kfouri (SP). Presidência: Maria do Socorro Ferreira Martins (PB). Em resumo: a vacinação materna e os anticorpos monoclonais de nova geração, como o nirsevimabe, mudaram a prevenção da bronquiolite por vírus sincicial respiratório (VSR). Os dados de vida real confirmam queda nas hospitalizações, mas a efetividade depende da janela de aplicação e da sazonalidade local, que mudou depois da pandemia. Qual é o peso do VSR hoje? O VSR continua sendo uma causa relevante de bronquiolite e de hospitalizações em lactentes. Funciona como porta de entrada para infecções respiratórias graves, e uma bronquiolite precoce e grave aumenta o risco de novos episódios e de impacto prolongado. Como a pandemia mudou a sazonalidade? As medidas não farmacológicas da pandemia deslocaram a circulação do vírus. Hoje há um retorno gradual aos padrões habituais, com antecipação nas regiões do Norte e variação regional importante. Até cerca de 30% dos casos ocorrem fora da estação de pico, o que pede flexibilidade nos programas, vigilância contínua e estratégias de resgate (catch-up) para as coortes que ficaram sem proteção. Como a vacina materna protege o recém-nascido? A vacinação materna induz anticorpos que atravessam ativamente a placenta, com níveis no cordão umbilical superiores aos do sangue materno. Os ensaios mostram eficácia alta, citada em torno de 82%, na redução de atendimentos de emergência e hospitalizações. A janela de aplicação é crítica: A OMS e a OPAS ajustaram a janela gestacional recomendada, por exemplo para 28 a 31 semanas. Aplicar a vacina de 14 a 30 dias antes do parto otimiza a transferência de anticorpos. Aplicar cedo demais ou muito perto do parto pode reduzir a efetividade, especialmente em prematuros. Dados de vida real dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Austrália mostram redução de casos e hospitalizações, com variações conforme a janela aplicada e a prematuridade. O que muda com o nirsevimabe? O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de nova geração com meia-vida prolongada, o que permite uma dose única por estação. Ensaios e dados observacionais mostram eficácia e efetividade elevadas e consistentes, com comparações favoráveis ao palivizumabe. Chile e Paraguai registraram reduções importantes nas hospitalizações depois de incorporar o anticorpo aos programas. Vale combinar as estratégias? Estratégias que combinam vacinação materna e anticorpo monoclonal estão sendo testadas. A escolha deve considerar a sazonalidade regional e o contexto de cada programa, com monitoramento contínuo para ajustar cobertura e efetividade. O que muda no consultório Oriente a vacinação materna contra VSR dentro da janela recomendada. Lembre que aplicar cedo demais ou perto demais do parto pode reduzir a proteção, sobretudo em prematuros. Considere o anticorpo monoclonal conforme o programa local e a sazonalidade da sua região. Fique atento aos casos fora da estação de pico e às coortes que precisam de resgate. Perguntas frequentes Quando aplicar a vacina materna contra VSR? Dentro da janela gestacional recomendada, ajustada pela OMS e pela OPAS (por exemplo, 28 a 31 semanas). A transferência de anticorpos é melhor quando a vacina é aplicada de 14 a 30 dias antes do parto. O nirsevimabe precisa de várias doses? Não. A meia-vida prolongada permite uma dose única por estação. O VSR só circula na estação de pico? Não. Depois da pandemia, até cerca de 30% dos casos ocorrem fora do pico, com variação entre regiões. Fontes Conferência "A revolução na prevenção da bronquiolite", Renato de Ávila Kfouri, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 15/10/2026 (programação científica oficial). Dados de vida real dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Chile e Paraguai, citados na conferência. Leia também: 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Respiratório no NeoPed HUB.
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