Palestra sobre sono e desenvolvimento infantil no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Sono, apneia e desenvolvimento infantil | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Sono, apneia e desenvolvimento: por que o sono é prioridade | 42º CBP Mielina, sistema glinfático, memória, emoção e linguagem: o que o sono constrói e o que a apneia tira da criança. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Como os distúrbios respiratórios do sono afetam o desenvolvimento infantil". Palestra "O desenvolvimento e a apneia do sono", com Sulene Pirana (SP). Moderação: José Faibes Lubianca Neto (RS). Em resumo: o sono é central para o neurodesenvolvimento. Durante o sono, a atividade neuronal favorece o crescimento da mielina, o sistema glinfático remove substâncias tóxicas e os fusos de sono consolidam memórias. A privação de sono aumenta em mais de 60% a reatividade emocional, e os distúrbios respiratórios do sono prejudicam a linguagem: quando presentes desde os 3 anos, predizem pior leitura oral e compreensão auditiva aos 8 anos. Por que o sono importa tanto para o cérebro em desenvolvimento? Crianças com distúrbios precoces do sono têm prejuízos cognitivos, de atenção e psicossociais. A atividade neuronal durante o sono estimula o crescimento da mielina e aumenta a conectividade funcional, favorecendo a maturação das redes neurais. O cérebro infantil tem alta densidade de sinapses e pouca mielina, o que o torna muito plástico e com alta demanda de energia. Com a idade, a densidade sináptica cai e a mielinização aumenta, e o cérebro adulto fica menos plástico e mais eficiente. O que o sistema glinfático faz durante o sono? Durante o sono, o sistema glinfático expande em mais de 60% o espaço intersticial cortical e remove substâncias do metabolismo neuronal, incluindo compostos neurotóxicos. Essa limpeza é mais intensa no sono NREM. Como o sono consolida a memória? O cérebro continua aprimorando habilidades motoras e procedimentos durante o sono, sem prática adicional. A prática seguida de uma boa noite de sono é que leva ao aperfeiçoamento. Menos fusos de sono dificultam guardar fatos novos no hipocampo no dia seguinte. Dormir menos de seis horas reduz diretamente o benefício do sono para a aprendizagem e a memória. O sono também ajuda a esquecer o que é irrelevante ou doloroso, num processo que ocorre de 10 a 15 vezes por segundo durante os fusos. O que a falta de sono faz com as emoções e o comportamento? A privação de sono amplifica em mais de 60% a reatividade emocional mediada pela amídala. Depois de noites mal dormidas, a criança tem mais dificuldade de contextualizar eventos e controlar as reações. O sono insuficiente se associa a agressividade, bullying e problemas de comportamento, além de maior busca por sensações e exposição a riscos. Na infância, ele se correlaciona com início precoce do uso de álcool e drogas na adolescência. Menos tempo de sono também aumenta o risco de obesidade, porque glicose, leptina e grelina seguem padrões noturnos que regulam o apetite. Como a apneia afeta a linguagem e a cognição? Em crianças brasileiras de 4 a 11 anos com apneia obstrutiva do sono, há impacto negativo na linguagem oral, incluindo sintaxe e pragmática. Do ronco primário à apneia, os distúrbios respiratórios do sono prejudicam QI verbal, linguagem, atenção, memória e funções executivas, com efeito maior quanto mais alto o índice de apneia-hipopneia. Estudos longitudinais mostram que distúrbios respiratórios do sono desde os 3 anos predizem pior leitura oral e compreensão auditiva aos 8 anos. Segundo a palestra, os prejuízos físicos e mentais de uma noite ruim de sono superam os de uma falta equivalente de alimento ou exercício. O sono deve ser tratado como prioridade e fator de proteção. O que muda no consultório Pergunte sobre a rotina de sono em todas as idades e promova um sono adequado para cada faixa etária. Investigue ronco e pausas respiratórias em crianças de 3 a 11 anos e encaminhe para avaliação quando houver suspeita. Acompanhe a linguagem e a leitura de crianças com histórico de distúrbios respiratórios do sono. Em adolescentes, discuta horários e uso de dispositivos à noite para reduzir a privação de sono. Inclua a higiene do sono nas estratégias de prevenção da obesidade. Perguntas frequentes Ronco na criança pode afetar o aprendizado? Sim. Do ronco primário à apneia, os distúrbios respiratórios do sono se associam a prejuízos em linguagem, atenção, memória e funções executivas. Dormir pouco deixa a criança mais irritada? Sim. A privação de sono aumenta em mais de 60% a reatividade emocional mediada pela amídala. Sono tem relação com obesidade? Sim. Menos tempo de sono se associa a maior risco de obesidade, com associação mais forte em crianças e adultos jovens. Fontes Palestra "O desenvolvimento e a apneia do sono", Sulene Pirana, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 15/10/2026 (programação científica oficial). Corrêa CC et al. Oral Language Skills in Brazilian Children With Obstructive Sleep Apnea. Research in Developmental Disabilities. 2022;128:104300. Menzies B et al. Sleep Medicine Reviews. 2022;63:101629. Hunter SJ et al. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 2016;194(6):739-47. Harding R et al. Frontiers in Psychology. 2021;12:661156. Leia também: Apneia do sono na criança: quando investigar | 42º CBP, Insônia infantil | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia.  

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