Palestra sobre hemangioma infantil no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Hemangioma infantil: quando tratar | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Hemangioma infantil: quando pedir exames e quando tratar | 42º CBP Como diferenciar de malformações vasculares, quais lesões pedem investigação e como conduzir o propranolol. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 16 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Queixas frequentes em dermatologia pediátrica". Palestra "Hemangiomas: quando pedir exames e quando tratar", com Vânia Oliveira Carvalho (PR). Moderação: Jandrei Rogério Markus (TO). Em resumo: o hemangioma da infância é a lesão vascular mais frequente, presente em 4% a 5% das crianças. Surge nas primeiras semanas, cresce rápido e involui, na maior parte, até os 4 anos. Lesões em áreas de risco, segmentares ou múltiplas pedem investigação, e o propranolol é a primeira linha de tratamento, idealmente iniciado entre 4 e 8 semanas de vida. Hemangioma ou malformação vascular? A classificação da ISSVA, revisada em 2025, separa as anomalias vasculares em tumores e malformações. Tumores benignos: hemangioma da infância, hemangioma congênito (RICH, PICH e NICH), angioma em tufos e granuloma piogênico. Tumores borderline: hemangioendotelioma kaposiforme e hemangioendotelioma retiforme. Tumores malignos: angiossarcoma e hemangioendotelioma epitelioide. Malformações vasculares: presentes ao nascimento, sem fase de crescimento rápido e com curso estável. O hemangioma da infância pode não aparecer ao nascimento ou surgir como uma mancha precursora clara ou com discretas telangiectasias. Torna-se evidente por volta de 10 a 15 dias, cresce rápido nas primeiras semanas, atinge um platô e involui, com a maior parte da involução até os 4 anos, e não até os 10, como se dizia antes. O hemangioma congênito já nasce formado e pode involuir rápido (RICH), parcialmente (PICH) ou não involuir (NICH). As malformações, como a mancha vinho do porto, não evoluem de mancha para tumor e não respondem a betabloqueador. Quem tem mais risco e como a lesão se apresenta? O hemangioma é uma proliferação benigna de células endoteliais imaturas, com marcador GLUT1 positivo. Prematuridade, baixo peso ao nascer e gestação gemelar são os principais fatores de risco. Profundidade: superficial (aspecto de morango), profundo (mais azulado) ou misto. Padrão: localizado, multifocal (várias lesões pequenas) ou segmentar, que acompanha um segmento anatômico e tem mais risco de complicações e síndromes associadas. Quando investigar? Situação O que fazer Lesão periocular ou no eixo visual Encaminhar ao oftalmologista e tratar cedo Área da barba Laringoscopia para afastar hemangioma subglótico Mais de 5 hemangiomas cutâneos Ultrassom abdominal para avaliar o fígado e, em lesões muito grandes, função tireoidiana Segmentar de face acima de 5 cm Investigar PHACE(S) com angiorressonância de cabeça e pescoço, ecografia e avaliação oftalmológica Região lombar Investigar disrafismo espinhal com ecografia do canal sacral e, se preciso, ressonância A síndrome PHACE(S) reúne malformações da fossa posterior, hemangioma segmentar extenso de face ou couro cabeludo, anomalias arteriais cervicais e cerebrais, anomalias cardíacas (especialmente coarctação da aorta), alterações oculares e defeitos esternais. Ponta nasal, lábios e pescoço também são áreas de risco pela possibilidade de desfiguração, e lesões em áreas de atrito e umidade, como o períneo e o lábio, ulceram com frequência. Quando e como tratar? O tratamento está indicado nas lesões que comprometem função, como o eixo visual, nas áreas de alto risco de ulceração ou desfiguração, nas segmentares, nas múltiplas (mais de 5) e nas com risco subglótico. A janela ideal é entre 4 e 8 semanas de vida, de preferência perto de 2 meses, mas, se houver indicação, o tratamento deve começar assim que a criança chegar. Propranolol, a primeira linha: Começar com 1 mg/kg/dia. Aumentar 1 mg/kg por semana até a dose-alvo de 2 a 3 mg/kg/dia. Fazer eletrocardiograma antes de iniciar, conforme o protocolo do serviço. Manter conforme a resposta, com desmame gradual. A recidiva é rara. Os principais cuidados são a hipoglicemia, que pede suspender a dose quando a criança não está se alimentando bem, e o broncoespasmo, que pede suspensão. O terror noturno pode ser reduzido dando as doses de manhã e no fim da tarde, por volta das 18h. Em lesões ulceradas ou infectadas, começa-se mais devagar (0,5 mg/kg/dia) e associa-se antibiótico, como a cefalexina. Outras opções: Timolol tópico: para lesões pequenas, superficiais e pouco espessas, ou para consolidar a melhora após o propranolol, com no máximo 1 gota duas vezes ao dia pelo risco de hipoglicemia sistêmica. Atenolol: apontado em revisão sistemática como alternativa em casos selecionados, pela seletividade beta-1. Nadolol: relatos de eventos adversos importantes, como convulsões, pedem cautela. Corticoides: hoje evitados na maioria dos casos, mas podem ser coadjuvantes em situações específicas, como ulceração infectada. O início precoce, entre 30 e 50 dias de vida, se associa a melhores resultados estéticos e funcionais. Sem tratamento, a lesão pode deixar excesso de pele e telangiectasias. Como apoiar a decisão no consultório? O escore IHReS (Infantile Hemangioma Referral Score), disponível on-line, traz casos de treinamento, pontuação de risco e formulário para imprimir. Se qualquer pergunta crítica do topo do formulário for respondida com "sim", a indicação é tratar ou encaminhar. O que muda no consultório Identifique cedo lesões em áreas de risco (eixo visual, ponta nasal, lábios, pescoço, área da barba), padrões segmentares e casos com mais de 5 lesões. Peça ultrassom abdominal nos hemangiomas múltiplos e função tireoidiana nas lesões muito grandes. Encaminhe lesões perioculares ao oftalmologista e peça laringoscopia nas da área da barba. Inicie o propranolol entre 4 e 8 semanas quando indicado, com titulação semanal e orientação sobre hipoglicemia. Oriente a família sobre sinais de alarme: ulceração, infecção, dificuldade respiratória e alteração visual. Perguntas frequentes Todo hemangioma precisa de tratamento? Não. O tratamento é indicado em lesões que ameaçam função, em áreas de risco de ulceração ou desfiguração, nas segmentares, nas múltiplas e nas com risco subglótico. Até quando o hemangioma regride? A maior parte da involução acontece até os 4 anos. Qual é a melhor idade para começar o propranolol? Entre 4 e 8 semanas de vida, de preferência perto de 2 meses. Quando há indicação, não se deve esperar. Mancha vinho do porto responde ao propranolol? Não.

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