Palestra sobre alergia a medicamentos na criança no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Alergia a medicamentos na criança | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Alergia a medicamentos na criança: investigar antes de rotular | 42º CBP Mais de 90% das suspeitas de alergia a betalactâmicos não se confirmam: como estratificar o risco, quando fazer o teste de provocação e o que fazer com os anti-inflamatórios. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 16 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Atualização em alergia a drogas". Palestra "Condutas na criança com suspeita de alergia a medicamentos", com Mara Morelo Rocha Felix (RJ). Moderação: Marcos Reis Gonçalves (AL) e Raquel Prudente de Carvalho Baldaçara (TO). Em resumo: mais de 90% das crianças com suspeita de alergia a betalactâmicos são desrotuladas depois da investigação. O falso rótulo leva a antibióticos de espectro mais amplo, mais caros e associados a resistência. As diretrizes de 2024 orientam estratificar o risco: crianças de baixo risco podem ir direto ao teste de provocação oral, as de risco intermediário fazem teste cutâneo antes, e nas de alto risco o teste é contraindicado. Quantas crianças com suspeita têm alergia de verdade? Menos de 10%. Mais de 90% das crianças com relato de alergia a betalactâmicos são desrotuladas após investigação detalhada. No Brasil e na América Latina, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) lideram as reações a medicamentos, seguidos pelos betalactâmicos. As crianças têm menos reações cutâneas graves que os adultos e, em geral, melhor prognóstico. O falso rótulo tem custo: obriga a usar antibióticos de espectro mais amplo, como quinolonas e vancomicina, o que aumenta custos, risco de falha terapêutica e seleção de bactérias multirresistentes. O que é diferente na criança? Lactentes: a anafilaxia pode aparecer com sinais inespecíficos, como choro inconsolável, estridor e irritabilidade, o que atrasa o reconhecimento. Adolescentes: têm mais risco de reexposição acidental, mesmo sabendo da alergia. Atopia: não aumenta o risco de alergia a betalactâmicos, mas é fator de risco para hipersensibilidade a anti-inflamatórios. Infecções: exantemas que surgem durante o antibiótico muitas vezes são causados pela própria infecção, viral (herpesvírus, Epstein-Barr, HHV-6, vírus respiratórios) ou bacteriana. Sintomas gastrointestinais isolados: costumam ser efeitos colaterais, não alergia. Como estratificar o risco? Risco Quadro Conduta Baixo Exantema maculopapular tardio leve: surgiu horas ou dias após o início, sem febre nem sintomas sistêmicos, e regrediu com a suspensão Teste de provocação oral direto, sem teste cutâneo Intermediário Reação imediata não grave (urticária ou angioedema isolados), exantema moderado que precisou de corticoide ou história duvidosa Testes cutâneos antes do teste de provocação Alto Anafilaxia ou reação cutânea tardia grave (Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, DRESS, PEGA) Teste de provocação contraindicado O teste intradérmico tem acurácia limitada e dói, o que dificultava a investigação em crianças. No baixo risco, o teste de provocação direto tem taxa de reação em torno de 5%, quase sempre leve, risco de anafilaxia inferior a 0,01% a 0,03% e alta eficácia de desrotulagem. Como fazer o teste de provocação oral? Preparo: ambiente com material completo para anafilaxia, equipe treinada, criança sem febre e sem sintomas, anti-histamínicos suspensos e termo de consentimento assinado pelos responsáveis. Doses: em geral, 10% da dose calculada e, após um intervalo, os 90% restantes. Observação: monitoramento clínico e de sinais vitais por 1 a 2 horas. Teste prolongado: quando há receio de reação tardia, a primeira dose é dada sob observação e o medicamento segue em casa por 2 a 3 dias (no máximo 5), com canal direto com o médico. O placebo fica reservado para adultos muito ansiosos e costuma ser dispensado em crianças pequenas. Que outros exames ajudam? Testes cutâneos: começam pelo prick e seguem para o intradérmico se negativos. O teste de contato para medicamentos tem baixa sensibilidade. Triptase sérica: deve ser dosada na suspeita de anafilaxia e comparada com a triptase basal, coletada 24 a 48 horas depois. IgE específica: disponível para poucos medicamentos, basicamente betalactâmicos, com sensibilidade abaixo de 20%. Ativação de basófilos e transformação linfocitária: indicações restritas. E a alergia a anti-inflamatórios? Reatores cruzados: são a maioria. O mecanismo é a inibição da COX-1, não IgE nem células T. Todos os inibidores potentes da COX-1 ficam contraindicados, e o paracetamol é uma alternativa por inibir fracamente a COX-1. Reatores seletivos: cerca de 10% dos pacientes reagem a uma molécula específica, por exemplo dipirona, e toleram outras, como ibuprofeno. As alternativas podem ser liberadas após confirmação por teste de provocação. Como orientar a família depois do teste? A investigação pede comunicação empática para reduzir a ansiedade dos responsáveis. No fim, a família deve receber um relatório por escrito, em cartão ou receita detalhada, com os medicamentos liberados e os contraindicados, para entregar ao pediatra e à escola. O que muda no consultório Não aceite o rótulo de alergia a betalactâmico sem investigação. Estratifique o risco pela história da reação antes de decidir o próximo passo. Encaminhe as crianças de baixo risco para teste de provocação direto. Lembre que exantema durante antibiótico costuma ser da infecção. Nos reatores cruzados a anti-inflamatórios, use paracetamol como alternativa. Entregue à família o relatório por escrito com o resultado. Perguntas frequentes Toda criança que teve manchas tomando amoxicilina é alérgica? Não. Mais de 90% das suspeitas de alergia a betalactâmicos não se confirmam, e muitos exantemas são causados pela própria infecção. É preciso fazer teste na pele antes do teste de provocação? No baixo risco, não: a criança pode ir direto ao teste de provocação. No risco intermediário, sim. O teste de provocação é seguro? No baixo risco, a taxa de reação fica em torno de 5%, quase sempre leve, com risco de anafilaxia inferior a 0,01% a 0,03%. Quem reage a dipirona pode usar ibuprofeno? Depende. Nos reatores seletivos, sim, após confirmação por teste de provocação. Nos reatores cruzados, os inibidores potentes da COX-1 ficam contraindicados. Fontes Palestra "Condutas na criança com suspeita de alergia a medicamentos", Mara Morelo Rocha Felix, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 16/10/2026 (programação científica oficial). Diretrizes de 2024 sobre alergia a medicamentos, apoiadas pela EAACI, por sociedade americana de alergia e

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA

Compartilhe esse conteúdo

LinkedIn
Twitter
Facebook
WhatsApp

Posts relacionados

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.