Objetivo do estudo
Analisar, de forma sistemática e quantitativa, as intervenções terapêuticas para desimpactação fecal em crianças, com avaliação de eficácia clínica, tempo de resolução, segurança e tolerabilidade.
Metodologia
Revisão sistemática de 23 estudos, incluindo 8 elegíveis para meta-análise.
População: crianças com diagnóstico de impactação fecal (média de idade 4–12 anos).
Intervenções: polietilenoglicol (PEG), enemas, lactulose, óleo mineral, intervenções combinadas.
Desfechos analisados:
Resolução da impactação.
Tempo de resposta.
Eventos adversos.
Principais achados
Eficácia terapêutica:
PEG (por via oral ou via sonda nasogástrica) mostrou a maior taxa de sucesso clínico.
Enemas também eficazes, porém menos tolerados pelas crianças.
Lactulose e óleo mineral menos eficazes em episódios agudos de impactação.
Tempo de resposta:
PEG via sonda apresentou resolução mais rápida da impactação.
A combinação PEG + enemas não mostrou vantagem clara sobre monoterapia com PEG.
Tolerabilidade e efeitos adversos:
PEG: bem tolerado, eventos adversos leves (náusea, cólicas).
Enemas: maior taxa de rejeição pelas crianças e desconforto.
Óleo mineral: risco de aspiração em menores de 3 anos.
Discussão e implicações clínicas
O PEG oral ou via sonda deve ser considerado tratamento de primeira linha para desimpactação fecal em pediatria.
Enemas podem ser reservados para situações específicas, com orientação clara aos cuidadores.
A aceitação da criança ao tratamento é crucial para a adesão e sucesso terapêutico.
Falta padronização de protocolos e critérios diagnósticos entre os estudos.
Recomendações práticas
Iniciar desimpactação com PEG oral em dose elevada, preferencialmente em ambiente ambulatorial.
Avaliar necessidade de hospitalização em casos graves, com PEG via sonda como opção eficaz.
Evitar óleo mineral em crianças pequenas devido ao risco pulmonar.
Reavaliar continuidade do tratamento com plano de manutenção pós-desimpactação.
Esta meta-análise fornece evidências robustas para orientar o manejo de uma condição comum, porém potencialmente debilitante, com foco em segurança, eficácia e aceitação pelas famílias.
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