Aleitamento materno, desenvolvimento cerebral e desfechos neurocognitivos: estudo longitudinal de 7 anos em prematuros com menos de 30 semanas de gestação Sobre o artigo O aleitamento materno está associado a benefícios para o desenvolvimento cerebral, mas os mecanismos e a durabilidade desses efeitos em prematuros extremos ainda não são totalmente compreendidos. Este estudo prospectivo e longitudinal investigou a relação entre o volume de leite materno recebido nas primeiras semanas de vida e os desfechos cerebrais e neurocognitivos até os 7 anos de idade em crianças nascidas com menos de 30 semanas de gestação. Métodos utilizados Estudo de coorte prospectivo com 586 neonatos prematuros (<30 semanas), acompanhados desde o nascimento até os 7 anos. A alimentação com leite materno foi registrada diariamente durante os primeiros 28 dias de vida. Avaliações por ressonância magnética cerebral foram realizadas no termo corrigido (idade equivalente à gestacional de 40 semanas). Os desfechos neurocognitivos foram avaliados aos 7 anos utilizando escalas padronizadas (Wechsler Intelligence Scale for Children, entre outras). Modelos estatísticos ajustados controlaram variáveis sociodemográficas e clínicas. Resultados A maior proporção de leite materno nas primeiras 4 semanas esteve significativamente associada a volumes cerebrais maiores no exame de ressonância magnética ao termo corrigido, especialmente em estruturas como substância branca, núcleo caudado e tálamo. Aos 7 anos, crianças que receberam maior volume de leite materno apresentaram escores significativamente mais altos em QI total, linguagem verbal, memória de trabalho e atenção. A associação permaneceu significativa mesmo após ajuste para fatores como gravidade da prematuridade, complicações neonatais, nível educacional materno e status socioeconômico. O efeito positivo foi mais pronunciado em meninos do que em meninas. Discussão Os achados reforçam que o leite materno exerce efeito neuroprotetor e promotor do desenvolvimento cerebral, especialmente em prematuros extremos, que apresentam maior vulnerabilidade neurológica. A plasticidade cerebral durante o período neonatal torna o cérebro particularmente responsivo a fatores ambientais e nutricionais. Os dados apoiam estratégias que incentivem o aleitamento exclusivo, mesmo em contextos de internação prolongada na UTI neonatal. Conclusão A alimentação com leite materno nas primeiras semanas de vida está associada a benefícios estruturais e funcionais duradouros no cérebro de prematuros extremos. Estratégias de promoção, suporte e viabilização da oferta de leite humano devem ser consideradas uma intervenção essencial na neonatologia. Insights clínicos Qual a associação entre leite materno e o volume cerebral em prematuros extremos? Maior volume de leite materno nas primeiras 4 semanas está ligado a volumes cerebrais maiores, especialmente em substância branca, tálamo e núcleo caudado. Os efeitos do aleitamento persistem a longo prazo? Sim. Aos 7 anos, as crianças apresentaram melhores resultados cognitivos, inclusive em QI e memória de trabalho. O efeito do leite materno foi independente de fatores sociais? Sim. A associação permaneceu significativa mesmo após controle para fatores socioeconômicos e clínicos. Há diferença por sexo nos benefícios? Sim. Os efeitos foram mais pronunciados em meninos do que em meninas. Como esses achados impactam a prática clínica neonatal? Reforçam a importância de estratégias intensivas para garantir o fornecimento de leite humano nas UTIs neonatais, incluindo banco de leite e apoio às mães. Acesse mais artigos clicando aqui.
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