Leite humano e aleitamento materno nos primeiros anos | 42º CBP Como está o aleitamento no Brasil, o que o leite humano tem de único e por que a ingestão de proteína no início da vida merece atenção. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Simpósio satélite Danone "De referência para referência: a ciência, o cuidado e os novos desafios do desenvolvimento infantil", com Carlos Alberto Nogueira de Almeida e Julio Santos. Em resumo: OMS, SBP e ABRAN recomendam aleitamento materno exclusivo até 6 meses e complementado até 2 anos ou mais, mas no Brasil só 45,8% dos bebês menores de 6 meses mamam exclusivamente no peito. O leite humano tem uma composição bioativa que participa da imunidade, da microbiota e do desenvolvimento, e o excesso de proteína no início da vida pode favorecer a obesidade. Como está o aleitamento no Brasil? Segundo o ENANI 2019, o aleitamento materno exclusivo em menores de 6 meses e o aleitamento continuado entre 12 e 23 meses variam bastante entre as regiões: Região Aleitamento exclusivo (menores de 6 meses) Aleitamento continuado (12 a 23 meses) Brasil 45,8% 43,6% Norte 40,3% 49,1% Nordeste 39,0% 51,8% Sudeste 49,1% 38,0% Sul 54,3% 37,8% Centro-Oeste 46,5% 43,9% O que o leite humano tem de único? Proteínas e peptídeos: alfa-lactalbumina, beta-caseína, lactoferrina, osteopontina, IgA secretora, lisozima, fatores de crescimento e nucleotídeos. Lipídios: triglicerídeos com palmitato na posição sn-2, DHA e ARA, membrana do glóbulo de gordura, fosfolipídios e gangliosídeos. Carboidratos: lactose e mais de 200 oligossacarídeos (HMOs), o terceiro maior componente do leite. Células e vesículas: exossomos, microRNAs, leucócitos, células-tronco e um microbioma próprio. Os benefícios incluem menor risco de infecções (otites, pneumonias, diarreias, meningites), de doenças crônicas como obesidade e diabetes, de alergias e de asma, além de conforto gastrointestinal. O leite também molda a microbiota: a colonização começa nos primeiros dias, as primeiras semanas têm predomínio de bifidobactérias estimuladas pelos HMOs, a alimentação complementar diversifica a flora e, entre 4 e 5 anos, ela se parece com a do adulto. Por que a proteína no início da vida merece atenção? Fatores intrauterinos e a obesidade materna podem alterar a metilação do DNA e predispor a ganho de peso, resistência à insulina e diabetes tipo 2. O leite materno fornece doadores de grupos metil, hormônios como leptina e grelina e microRNAs que favorecem o equilíbrio energético e a sensibilidade à insulina. Já o excesso de proteína, como em fórmulas hiperproteicas, eleva IGF-1 e insulina, estimula a formação de tecido adiposo e aumenta o risco de obesidade. Por isso, a ingestão proteica na primeira infância precisa ser avaliada com critério. E quando amamentar não é possível? A regulação brasileira restringe o marketing de fórmulas e trata os produtos para menores de 36 meses como substitutos do leite materno. Na impossibilidade de amamentar ou na falta de leite humano pasteurizado, a indicação é de fórmulas infantis regulamentadas pela ANVISA (RDC nº 43 e 44/2011). O leite de vaca integral não é substituto adequado no início da vida. Qual é o papel do pediatra? O simpósio defendeu uma pediatria proativa, que começa antes da concepção, com orientação empática e individualizada para apoiar o aleitamento. O cuidado nutricional deve caminhar junto com o acompanhamento dos marcos do desenvolvimento e da microbiota, porque o desenvolvimento infantil é físico, cognitivo, emocional e social. O que muda no consultório Oriente aleitamento materno exclusivo até 6 meses e complementado até 2 anos ou mais. Avalie com critério a ingestão proteica na primeira infância. Quando amamentar não for possível, siga as normas da ANVISA e as diretrizes de nutrologia pediátrica. Integre a orientação nutricional ao acompanhamento do desenvolvimento. Perguntas frequentes Qual é a taxa de aleitamento exclusivo no Brasil? Segundo o ENANI 2019, 45,8% dos bebês menores de 6 meses estão em aleitamento materno exclusivo, de 39,0% no Nordeste a 54,3% no Sul. Até quando amamentar? A recomendação de OMS, SBP e ABRAN é aleitamento exclusivo até 6 meses e complementado até 2 anos ou mais. Leite de vaca integral pode substituir o leite materno? Não no início da vida. Na impossibilidade de amamentar, a indicação é de fórmula infantil regulamentada pela ANVISA. Fontes Simpósio satélite Danone "De referência para referência: a ciência, o cuidado e os novos desafios do desenvolvimento infantil", 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 15/10/2026. Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), 2019. ANVISA. RDC nº 43 e nº 44, de 2011. Leia também: Baixo ganho de peso no aleitamento exclusivo | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Nutrição no NeoPed HUB.
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