Diabetes tipo 1: o rastreamento por autoanticorpos muda o momento do diagnóstico | 42º CBP Estágios da doença, quem rastrear e quando, o que o diagnóstico precoce evita e o papel do teplizumabe. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 16 de outubro de 2026. Conferência "Rastreamento para o diagnóstico precoce do diabetes mellitus tipo 1: em quem e como fazer?", com Renata Villas Boas Andrade Lima (BA). Presidência: Annelise Barreto de Carvalho (CE). Em resumo: o diabetes tipo 1 (DM1) pode ser diagnosticado antes dos sintomas, pela confirmação de dois ou mais autoanticorpos. O rastreamento de parentes de primeiro grau e de crianças com outras doenças autoimunes começa aos 2 anos. Diagnosticar cedo reduz a cetoacidose de 60% a 80% para 4% a 6% dos casos, e o teplizumabe, aprovado pela Anvisa em março de 2026, pode atrasar a progressão para o diabetes clínico. Como a doença é classificada em estágios? Com a confirmação de dois ou mais autoanticorpos, o DM1 passa a ser classificado em estágios: Estágio O que caracteriza 1 Autoimunidade com glicemia normal 2 Disglicemia, sem atingir a faixa de diabetes 3A Diabetes clínico, ainda assintomático 3B Diabetes clínico com sintomas clássicos O estágio 3 corresponde aos critérios de diabetes: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia ≥ 200 mg/dL no teste oral de tolerância à glicose ou HbA1c ≥ 6,5%. Quanto o número de anticorpos pesa no risco? Autoanticorpos Risco de DM1 em 10 anos Nenhum 0,4% Um 14,5% Dois ou mais 70%, chegando a praticamente 100% ao longo da vida O que o diagnóstico precoce muda? Identificar a doença nos estágios 1 e 2 permite preparar a família e acompanhar a criança de perto, evitando que o diagnóstico aconteça na emergência. Desfecho Diagnóstico precoce Diagnóstico tardio Cetoacidose diabética 4% a 6% (abaixo de 2% com acompanhamento contínuo) 60% a 80% HbA1c média ao diagnóstico 6,8% 10,5% ou mais Necessidade de insulina no início 72% 98% No diagnóstico tardio, a cetoacidose traz risco de dano neurocognitivo permanente em memória e atenção. Nos estágios iniciais, a família pode aprender com calma a monitorar a glicemia (capilar ou por sensor), a aplicar insulina e a lidar com os "dias doentes", já que infecções virais são gatilhos de descompensação. Quem rastrear e quando? Quem: parentes de primeiro grau de pessoas com DM1 e crianças com outras doenças autoimunes. Quando: a partir dos 2 anos. Se o resultado for negativo, repetir entre 6 e 8 anos e entre 10 e 15 anos. Resultado positivo: dois ou mais autoanticorpos confirmam DM1, mesmo sem sintomas, e a criança deve ser encaminhada ao especialista. Qual é o papel do teplizumabe? Aprovado pela Anvisa em março de 2026, o teplizumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD3 que atua sobre as células T. Em estudos com 5 anos de seguimento, atrasou a progressão do estágio 2 para o 3 em até 2 anos. Também se associa à preservação de células beta, a menores doses de insulina, a menos hipoglicemias e à proteção neurocognitiva. O que muda no consultório Ofereça o rastreamento de autoanticorpos a partir dos 2 anos para crianças com parente de primeiro grau com DM1 ou com outra doença autoimune. Se vier negativo, repita entre 6 e 8 anos e entre 10 e 15 anos. Com dois ou mais anticorpos positivos, encaminhe ao especialista, mesmo sem sintomas. Use o diagnóstico precoce para preparar a família e evitar que o diagnóstico aconteça na emergência. Perguntas frequentes Quem deve fazer o rastreamento do diabetes tipo 1? Parentes de primeiro grau de pessoas com DM1 e crianças com outras doenças autoimunes, a partir dos 2 anos. Autoanticorpos positivos já são diabetes? Dois ou mais autoanticorpos confirmam DM1, mesmo sem sintomas. Nos estágios 1 e 2, a glicemia ainda não está na faixa de diabetes. Por que diagnosticar antes dos sintomas? Porque a cetoacidose ao diagnóstico cai de 60% a 80% para 4% a 6%, e a família pode se preparar com calma. O teplizumabe está aprovado no Brasil? Sim, a Anvisa aprovou o medicamento em março de 2026. Fontes Conferência "Rastreamento para o diagnóstico precoce do diabetes mellitus tipo 1: em quem e como fazer?", Renata Villas Boas Andrade Lima, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 16/10/2026 (programação científica oficial). Aprovação do teplizumabe pela Anvisa, março de 2026. Leia também: 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Pediatria no NeoPed HUB.
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