Hipertensão arterial na infância: quando o excesso de peso pressiona o coração (e os rins) | 42º CBP Como diagnosticar pela AAP 2017, o que pedir na investigação, a novidade do strain no ecocardiograma e quando entrar com remédio. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Hipertensão arterial na criança obesa: avaliação e conduta", com Lucimary de Castro Sylvestre (PR), "Importância do ecocardiograma", com Maria de Fátima Monteiro Pereira Leite (RJ) e "HAS na Síndrome de Cushing", com Isabel Rey Madeira (RJ). Moderação: Alessandra Vitorino Naghettini (GO). Em resumo: a hipertensão pediátrica não se mede como a do adulto: abaixo de 13 anos, o diagnóstico usa percentis por sexo, idade e estatura. A prevalência passa de 15% nas crianças com obesidade, que devem ter a pressão aferida em todas as consultas. A MAPA confirma o diagnóstico, o strain longitudinal global detecta alterações cardíacas precoces e o tratamento começa pelo estilo de vida, com IECA ou BRA como primeira linha quando o remédio é necessário. Como diagnosticar hipertensão na criança? Em menores de 13 anos, o diagnóstico depende de valores iguais ou acima do percentil 95 para sexo, idade e percentil de estatura (AAP 2017). A partir dos 13 anos, usam-se valores absolutos semelhantes aos do adulto. A confirmação exige medidas repetidas, com técnica adequada, em pelo menos 3 ocasiões, o que ajuda a separar a hipertensão verdadeira do efeito do avental branco. A pressão deve ser aferida anualmente a partir dos 3 anos e em todas as consultas de crianças com sobrepeso ou obesidade, o que pede manguitos de vários tamanhos no consultório. Quanto o excesso de peso pesa? Grupo Prevalência de hipertensão Geral Cerca de 4% Sobrepeso Cerca de 5% Obesidade Acima de 15% O pico fica perto dos 14 anos. A fisiopatologia envolve inflamação crônica, hiperativação simpática e do sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumento de leptina, retenção de sódio e menor disponibilidade de óxido nítrico. Como investigar? A investigação começa pela anamnese, com prematuridade, história familiar, hábitos e sinais de apneia do sono, e pelo exame físico, incluindo a pressão nos quatro membros. A triagem inclui função renal, urinálise e ultrassom de rins e vias urinárias, para excluir causas secundárias como coarctação da aorta e vasculites. MAPA de 24 horas: confirma o diagnóstico, define o fenótipo (sustentada, avental branco ou mascarada) e avalia o descenso noturno, que costuma estar reduzido na obesidade e na apneia. Ecocardiograma: indicado em obesos e hipertensos para avaliar a massa ventricular e as funções sistólica e diastólica. Strain longitudinal global (GLS): a novidade, que detecta alterações subclínicas mesmo quando os exames convencionais são normais. Uma metanálise de 2025 (Faggiano et al., AJH) mostrou GLS pior em jovens com pressão elevada ou hipertensão do que em controles. Como tratar? A base é a mudança de estilo de vida: dieta DASH, atividade física estruturada, controle de peso com apoio da família, menos telas e bom sono. Os medicamentos entram após 3 a 6 meses sem resposta a essas medidas, ou antes se houver hipertensão sintomática, estágio 2, lesão de órgão-alvo ou comorbidades como diabetes e doença renal crônica. A primeira linha são IECA ou BRA, com bloqueador de canal de cálcio como alternativa ou associação. Tiazídicos e betabloqueadores devem ser evitados como monoterapia inicial na obesidade. A meta é pressão abaixo do percentil 90, ou abaixo de 130/80 mmHg a partir dos 13 anos, com titulação a cada 2 a 6 semanas. Um desafio no Brasil é o acesso gratuito a anti-hipertensivos para menores de 21 anos, que ainda esbarra em entraves na Farmácia Popular. O que muda no consultório Meça a pressão de toda criança com excesso de peso, em todas as consultas. Confirme com medidas repetidas antes de rotular. Peça MAPA e ecocardiograma quando indicados. Encaminhe à nefrologia ou à cardiologia pediátrica nos casos de estágio 2, suspeita de causa secundária, hipertrofia ventricular esquerda ou hipertensão refratária. Perguntas frequentes Como diagnosticar hipertensão em crianças menores de 13 anos? Com valores iguais ou acima do percentil 95 para sexo, idade e percentil de estatura, confirmados em pelo menos 3 ocasiões. Toda criança obesa deve medir a pressão? Sim, em todas as consultas. Na obesidade, a prevalência de hipertensão passa de 15%. Qual é o anti-hipertensivo de primeira linha? IECA ou BRA, com bloqueador de canal de cálcio como alternativa ou associação. Fontes Mesa-redonda "Hipertensão arterial na criança obesa: avaliação e conduta", 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 15/10/2026 (programação científica oficial). Flynn JT et al. Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents. Pediatrics. 2017;140(3):e20171904. Faggiano et al. Metanálise sobre strain longitudinal global em jovens com pressão elevada. American Journal of Hypertension, 2025. Leia também: GLP-1 em adolescentes e cirurgia bariátrica | AAP 2026, Tratamento da apneia do sono na criança | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Cardiologia no NeoPed HUB.
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA



