Conferência sobre morte súbita em crianças e adolescentes atletas no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Morte súbita no atleta jovem: ECG e prevenção | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Morte súbita no atleta jovem: como avaliar antes do esporte e interpretar o ECG | 42º CBP A avaliação pré-participação e o preparo do local de treino são a melhor prevenção. Veja os sinais de alerta e como ler o ECG do atleta pela matriz de cores. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 17 de outubro de 2026. Conferência "Morte súbita em crianças e adolescentes atletas: orientando pediatras sobre novos protocolos", com Silvana Vertematti (SP). Presidência: Flavia Meyer (RS). Em resumo: a morte súbita cardíaca é rara em crianças e adolescentes, mas o risco aumenta entre 12 e 15 anos. Como mais da metade dos casos em menores de 18 anos fica sem causa identificada na autópsia, a prevenção passa pela avaliação pré-participação e por um ambiente esportivo preparado, com RCP de alta qualidade e desfibrilador acessível em até 3 minutos. O consenso de boas práticas da FIFA (2025) recomenda exame clínico e ECG a partir dos 12 anos, no mínimo a cada 2 anos, com interpretação por uma matriz de cores. Qual é o risco de morte súbita em crianças e adolescentes? É baixo: cerca de 0,7 caso por 100.000 por ano entre 8 e 15 anos. Entre 12 e 15 anos, sobe para cerca de 1,2 por 100.000, faixa que coincide com a maturação cardiovascular e com a expressão tardia de doenças que já existiam. Quais são as principais causas? Cardiomiopatia hipertrófica. Anomalias congênitas de coronária. Canalopatias e pré-excitação. Miocardites. Alterações da síndrome de Marfan. Chama atenção que mais da metade dos casos em menores de 18 anos fica sem causa identificada na autópsia. Por isso, o foco da palestra foi a prevenção. Como prevenir? Em duas frentes. A primeira é uma avaliação pré-participação bem feita. A segunda é um ambiente esportivo preparado para a ressuscitação, com RCP de alta qualidade e desfibrilador acessível em até 3 minutos. O consenso de boas práticas da FIFA (2025) recomenda, a partir dos 12 anos, exame clínico detalhado associado ao ECG, repetidos no mínimo a cada 2 anos. Como interpretar o ECG do atleta? A interpretação segue uma matriz por cores. Zona Exemplos Conduta Verde Variantes fisiológicas do treinamento e da idade: bradicardia sinusal acima de 40 bpm, repolarização precoce, T invertida de V1 a V3 abaixo de 16 anos Liberação imediata Amarela Achados limítrofes, como desvio de eixo e bloqueio de ramo direito Avaliação individualizada, correlacionando com clínica e história familiar Vermelha Pré-excitação, QT longo ou curto, ondas Q patológicas, bloqueio de ramo esquerdo, padrão de Brugada Liberação suspensa e investigação obrigatória, com ecocardiograma, teste ergométrico e ressonância conforme o caso Um ECG normal tem alto valor preditivo negativo, mas a suspeita clínica continua soberana. E antes de desqualificar um atleta com ECG "alterado", vale aplicar a matriz considerando idade e etnia: muitas alterações são variantes benignas. Quais sinais de alerta investigar na anamnese? História familiar de morte súbita. Dor torácica. Síncope. Palpitações. Dispneia ou cansaço desproporcional ao esforço. É importante diferenciar síncope de convulsão e reavaliar sempre quem desmaiou no treino, mesmo com ECG prévio normal. A conversa também inclui o uso de estimulantes para TDAH, GH e anabolizantes, e vale considerar a triagem de anemia e hipotireoidismo. O que muda no consultório Faça a anamnese dirigida às bandeiras vermelhas em toda avaliação pré-participação. A partir dos 12 anos, associe exame clínico detalhado e ECG, repetidos no mínimo a cada 2 anos. Interprete o ECG pela matriz de cores, considerando idade e etnia. Reavalie todo atleta que desmaiou no treino, mesmo com ECG prévio normal. Pergunte sobre estimulantes para TDAH, GH e anabolizantes. Confirme se o local de treino tem plano de emergência, com DAE a até 3 minutos e equipe treinada em RCP. Perguntas frequentes Adolescente atleta precisa fazer ECG? O consenso de boas práticas da FIFA (2025) recomenda, a partir dos 12 anos, exame clínico detalhado associado ao ECG, repetidos no mínimo a cada 2 anos. ECG alterado impede o atleta de treinar? Não necessariamente. Na zona verde, as alterações são variantes fisiológicas e a liberação é imediata. Na amarela, a avaliação é individualizada. Só na vermelha a liberação é suspensa até o fim da investigação. Um ECG normal descarta o risco? O ECG normal tem alto valor preditivo negativo, mas a suspeita clínica continua soberana. Quem desmaia no treino deve ser reavaliado, mesmo com ECG prévio normal. O que o local de treino precisa ter? Plano de emergência, desfibrilador acessível em até 3 minutos e equipe treinada em RCP de alta qualidade. Fontes Conferência "Morte súbita em crianças e adolescentes atletas: orientando pediatras sobre novos protocolos", 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 17/10/2026 (programação científica oficial). Leia também: Dor torácica e sopro na criança | 42º CBP, Esporte na infância e adolescência | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Cardiologia no NeoPed HUB.

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