Prevenção cardiovascular começa na infância: o que o pediatra pode fazer desde cedo | 42º CBP Os fatores de risco da infância predizem infarto e AVC na vida adulta. Pressão arterial, perfil lipídico, alimentação, movimento, vapes e estresse tóxico entram na rotina da consulta. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 17 de outubro de 2026. Conferência "Prevenção primordial da doença cardiovascular desde a infância", com Isabela de Carlos Back Giuliano (SC). Presidência: Jorge Yussef Afiune (DF). Em resumo: três coortes internacionais, com mais de 40.000 crianças acompanhadas por 35 anos, mostraram uma relação direta e linear entre os fatores de risco na infância e os eventos cardiovasculares graves na vida adulta. A prevenção começa cedo, com aleitamento materno e a dieta tradicional brasileira, e passa por medir a pressão arterial em toda consulta, pedir o perfil lipídico na primeira década, prescrever movimento e perguntar sobre vapes e estresse tóxico. O risco cardiovascular do adulto começa na infância? Sim. Três grandes coortes internacionais (Finlândia, Estados Unidos e Austrália) acompanharam mais de 40.000 crianças por 35 anos e mostraram uma relação direta e linear entre os fatores de risco na infância e os eventos cardiovasculares graves na vida adulta, como infarto e AVC. Cada aumento de 1 unidade no SCORE-Z, que combina IMC, pressão sistólica, colesterol total, triglicerídeos e tabagismo, elevou em 2,71 vezes a razão de chances de desfechos. Qual é o cenário atual? Indicador Aumento desde 1990 Obesidade 247% Hipertensão 180% Diabetes 150% Além disso, as crianças dormem em média 1h30 a menos. Quando começa a programação metabólica? Antes do que se costuma pensar, e por mais tempo. Ela vai além dos primeiros mil dias e chega a 2.000 a 3.000 dias, influenciada por restrição de crescimento intrauterino, estresse e contaminação ambiental. O aleitamento materno é protetor, com menor prevalência de hipertensão e melhor perfil lipídico e glicêmico mais tarde. Quais fatores modificáveis pesam mais? Alimentação: a dieta tradicional brasileira, com arroz e feijão e alimentos in natura, tem alto potencial cardioprotetor a partir dos 2 anos e é mais acessível que a dieta mediterrânea. Movimento: cerca de 80% dos adolescentes não atingem as metas de atividade física da OMS. Um estudo indiano mostrou que 10 minutos diários de atividade intensa já reduzem estresse e tempo de tela e melhoram sono, pressão arterial e obesidade. Vapes: 17% dos jovens já experimentaram, e o uso eleva em 3,5 vezes o risco de migrar para o tabaco convencional. Os aromatizantes mascaram o dano celular. Experiências adversas na infância: violência, negligência e insegurança alimentar mantêm o eixo do estresse ativado, com inflamação crônica e encurtamento precoce dos telômeros. O que muda no consultório Meça a pressão arterial em toda consulta: cerca de 50% das crianças brasileiras não têm a PA aferida. Solicite o perfil lipídico na primeira década (diretriz nacional: 9 a 11 anos). Proteja o aleitamento e oriente com o Guia Alimentar, priorizando alimentos in natura e evitando ultraprocessados. Prescreva movimento com metas curtas e factíveis, a partir de 10 minutos diários de intensidade moderada a alta. Pergunte sobre vapes e investigue estresse tóxico e experiências traumáticas. Conecte consultório, escola e família: só 50% das orientações dadas na escola chegam aos lares. Perguntas frequentes Quando pedir o perfil lipídico da criança? Na primeira década. A diretriz nacional indica a faixa de 9 a 11 anos. Precisa medir a pressão da criança em toda consulta? Sim. Cerca de 50% das crianças brasileiras não têm a pressão arterial aferida, e a pressão sistólica é um dos componentes do SCORE-Z, associado aos eventos cardiovasculares na vida adulta. Quanto exercício já faz diferença? Um estudo indiano mostrou benefício com 10 minutos diários de atividade intensa, com menos estresse e tempo de tela e melhora de sono, pressão arterial e obesidade. Por que perguntar sobre vapes na consulta? Porque 17% dos jovens já experimentaram, e o uso eleva em 3,5 vezes o risco de migrar para o tabaco convencional. Os aromatizantes ainda mascaram o dano celular. Fontes Conferência "Prevenção primordial da doença cardiovascular desde a infância", 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 17/10/2026 (programação científica oficial). Leia também: Hipertensão arterial na criança com obesidade | 42º CBP, Morte súbita no atleta jovem: ECG e prevenção | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Cardiologia no NeoPed HUB.
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