Palestra sobre probióticos na alergia alimentar no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Probióticos na alergia alimentar | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Probióticos na alergia alimentar: o que a evidência permite | 42º CBP Barreira intestinal, efeitos que dependem da cepa e o que dizem a WAO e o posicionamento ASBAI/SBP de 2025. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Controvérsias em alergia alimentar". Palestra "Os probióticos são úteis no tratamento da alergia alimentar?", com Bruno Acatauassú Paes Barreto (PA). Em resumo: os probióticos podem ajudar a restaurar a barreira intestinal e induzir tolerância, mas os efeitos dependem da cepa, da dose e do contexto clínico, sem efeito de classe. As diretrizes apontam sinais favoráveis na prevenção em grupos de risco, sem recomendação universal. No tratamento, a evidência mais consistente é na alergia à proteína do leite de vaca (APLV), com fórmula extensamente hidrolisada de caseína associada ao Lacticaseibacillus rhamnosus GG (LGG). Por que a barreira intestinal está no centro da alergia alimentar? A alergia alimentar é uma doença de quebra de barreira. Essa barreira é formada por muco, IgA secretora, microbiota diversificada e epitélio com junções firmes (tight junctions). Fatores genéticos (FLG, HLA, IL-13, STAT6), ambientais e epigenéticos convergem sobre a microbiota e a barreira imune. O uso de antibióticos no primeiro ano de vida é o principal fator de risco ambiental. Parto cesárea, ausência de aleitamento materno e dietas ultraprocessadas também pesam. Na disbiose, a perda de diversidade e a baixa ingestão de fibras degradam o muco e rompem as junções firmes, o que aumenta a permeabilidade e a translocação de antígenos. O resultado é a liberação de alarminas (TSLP, IL-33, IL-25), a polarização Th2, a produção de IgE e a supressão dos perfis tolerogênicos de células T reguladoras. O que são prebióticos, probióticos, simbióticos e pós-bióticos? Termo Definição Prebióticos Substratos seletivos para bactérias comensais, como oligossacarídeos e fibras, com benefício ao hospedeiro Probióticos Microrganismos vivos, com cepas identificadas e registradas, que trazem benefício em quantidade adequada Simbióticos Combinação sinérgica de probióticos e prebióticos Pós-bióticos Produtos ou metabólitos bacterianos não viáveis com atividade biológica Cepas probióticas podem produzir ácidos graxos de cadeia curta, reforçar as junções firmes, aumentar mucina e IgA secretora e induzir células T reguladoras. Esses efeitos, porém, dependem estritamente da cepa e da indicação. O que dizem as diretrizes? WAO 2015: recomendação condicional de probióticos para gestantes e lactantes de risco e para lactentes de alto risco, sem protocolo definido de tempo, dose ou janela. Posicionamento ASBAI/SBP 2025: sinais favoráveis na prevenção, sobretudo do eczema atópico, em gestantes, lactantes e recém-nascidos de risco, mas evidência insuficiente para recomendação rotineira universal. Não há recomendação sistemática para prescrever probióticos, prebióticos ou simbióticos a todos. Onde a evidência é mais forte? No tratamento, os benefícios mais consistentes aparecem na APLV com fórmula extensamente hidrolisada de caseína acrescida de LGG. Estudos do grupo italiano de Berni Canani mostram maior aquisição de tolerância oral e menos manifestações atópicas entre 12 e 36 meses. Nos sintomas gastrointestinais, os resultados são inconsistentes. Revisões sistemáticas (Cocco et al., 2025) apontam o LGG como a cepa mais estudada e com mais sinais de benefício, e Bifidobacterium breve e Bifidobacterium lactis (Bb-12) também com resultados favoráveis em desfechos como SCORAD, IgE e citocinas. A grande heterogeneidade dos estudos impede diretrizes definitivas, e os probióticos se posicionam como adjuvantes potenciais. A prevenção parece mais eficaz quando a suplementação acontece na gestação e na infância. E na imunoterapia oral? Combinações de L. rhamnosus com imunoterapia oral para amendoim (modelo PPOIT) mostram manutenção do consumo em 4 anos de seguimento. A contribuição isolada do probiótico, separada da imunoterapia, ainda precisa ser esclarecida. O que muda no consultório Não prescreva probióticos de forma universal para prevenir ou tratar alergia alimentar. Considere o uso na prevenção em indivíduos de risco, introduzido precocemente. Escolha pela cepa específica, dose, veículo e diretrizes vigentes, sem extrapolar o efeito de uma cepa para outra. Na APLV, a associação de fórmula extensamente hidrolisada de caseína com LGG tem a evidência mais consistente. Perguntas frequentes Todo bebê com risco de alergia deve receber probiótico? Não. Há sinais favoráveis em grupos de risco, mas a evidência não sustenta recomendação rotineira universal. Qualquer probiótico serve? Não. Os efeitos dependem da cepa, da dose e da indicação, e não existe efeito de classe. Em que situação a evidência é mais forte? Na APLV, com fórmula extensamente hidrolisada de caseína acrescida de LGG, associada à aceleração da tolerância oral e à melhora do eczema. Fontes Palestra "Os probióticos são úteis no tratamento da alergia alimentar?", Bruno Acatauassú Paes Barreto, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 15/10/2026 (programação científica oficial). World Allergy Organization (WAO). Diretriz sobre probióticos na prevenção de alergia, 2015. Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Posicionamento conjunto, 2025. Cocco et al. Revisões sistemáticas, 2025, e estudos do grupo de Berni Canani, citados na palestra. Leia também: Alergia alimentar e teste de provocação oral | 42º CBP, Alergia alimentar e dermatite atópica | 42º CBP e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia.  

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