Triagem do autismo aos 18 e 24 meses: o que não pode faltar na puericultura | 42º CBP M-CHAT-R/F, marcos na Caderneta da Criança, sinais precoces e cautela contra o sobrediagnóstico do TEA. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 14 de outubro de 2026. Conferência "Além do M-CHAT: vigilância e triagem global do desenvolvimento em autismo", com Liubiana Arantes de Araújo (MG) e Maura Calixto Cecherelli de Rodrigues (RJ). Em resumo: a identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) depende de vigilância contínua do desenvolvimento. A conferência defendeu combinar triagem validada, com o M-CHAT-R/F aos 18 e 24 meses, avaliação clínica criteriosa e cautela contra o sobrediagnóstico, já que a triagem estima risco e não fecha diagnóstico. Quando e como fazer a triagem do TEA? Os marcos do desenvolvimento devem ser registrados na Caderneta da Criança em todas as consultas. Aos 18 meses, usa-se a cartilha de marcos CDC/SBP e o M-CHAT-R/F, que deve ser repetido aos 24 meses. A triagem estima risco e não fecha diagnóstico. A pontuação do M-CHAT-R/F se divide em três faixas: Pontuação Risco 0 a 2 Baixo 3 a 7 Moderado 8 a 20 Alto A entrevista de seguimento eleva a especificidade do instrumento de 84% para 97%. Quais sinais precoces merecem atenção? Atenção compartilhada reduzida, baixa resposta ao nome aos 9 meses, poucos gestos e preferência por objetos estão entre os sinais precoces. A avaliação completa inclui perímetro cefálico, exame neurológico e diagnósticos diferenciais. Por que ter cautela com o sobrediagnóstico? Em reavaliações de longo prazo, até 37% das crianças podem não manter os critérios diagnósticos. Por isso, um checklist isolado não deve sustentar o diagnóstico. Sobre telas, uma coorte publicada no JAMA, com 84 mil díades, associou a exposição precoce a um risco três vezes maior de diagnóstico de TEA. A conferência ressalvou, porém, que telas não causam TEA. O que muda no consultório Aplique o M-CHAT-R/F aos 18 e aos 24 meses. Faça a entrevista de seguimento quando indicada. Registre os marcos na Caderneta da Criança em todas as consultas. Inclua perímetro cefálico, exame neurológico e diagnósticos diferenciais na avaliação. Evite diagnósticos baseados em um checklist isolado. Perguntas frequentes Um M-CHAT-R/F alterado fecha o diagnóstico de autismo? Não. A triagem estima risco. O diagnóstico depende de avaliação clínica completa, e a entrevista de seguimento aumenta a especificidade do instrumento. Em que idades aplicar o M-CHAT-R/F? Aos 18 meses, junto com a cartilha de marcos CDC/SBP, e novamente aos 24 meses. Telas causam autismo? Não. Uma coorte publicada no JAMA associou a exposição precoce a telas a risco maior de diagnóstico, mas a conferência ressalvou que telas não causam TEA. Fontes Conferência "Além do M-CHAT: vigilância e triagem global do desenvolvimento em autismo", Liubiana Arantes de Araújo, 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 14/10/2026 (programação científica oficial). Coorte publicada no JAMA sobre exposição precoce a telas e diagnóstico de TEA (84 mil díades), citada na conferência. Leia também: 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: aulas sobre autismo no NeoPed HUB.
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