Reanimação pediátrica: o que mudou nas diretrizes da AHA 2025 | 42º CBP Da ventilação à regra dos normos no pós-PCR: compressões, técnica em lactentes, desfibrilação, adrenalina e o que deixou de ser rotina. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 17 de outubro de 2026. Conferência "Atualização em reanimação cardiorrespiratória: diretrizes American Heart Association 2025", com Helena Muller (RS). Presidência: Marco Antonio Valadares Oliveira (SE). Em resumo: a maioria das paradas em crianças nasce de insuficiência respiratória ou choque, e não de arritmias. Por isso, a ventilação e o reconhecimento precoce do paciente grave são centrais. As diretrizes da AHA 2025 abandonam a técnica de dois dedos em lactentes, mantêm 100 a 120 compressões por minuto e reforçam que atropina, bicarbonato e cálcio não são rotina na parada. No pós-PCR, vale a regra dos normos. Por que a parada pediátrica é diferente? Porque raramente começa no coração. Apenas cerca de 15% são arritmias ventriculares súbitas, e a maioria nasce de insuficiência respiratória ou choque descompensado. Por isso, a ventilação é crítica e a identificação precoce do paciente grave, com times de resposta rápida, faz parte da nova cadeia de sobrevivência unificada. O que define uma RCP de alta qualidade? Parâmetro Recomendação Frequência 100 a 120 compressões por minuto Profundidade 4 cm em lactentes e 5 cm em crianças maiores Retorno do tórax Completo Interrupções No máximo 10 segundos Troca de socorrista A cada 2 minutos Compressão e ventilação 30:2 com um socorrista e 15:2 com dois, até a puberdade Técnica em lactentes Dois polegares envolvendo o tórax ou uma mão. A técnica de dois dedos foi abandonada Como estão os resultados? A sobrevida intra-hospitalar nos EUA estagnou em cerca de 44%. E 85% dos sobreviventes com desfecho neurológico favorável têm déficit neuropsicológico após 1 ano, o que coloca a reabilitação e o apoio à família dentro do cuidado. O que muda no suporte avançado? Desfibrilação: começa com 2 J/kg, depois 4 J/kg, com aumentos até 10 J/kg ou a carga de adulto. Adrenalina: 0,01 mg/kg. Entra após o 2º choque nos ritmos chocáveis e é prioridade precoce na assistolia e na AESP, a cada 3 a 5 minutos, por via IV ou intraóssea, nunca endotraqueal. Atropina: não é droga de parada. Bicarbonato e cálcio: não têm benefício rotineiro (Classe 3) e ficam reservados a causas específicas, como hipercalemia e intoxicações. Via aérea avançada: compressões contínuas e ventilações assincrônicas, 30 por minuto em lactentes e 20 a 25 em crianças maiores. O que é a regra dos normos no pós-PCR? Meta Alvo Normotermia 36,0 a 37,5 °C Normotensão PAS e PAM acima do percentil 10 Normoxemia SpO₂ de 94 a 99% Normocapnia PaCO₂ dentro da faixa normal A monitorização inclui EEG contínuo nas primeiras 24 a 72 horas. Na prática, isso significa tratar a febre ativamente e evitar a hiperóxia. E no engasgo do lactente? Em menores de 1 ano, a manobra é com golpes nas costas e compressões torácicas, nunca compressões abdominais. O que muda no consultório e no plantão Reconheça cedo a insuficiência respiratória e o choque: é onde se evita a parada. Comprima forte e rápido (110 por minuto, com metrônomo) e ventile bem, com o mínimo de interrupções. Em lactentes, use os dois polegares envolvendo o tórax. No engasgo de menores de 1 ano, faça golpes nas costas e compressões torácicas, nunca abdominais. Use adrenalina precoce a 0,01 mg/kg e evite atropina, bicarbonato e cálcio de rotina. No pós-PCR, trate febre ativamente, evite hiperóxia e encaminhe para reabilitação e apoio à família. Treine com simulação realística e faça debriefing após cada atendimento. Perguntas frequentes A técnica de dois dedos ainda vale para lactentes? Não. Ela foi abandonada em favor dos dois polegares envolvendo o tórax ou de uma mão. Qual a relação entre compressões e ventilações na criança? 30:2 com um socorrista e 15:2 com dois, até a puberdade. Com via aérea avançada, as compressões são contínuas e as ventilações, assincrônicas. Quando dar adrenalina na parada pediátrica? Nos ritmos chocáveis, após o 2º choque. Na assistolia e na AESP, o mais cedo possível. A dose é de 0,01 mg/kg, a cada 3 a 5 minutos, por via IV ou intraóssea, nunca endotraqueal. Bicarbonato e cálcio ainda são usados? Não de rotina. Eles não têm benefício rotineiro (Classe 3) e ficam reservados a causas específicas, como hipercalemia e intoxicações. Fontes Conferência "Atualização em reanimação cardiorrespiratória: diretrizes American Heart Association 2025", 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, Belo Horizonte, 17/10/2026 (programação científica oficial). Leia também: Morte súbita no atleta jovem: ECG e prevenção | 42º CBP, Destaques do 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas e 42º Congresso Brasileiro de Pediatria: acompanhe os destaques dia a dia. No acervo: Pediatria no NeoPed HUB.
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