Palestra sobre tratamento da apneia do sono na criança no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria

Tratamento da apneia do sono na criança | 42º CBP

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Tratamento da apneia do sono na criança: da perda de peso à cirurgia | 42º CBP A relação com a obesidade, o lugar do corticoide nasal, do montelucaste e do CPAP, e por que a adenotonsilectomia nem sempre resolve. Por Dra. Gabriela Paladino (CRM 521311174), Dra. Carolina Paixão (CRM 521217984) e equipe NeoPed HUB Cobertura do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte, em 15 de outubro de 2026. Mesa-redonda "Como os distúrbios respiratórios do sono afetam o desenvolvimento infantil". Palestra "Tratamento da apneia do sono na criança", com Silvana Maria Viana Coelho (CE). Em resumo: a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) atinge cerca de 1% a 5% das crianças, mas pode chegar a 30% a 40% entre as que têm obesidade. A adenotonsilectomia continua sendo a primeira opção cirúrgica quando há hipertrofia adenotonsilar, mas a doença persiste em 25% a 50% dos casos. Perda de peso, corticoide nasal, montelucaste, CPAP e ortodontia têm papéis complementares, e o tratamento deve ser individualizado e acompanhado ao longo do tempo. Qual é a relação entre obesidade e apneia? A relação é de mão dupla. O excesso de tecido adiposo, sobretudo na região cervical e ao redor da faringe, estreita a via aérea e favorece o colapso durante o sono. Alterações inflamatórias e da mecânica respiratória também contribuem. No sentido inverso, a SAOS piora a qualidade do sono e favorece alterações metabólicas e de comportamento que dificultam o controle do peso. Por isso, crianças com obesidade e ronco habitual, pausas respiratórias ou sono agitado devem ser investigadas. O IMC deve ser interpretado por idade e sexo, e o escore-z ajuda a acompanhar a evolução. Como reconhecer a SAOS? O ronco habitual é o principal sinal de alerta. Também chamam atenção pausas respiratórias, respiração laboriosa, sono fragmentado e agitado, cefaleia matinal, enurese, sonolência diurna e dificuldades de atenção, aprendizagem ou comportamento. A hipertrofia de tonsilas e adenoide é o principal fator anatômico, mas a avaliação deve incluir obesidade, rinite alérgica, obstrução nasal, alterações craniofaciais, síndromes genéticas e doenças neuromusculares. A polissonografia é o exame de referência para o diagnóstico e a classificação da gravidade. Em serviços que acompanham crianças com obesidade, a doença pode passar despercebida quando os sintomas diurnos são atribuídos só ao comportamento. A perda de peso funciona? O controle do peso é parte importante do tratamento nas crianças com sobrepeso ou obesidade, e pode reduzir os eventos obstrutivos e melhorar a oxigenação. Em um estudo de Verhulst et al. (2009), 62% de 31 adolescentes com obesidade e SAOS normalizaram o IAH após perder cerca de 24 kg em um programa domiciliar. Kalra et al. (2005) mostraram melhora expressiva do IAH em dez adolescentes submetidos à cirurgia bariátrica. São amostras pequenas, e a perda de peso não deve ser indicada isoladamente nem substituir outras intervenções. O cuidado deve ser multiprofissional, adequado à fase de crescimento e focado em hábitos sustentáveis, com a atividade física como aliada. Quando usar corticoide nasal e montelucaste? O tratamento medicamentoso pode ser considerado em casos selecionados, sobretudo nos leves e quando há componente inflamatório ou obstrução nasal. Corticoides intranasais: reduzem a inflamação da mucosa e do tecido adenoideano. Kheirandish-Gozal e Gozal (2008) observaram melhora do IAH e da saturação com budesonida intranasal na SAOS leve, e Esteitie et al. (2011) relataram melhora do IAH obstrutivo, da dessaturação e dos despertares com fluticasona. O benefício não vale para todos os fenótipos, e a resposta precisa ser reavaliada. Montelucaste: os leucotrienos estão presentes no tecido adenotonsilar de crianças com SAOS, e o montelucaste foi associado à redução da gravidade em estudos pediátricos. A associação com corticoide nasal é uma alternativa para alguns pacientes. É preciso considerar os alertas de segurança sobre efeitos neuropsiquiátricos e discutir riscos e benefícios com a família. O tratamento clínico não deve atrasar uma intervenção necessária em crianças com doença importante. E o CPAP e a ortodontia? A pressão positiva nas vias aéreas, incluindo o CPAP, é uma alternativa quando há contraindicação cirúrgica, pouco tecido adenotonsilar ou SAOS persistente após a cirurgia. A eficácia depende do equipamento, da adaptação à máscara, da adesão e do acompanhamento especializado. Cavidade nasal estreita, palato ogival, atresia maxilar e mordida cruzada posterior podem contribuir para a obstrução. Nesses casos, aparelhos ortodônticos ou ortopédicos funcionais podem ajudar, de preferência com avaliação conjunta de pediatria, otorrinolaringologia e ortodontia, sem substituir os tratamentos estabelecidos. A adenotonsilectomia resolve? A adenotonsilectomia é a primeira opção cirúrgica quando há hipertrofia adenotonsilar. Reduz o IAH e melhora sintomas cardiovasculares, atenção, hiperatividade, agressividade e agitação. A palestra apresentou uma eficácia estimada de 83%, que depende da população e da definição de sucesso. Mesmo assim, a SAOS persiste em cerca de 25% a 50% dos pacientes. Os fatores associados à apneia residual são: Obesidade. IAH elevado antes da cirurgia. Síndromes genéticas. Asma e rinite alérgica. Idade acima de 7 anos. Obstrução nasal ou outras alterações anatômicas. Ronco, pausas, sono agitado ou sintomas diurnos depois da cirurgia pedem nova avaliação, e nos pacientes de alto risco pode ser preciso repetir a polissonografia. E as outras cirurgias? Desvio de septo e hipertrofia de conchas nasais podem contribuir para o insucesso. A septoplastia em crianças pequenas exige cautela, pelo risco de interferir no desenvolvimento facial. Uvulopalatofaringoplastia, cirurgias craniofaciais e traqueostomia ficam reservadas a situações específicas, e a evidência para uvulopalatofaringoplastia em crianças é limitada. O que muda no consultório Investigue SAOS em toda criança com obesidade que ronca ou tem pausas respiratórias. Inclua o controle do peso no plano, com cuidado multiprofissional. Considere corticoide nasal ou montelucaste nos casos leves selecionados, discutindo os alertas de segurança do montelucaste. Indique adenotonsilectomia quando houver hipertrofia adenotonsilar, avaliando os riscos perioperatórios. Acompanhe depois da cirurgia, sobretudo os pacientes com fatores de risco para apneia residual. Perguntas frequentes A adenotonsilectomia cura a apneia? Nem sempre. A doença persiste em cerca de 25% a 50% dos pacientes, principalmente com obesidade, IAH elevado, síndromes, asma, rinite e idade acima de 7 anos. Emagrecer melhora a apneia? Pode melhorar. Em um estudo, 62% dos

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