Clampeamento tardio do cordão umbilical com oxigênio elevado em prematuros extremos: ensaio clínico randomizado O clampeamento tardio do cordão umbilical em prematuros tem sido associado a melhores desfechos hemodinâmicos e hematológicos, mas também existem controvérsias sobre o impacto da concentração de oxigênio administrada durante o período de espera antes do clampeamento. Este estudo avaliou se a administração de oxigênio a 100% (FiO₂ 1,0) durante o clampeamento tardio do cordão melhora a saturação de oxigênio cerebral e os desfechos clínicos em recém-nascidos com menos de 28 semanas de gestação. Métodos utilizados Ensaio clínico randomizado multicêntrico, incluindo 120 prematuros extremos com idade gestacional de 23 a 27 semanas e 6 dias. Os participantes alocaram-se em dois grupos: Grupo intervenção: clampeamento tardio com suporte ventilatório e FiO₂ de 100% Grupo controle: clampeamento tardio com FiO₂ iniciada em 30%, assim ajustada conforme protocolo O tempo de clampeamento foi padronizado em 60 segundos. A oxigenação cerebral foi monitorada por espectroscopia de infravermelho próximo (NIRS). Desfechos avaliados incluíram saturação cerebral média nos primeiros 5 minutos, mortalidade, hemorragia intraventricular, e displasia broncopulmonar. Resultados Não houve diferença significativa na saturação cerebral entre os grupos nos primeiros 5 minutos. A saturação periférica (SpO₂) foi maior no grupo de FiO₂ 100% nos primeiros 3 minutos. A frequência cardíaca e os níveis de dióxido de carbono cerebral também foram semelhantes. Não houve diferença nos desfechos clínicos principais: mortalidade, hemorragia intraventricular ou displasia broncopulmonar. Maior número de recém-nascidos no grupo de FiO₂ 100% atingiu SpO₂ > 80% aos 5 minutos. Discussão Apesar da maior oxigenação periférica precoce, o uso de FiO₂ a 100% durante o clampeamento tardio do cordão não resultou em aumento da oxigenação cerebral, sugerindo limitação do benefício direto ao sistema nervoso central. Os dados reforçam que o suporte com oxigênio deve ser ajustado conforme resposta clínica individual. O estudo contribui para a otimização das estratégias de transição neonatal em prematuros extremos, especialmente na interface entre ventilação, tempo de clampeamento e proteção neurológica. Conclusão A administração de FiO₂ a 100% durante o clampeamento tardio do cordão não aumentou a oxigenação cerebral em prematuros extremos, embora tenha melhorado a saturação periférica precoce. Os achados não sustentam o uso rotineiro de oxigênio elevado nesse contexto, reforçando a importância da individualização da reanimação neonatal. Insights clínicos (perguntas e respostas) Qual foi a hipótese testada pelo estudo? Que a administração de FiO₂ 100% durante o clampeamento tardio aumentaria a oxigenação cerebral em prematuros extremos. O que o estudo demonstrou em relação à oxigenação cerebral? Não houve aumento significativo da saturação cerebral com FiO₂ 100%. Houve impacto nos desfechos clínicos (como HIC ou DBP)? Não. Os desfechos clínicos foram semelhantes entre os grupos. Qual o principal benefício observado com FiO₂ 100%? Aumento da SpO₂ periférica nos primeiros minutos de vida. Qual a recomendação prática a partir deste estudo? Evitar o uso rotineiro de FiO₂ 100% durante o pinçamento tardio, preferindo ajuste conforme a resposta clínica. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


