Colonização materna por Enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL) e transmissão vertical durante o parto prematuro

Fonte: The Pediatric Infectious Disease Journal

Colonização materna por Enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL) e transmissão vertical durante o parto prematuro Sobre o artigo A sepse neonatal precoce permanece uma das principais causas de morbidade e mortalidade em recém-nascidos prematuros. A crescente disseminação de Enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL-E) representa um desafio terapêutico importante, pois os esquemas empíricos convencionais utilizados na sepse neonatal precoce frequentemente não apresentam atividade contra esses microrganismos. O objetivo do estudo foi determinar a prevalência da colonização materna por ESBL-E em gestantes com trabalho de parto prematuro ou ruptura prematura pré-termo de membranas, identificar fatores de risco associados, avaliar a taxa de transmissão vertical e analisar os desfechos neonatais relacionados. Métodos utilizados Estudo de coorte prospectivo realizado entre outubro de 2023 e novembro de 2024 em Bangkok, Tailândia. Foram incluídas gestantes com idade ≥18 anos, idade gestacional inferior a 37 semanas, admitidas por trabalho de parto prematuro ou ruptura prematura pré-termo de membranas. As participantes foram submetidas à coleta de swab vaginal para pesquisa de ESBL-E na admissão, com repetição da coleta quando a internação ultrapassava 72 horas. Os recém-nascidos realizaram culturas de superfície em axila e conduto auditivo nas primeiras 24 horas de vida. Foram avaliados fatores maternos de risco, taxas de transmissão vertical e desfechos neonatais, utilizando análises estatísticas univariadas, com significância estabelecida em p<0,05. Resultados Foram analisados 155 partos prematuros. A prevalência de colonização vaginal materna por ESBL-E foi de 6,4% (10/155). A taxa de transmissão vertical observada foi de 20% (2/10). Os fatores associados à colonização materna foram: Presença prévia de cerclagem cervical ou pessário (20% versus 2,1%; p=0,03); História prévia de colonização por Streptococcus do grupo B (40% versus 11%; p=0,03). Entre as mães colonizadas observou-se: Idade gestacional ao parto significativamente menor; Maior frequência de cesarianas; Recém-nascidos com menor peso ao nascer; Permanência hospitalar mais prolongada. Houve dois episódios de sepse comprovada. Um recém-nascido exposto a mãe colonizada por Escherichia coli ESBL desenvolveu bacteremia por ESBL e recebeu tratamento com meropenem por 21 dias, evoluindo favoravelmente. Discussão A prevalência de colonização materna encontrada foi semelhante à relatada em estudos japoneses, porém inferior às taxas descritas em Israel e Nigéria. A associação entre procedimentos cervicais e colonização por ESBL-E sugere possível alteração da microbiota vaginal favorecendo a persistência de bactérias resistentes. A taxa de transmissão vertical de 20% esteve dentro da faixa previamente descrita na literatura. Os autores sugerem que a elevada proporção de cesarianas entre mães colonizadas possa ter contribuído para reduzir a transmissão materno-fetal. Embora não tenha sido demonstrado aumento significativo de sepse neonatal, admissão em unidade intensiva ou baixos escores de Apgar, a ocorrência de um caso de sepse por E. coli ESBL reforça a preocupação com a inadequação potencial dos esquemas empíricos tradicionais baseados em ampicilina e gentamicina. Os autores defendem estratégias direcionadas de rastreamento em gestantes prematuras com fatores de risco e a consideração de esquemas antimicrobianos mais amplos para recém-nascidos selecionados. Conclusão A colonização materna por ESBL-E em partos prematuros esteve associada a menor idade gestacional ao nascimento, menor peso ao nascer, maior tempo de internação neonatal e risco mensurável de transmissão vertical. Gestantes com história de cerclagem, pessário cervical ou colonização prévia por Streptococcus do grupo B podem representar um grupo de maior risco para colonização por ESBL-E. A implementação de estratégias de triagem direcionada e a revisão dos protocolos de antibioticoterapia empírica em prematuros de alto risco podem contribuir para melhorar os desfechos neonatais e otimizar programas de stewardship antimicrobiano. Insights clínicos Qual a prevalência de colonização materna por ESBL-E em gestantes com parto prematuro? A prevalência encontrada foi de 6,4% entre 155 partos prematuros avaliados. Quais fatores maternos aumentaram o risco de colonização por ESBL-E? Cerclagem ou pessário cervical e história prévia de colonização por Streptococcus do grupo B foram associados ao maior risco. Qual foi a taxa de transmissão vertical observada? A transmissão materno-neonatal ocorreu em 20% dos casos de mães colonizadas. A colonização materna impactou os desfechos neonatais? Sim. Os recém-nascidos apresentaram menor peso ao nascer, maior prematuridade e internações mais prolongadas. O estudo sugere mudanças na prática clínica? Os autores recomendam considerar rastreamento direcionado para ESBL-E em gestantes prematuras de alto risco e avaliar ampliação da cobertura antimicrobiana empírica em prematuros selecionados. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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