Comparação entre a Prática Clínica e o Risco Calculado: Estudo Retrospectivo sobre Sepse Neonatal Precoce em Hospital de Nível I Sobre o artigo A sepse neonatal precoce (SNP), definida como infecção nos primeiros três dias de vida, é uma causa relevante de morbidade e mortalidade neonatal. A maioria dos casos é atribuída a Streptococcus agalactiae (GBS) e Escherichia coli. Apesar da implementação de medidas profiláticas como triagem materna para GBS e antibioticoterapia intraparto, a SNP ainda ocorre em taxas estáveis nos países desenvolvidos (~0,7–0,8/1000 nascidos vivos). Este estudo investigou a aplicabilidade da calculadora de risco para sepse neonatal precoce do Kaiser Permanente (KPNS) em um hospital de nível I, avaliando se sua adoção poderia otimizar o manejo de recém-nascidos com risco de infecção vertical. Métodos Utilizados Estudo retrospectivo realizado entre 2017 e 2022 em um hospital público de nível I na Catalunha (Espanha), envolvendo 4782 nascidos vivos com idade gestacional ≥35 semanas. A identificação de recém-nascidos com risco elevado foi feita por meio de códigos da CID-9 e solicitação de hemoculturas nas primeiras 72 horas de vida. Os dados clínicos e laboratoriais foram comparados com as recomendações geradas pela calculadora KPNS. Casos confirmados foram definidos por sintomas clínicos e confirmação microbiológica. Custos hospitalares foram analisados segundo a metodologia da Red Española de Costes Hospitalarios (RECH). Resultados Entre os 4782 nascidos vivos, 1533 (32,1%) foram classificados como de alto risco. A taxa de incidência de SNP confirmada foi de 0,84/1000 nascidos vivos. Apenas 4 casos foram microbiologicamente confirmados e 34 classificados como sepses prováveis. A calculadora recomendou observação de rotina para 2 dos 4 casos confirmados. Após ajustes nas recomendações (com base em risco ≥1/1000 para iniciar antibiótico), houve melhora na identificação dos casos, sem aumento significativo de intervenções desnecessárias. A adesão à conduta baseada na calculadora resultou em menor tempo de internação (2,5 vs. 2,9 dias) e menor custo médio (884,1€ vs. 1075,1€). Aproximadamente 52% dos manejos clínicos foram considerados mais invasivos do que o necessário. Discussão A calculadora KPNS demonstrou ser eficaz, mas apresentou limitações ao classificar erroneamente casos com sinais clínicos sugestivos como de baixo risco. A modificação local da ferramenta se mostrou mais adequada à realidade de um hospital de nível I, com menor complexidade e ausência de UTI neonatal. Comparações com centros europeus confirmaram que o uso da calculadora pode reduzir exames e antibióticos, sem aumento de reinternações. A avaliação laboratorial com leucograma e PCR não se mostrou confiável nas primeiras 24 horas. As limitações incluem o desenho retrospectivo, unicentricidade e ausência de grupo controle. Conclusão A calculadora de risco de sepse neonatal do Kaiser Permanente, com ajustes baseados na realidade institucional, demonstrou potencial para reduzir intervenções desnecessárias e otimizar o manejo clínico em recém-nascidos com risco de SNP. Estudos multicêntricos e prospectivos são necessários para validar e padronizar sua aplicação em diferentes contextos. Insights clínicos Qual a incidência de sepse neonatal precoce confirmada neste estudo? 0,84 casos por 1000 nascidos vivos. A calculadora Kaiser foi eficaz para todos os casos? Não. Recomendou apenas observação para 2 dos 4 casos confirmados. Como foi ajustada a ferramenta no contexto local? Se risco ≥1/1000, indicava antibiótico empírico; se ≤1/1000 e com sinais clínicos, indicava coleta de hemocultura. Quais os impactos do uso da calculadora modificada? Redução de exames e antibióticos desnecessários, menor tempo de internação e custo hospitalar mais baixo. Houve perda de casos ou reinternações após o uso da ferramenta? Não foram observadas reinternações ou casos perdidos durante o período do estudo. Quais parâmetros laboratoriais foram analisados? Hemograma e proteína C reativa (PCR), que se mostraram pouco confiáveis nas primeiras 24h. Qual o principal fator clínico associado à sepse? Apgar baixo, ruptura artificial de membranas e febre materna. A triagem de GBS foi eficaz? Houve casos de doença neonatal por GBS mesmo em mães com cultura negativa, sugerindo limitações da triagem convencional. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


