Aplicações da Inteligência Artificial na prática obstétrica e ginecológica

Fonte: JMIR Publications

Contribuições da Inteligência Artificial em Revistas de Obstetrícia e Ginecologia: Revisão Sistemática Sobre o artigo Este estudo apresenta uma revisão sistemática sobre as contribuições efetivas da inteligência artificial (IA) relatadas em revistas científicas da área de Obstetrícia e Ginecologia (OB/GYN). A análise incluiu tanto abordagens simbólicas (baseadas em conhecimento e ontologias) quanto não simbólicas (aprendizado de máquina e redes neurais). O objetivo foi mapear os tipos de IA utilizados, seus domínios de aplicação, fontes de dados e nível de validação clínica. Métodos utilizados Foi realizada uma busca sistemática na base PubMed entre janeiro de 2000 e abril de 2020 utilizando os descritores MeSH “inteligência artificial” combinados com “obstetrícia”, “ginecologia”, “técnicas reprodutivas assistidas” e “gravidez”. Foram incluídas apenas publicações de periódicos classificados como pertencentes ao núcleo da OB/GYN, conforme critérios do Web of Science. Estudos sem uso prático de IA ou de natureza editorial/comentário foram excluídos. A análise qualitativa envolveu a categorização dos artigos por subdomínio clínico, método e algoritmo de IA, tipo de dados utilizados, contribuição da IA e validação do processo. Resultados Dos 579 artigos inicialmente identificados, 66 preencheram os critérios de inclusão. Os domínios cobertos foram: Obstetrícia (41%)  Medicina reprodutiva assistida (33%)  Medicina fetal (21%)  Ginecologia (3%)  Gravidez precoce (2%)  Os métodos mais frequentes foram: Aprendizado de máquina (ML): 59%  Base de conhecimento/ontologias: 38%  As principais contribuições da IA foram: Desenvolvimento de métodos/algoritmos (53%)  Geração de hipóteses (42%)  Desenvolvimento de software (3%)  A validação clínica foi limitada: 86% dos estudos usaram apenas um conjunto de dados, e nenhum apresentou validação externa. Observou-se um crescimento progressivo das publicações, porém 82% delas ocorreram fora dos periódicos centrais de OB/GYN. Discussão Apesar do aumento de publicações em IA na área, a maioria permanece restrita a estudos conceituais, sem validação clínica robusta. A preferência por publicar em periódicos de ciência da computação ou bioinformática reflete o estágio inicial das pesquisas e a ausência de aplicabilidade clínica imediata. As técnicas de IA utilizadas são aplicadas de forma isolada a diferentes tipos de dados (imagens, omicas, dados clínicos), sendo raros os estudos que integram múltiplas fontes. A ausência de validação externa e a dificuldade de interpretação dos modelos não explicáveis, como redes neurais profundas, são barreiras para adoção clínica. Além disso, os guias de publicação existentes cobrem apenas IA não simbólica, deixando de fora uma parte relevante dos estudos. Conclusão Até 2020, as contribuições de IA na área de OB/GYN foram majoritariamente preliminares e com baixa validação clínica, sendo a maioria publicada fora dos periódicos da área. A implementação de diretrizes específicas para publicação de estudos com IA, bem como o aperfeiçoamento da indexação MeSH, são medidas esperadas para elevar a qualidade e a aplicabilidade das futuras pesquisas, especialmente para abordagens simbólicas de IA. Insights clínicos  Em quais áreas da obstetrícia e ginecologia a IA tem sido mais aplicada? As principais áreas são obstetrícia (41%), reprodução assistida (33%) e medicina fetal (21%). Quais tipos de inteligência artificial foram mais utilizados? O aprendizado de máquina (principalmente redes neurais artificiais) foi o método mais comum (59%), seguido por abordagens baseadas em conhecimento e ontologias (38%). As soluções baseadas em IA foram clinicamente validadas? Não. A maioria dos estudos utilizou apenas um conjunto de dados, sem validação externa clínica. Quais foram os principais usos clínicos da IA identificados na revisão? Desenvolvimento de algoritmos de predição (implantação embrionária, parto prematuro, peso fetal, complicações pós-parto) e geração de hipóteses fisiopatológicas (pré-eclâmpsia, crescimento fetal). O que impede a adoção clínica ampla dessas tecnologias? Baixa validação externa, falta de transparência em modelos não explicáveis e ausência de padronização nas diretrizes de publicação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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