Hérnia Diafragmática Congênita – Estratégias de Manejo Pré-operatório

Fonte: Journal of Perinatology

Desfechos clínicos após implementação de estratégia fisiológica de manejo pré-operatório em neonatos com hérnia diafragmática congênita Sobre o artigo  A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma condição complexa caracterizada por hipoplasia pulmonar, hipertensão pulmonar persistente e disfunção biventricular. O manejo perinatal é desafiador, especialmente durante a transição fetal-neonatal. Estratégias ventilatórias convencionais com pressões elevadas e uso de óxido nítrico inalatório (iNO) não demonstraram redução significativa na mortalidade ou necessidade de suporte com oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO/ECLS). Este estudo avalia o impacto da implementação de diretrizes baseadas em princípios fisiológicos para a transição neonatal na redução de intervenções agressivas e melhora dos desfechos clínicos imediatos. Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectivo, realizado em centro único de referência com UTI neonatal nível IV. Foram comparados dois grupos de neonatos com HDC: Época 1 (pré-intervenção): 48 pacientes (2016–2022), manejo convencional com ventilação sincronizada ou oscilatória de alta frequência (HFOV).  Época 2 (pós-intervenção): 13 pacientes (2022–2024), abordagem com ventilação gentil, suporte inotrópico precoce, uso criterioso de iNO e valores pré-ductais como referência.  Critérios de exclusão incluíram infecção congênita, aneuploidias maiores, diagnóstico pós-natal de HDC ou eventração. O desfecho primário foi a necessidade de ECLS. Desfechos secundários incluíram uso de iNO, tempo de ventilação mecânica, mortalidade e outros indicadores respiratórios e hemodinâmicos. Resultados A implementação das novas diretrizes foi associada a melhora significativa dos desfechos: ECLS: redução de 50% para 8% (p=0.009)  Uso de iNO: redução de 85% para 23% (p<0.001)  Ventilação mecânica: tempo mediano caiu de 24 para 8 dias (p=0.001)  Extubação bem-sucedida: aumentou de 67% para 92%  Tempo até reparo cirúrgico: reduziu de 4 para 2 dias (p=0.007)  Número de vasodilatadores pulmonares por paciente: reduziu de 3 para 0 (p<0.001)  Mortalidade: reduziu de 29% para 8% (não significativo, p=0.16)  Discussão A estratégia fisiológica de ventilação gentil, suporte inotrópico precoce e uso racional de iNO mostrou impacto favorável nos desfechos neonatais. O uso precoce de PGE1 auxiliou na manutenção da circulação fetal durante o período crítico da transição. O estudo reforça a importância do conhecimento fisiológico na otimização do manejo pré-operatório de neonatos com HDC, com destaque para a redução de ECLS e menor agressividade ventilatória sem comprometer a oxigenação. Conclusão A adoção de diretrizes baseadas na fisiologia da transição neonatal foi associada à redução significativa na necessidade de ECLS, menor uso de iNO e menor tempo de ventilação mecânica em neonatos com HDC. Os achados sustentam a implementação de estratégias individualizadas e fisiológicas como padrão de cuidado em centros terciários. Insights clínicos A estratégia fisiológica reduziu a necessidade de ECMO? Sim. Houve uma redução significativa de 84% na taxa de canulação para ECMO após a implementação das diretrizes fisiológicas. O uso de iNO foi impactado pelas novas diretrizes? Sim. O uso caiu de 85% para 23%, indicando menor dependência de vasodilatadores pulmonares com a abordagem baseada em fisiologia. A ventilação mecânica foi menos agressiva na nova estratégia? Sim. O tempo de ventilação foi significativamente menor (mediana de 8 dias), com ventilação assistida por volume garantido e PEEP inicial de 4 cmH2O. Houve diferença na mortalidade? A mortalidade reduziu de 29% para 8%, embora sem significância estatística, sugerindo uma tendência favorável. As novas diretrizes são aplicáveis a prematuros com HDC? Sim. Todos os prematuros do grupo com nova diretriz sobreviveram, com tempo de internação mais curto e menor suporte respiratório ao final da internação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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