Displasia ectodérmica hipohidrótica (HED) e alterações dentárias Sobre o artigo Este relato de caso descreve um lactente de 13 meses encaminhado para avaliação de dentição anormal. Aos 12 meses, surgiram incisivos centrais superiores com morfologia cônica. Não havia outros sinais aparentes de displasia ectodérmica, como alterações capilares marcantes, infecções recorrentes ou intolerância térmica evidente. A displasia ectodérmica hipohidrótica (HED) é uma condição genética caracterizada por anomalias em estruturas derivadas do ectoderma: dentes, cabelos, glândulas sudoríparas e unhas. Reconhecer manifestações orodentais precoces é fundamental para o diagnóstico precoce da HED. Métodos utilizados A avaliação clínica incluiu exame físico detalhado e histórico familiar. Exames laboratoriais foram realizados e resultaram normais. A suspeita clínica de HED foi investigada com testes genéticos. Inicialmente foram excluídas variantes patogênicas nos genes IKBKG, NFKBIA, IKBKB e ORAI1. A confirmação diagnóstica veio por meio da identificação de uma mutação patogênica no gene EDA, associada à forma clássica de HED. Resultados O exame físico evidenciou incisivos centrais cônicos e relato materno de sudorese reduzida, embora sem manifestações cutâneas ou infecciosas relevantes. A análise genética confirmou o diagnóstico de displasia ectodérmica hipohidrótica por mutação no gene EDA. A criança foi encaminhada para seguimento multidisciplinar com foco em reabilitação odontológica, orientação dermatológica, acompanhamento oftalmológico e aconselhamento genético. Foram fornecidas orientações preventivas sobre exposição ao calor e hidratação. Discussão A HED é frequentemente subdiagnosticada na infância devido à sutileza das manifestações extracutâneas iniciais. Alterações dentárias como incisivos cônicos podem ser os primeiros sinais clínicos visíveis e devem alertar pediatras e dentistas para investigação genética. O diagnóstico precoce permite intervenções preventivas e orientação familiar antes da manifestação de complicações como intolerância ao calor. Este caso reforça a importância do exame físico minucioso e do reconhecimento de pistas clínicas sutis na primeira infância. Conclusão Incisivos cônicos podem ser a manifestação inicial da displasia ectodérmica hipohidrótica. O reconhecimento precoce por pediatras e odontopediatras é essencial para o diagnóstico e manejo adequado, prevenindo complicações futuras e permitindo acompanhamento multidisciplinar precoce. Insights clínicos Quais os primeiros sinais clínicos da HED em crianças? Incisivos cônicos são frequentemente a manifestação inicial mais evidente. Outros sinais como hipotricose e hipohidrose podem estar presentes, mas nem sempre são perceptíveis precocemente. Qual a importância do reconhecimento precoce da HED? Permite orientação preventiva contra hipertermia, início precoce da reabilitação odontológica e aconselhamento genético familiar. Que profissionais devem estar envolvidos no seguimento de crianças com HED? Odontopediatra, dermatologista, geneticista, oftalmologista e pediatra geral, formando uma abordagem multidisciplinar. Como é feito o diagnóstico definitivo? Por testes genéticos, com identificação de mutações em genes associados à HED, como o EDA. Qual a conduta após o diagnóstico? Encaminhamento para acompanhamento multidisciplinar, orientações sobre cuidados com calor e reabilitação odontológica personalizada. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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