Exposição a antibióticos e epidemiologia de infecções em recém-nascidos com hérnia diafragmática congênita Sobre o artigo Recém-nascidos com hérnia diafragmática congênita (HDC) apresentam alta morbimortalidade e frequentemente recebem antibióticos, mesmo sem confirmação de infecção. A exposição precoce a antibióticos pode levar a consequências adversas e aumentar o risco de infecção por microrganismos resistentes. Há pouca literatura sobre o uso de antibióticos e a epidemiologia de infecção nessa população cirúrgica específica. Este estudo objetivou descrever o perfil de infecção e mensurar o uso de antibióticos em uma coorte ampla de neonatos com HDC admitidos em um centro terciário de referência ao longo de 10 anos. Métodos utilizados Estudo observacional retrospectivo com dados de 381 neonatos com HDC admitidos entre 2013 e 2022 no Children’s Hospital of Philadelphia e centros afiliados. Foram incluídos apenas recém-nascidos admitidos na UTI neonatal que sobreviveram até a internação. Os dados analisados incluíram exposições a antibióticos, culturas microbiológicas, susceptibilidade antimicrobiana e dados clínicos demográficos. Foram calculadas métricas de uso de antibióticos (LOT e DOT por 100 dias-paciente) e a frequência de culturas positivas. Foram realizadas análises estatísticas comparando subgrupos (idade gestacional, ECMO). Resultados 97,1% dos neonatos receberam antibióticos durante a internação. Apenas 20,4% tiveram culturas positivas de sangue, urina ou líquor. A maioria recebeu antibióticos nas primeiras 72 horas (63,5%), sendo ampicilina e gentamicina os mais usados. Vancomicina e cefepime foram frequentemente usados para infecções tardias, apesar da baixa taxa de culturas positivas para patógenos que justificassem esses antibióticos. S. aureus foi o patógeno mais comum nas infecções tardias; apenas 1 caso foi MRSA. A maioria das infecções foi identificada após 72h de vida. A duração mediana de exposição a antibióticos foi de 13 dias. Não houve mudanças significativas nas taxas de exposição antibiótica ao longo dos anos. Neonatos em ECMO tiveram significativamente maior uso de antibióticos. A profilaxia cirúrgica com cefazolina foi amplamente utilizada. Discussão Embora a exposição antibiótica seja quase universal em neonatos com HDC, a maioria não apresenta infecção bacteriana confirmada. A exposição precoce é desproporcional à incidência real de sepse neonatal precoce, que foi rara (0,5%). As infecções tardias foram mais comuns, mas ainda assim menos frequentes do que o uso de antibióticos sugeriria. Os achados indicam oportunidades para otimizar a prescrição de antibióticos, especialmente no contexto de profilaxia cirúrgica e cobertura empírica para infecção tardia. O uso de vancomicina e cefepime pode ser reduzido em casos sem risco claro de infecção por microrganismos resistentes. Estratégias de stewardship antibiótico são necessárias para essa população. Conclusão Há uma exposição generalizada a antibióticos entre neonatos com HDC, apesar da baixa incidência de infecção confirmada. A terapia empírica inicial com ampicilina e gentamicina continua adequada para infecções precoces. A infecção tardia é mais comum, porém os patógenos identificados não justificam amplamente o uso de antibióticos de amplo espectro. O estudo destaca a necessidade de intervenções de stewardship antibiótico para reduzir o uso excessivo e promover escolhas mais direcionadas. Insights clínicos 1. Quais antibióticos são mais utilizados em recém-nascidos com HDC?Cefazolina (profilaxia cirúrgica), vancomicina, cefepime, ampicilina e gentamicina. 2. Qual a taxa de infecção confirmada por cultura nesses pacientes?Apenas 20,4% apresentaram cultura positiva em sangue, urina ou líquor. 3. Existe justificativa para o uso empírico precoce de antibióticos?Apesar da baixa taxa de infecção precoce, o uso empírico com ampicilina e gentamicina se manteve apropriado nos casos com fatores de risco. 4. O uso de vancomicina e cefepime é clinicamente necessário?Esses antibióticos foram usados amplamente para cobertura empírica tardia, porém os dados indicam que infecções por MRSA ou patógenos multirresistentes foram raras, sugerindo possível uso excessivo. 5. Como melhorar o uso de antibióticos em neonatos com HDC?Implementar estratégias de stewardship antibiótico, como protocolos específicos para infecções precoces e tardias e critérios rigorosos para início e suspensão de antibióticos, especialmente em pacientes com ECMO. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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