HIV na gestação: implicações neonatais Sobre o artigo Este estudo de caso discute o manejo materno e neonatal em uma gestante com HIV congênito que apresentou interrupção do tratamento antirretroviral (TARV) no terceiro trimestre. O artigo aborda os riscos de transmissão vertical do HIV, estratégias de prevenção, considerações intraparto e cuidados neonatais. Reforça a importância da adesão ao TARV e do cuidado multidisciplinar durante a gestação e puerpério. Métodos utilizados Trata-se de um relato clínico e revisão narrativa baseada em diretrizes norte-americanas atualizadas. Foram incluídas recomendações do NIH, ACOG e dados de literatura recente. O caso descrito é de uma paciente acompanhada por medicina materno-fetal, com histórico de HIV congênito, que interrompeu o TARV por dois meses no final da gestação. Resultados A paciente foi submetida a cesariana eletiva com administração de zidovudina (ZDV) intravenosa. O recém-nascido apresentou peso adequado para a idade gestacional (2.360g), Apgar 8 e 9, e carga viral indetectável no nascimento e aos 21 dias. Foi iniciado esquema de TARV com ZDV, lamivudina e nevirapina. Não houve transmissão vertical. A paciente e o recém-nascido foram perdidos no seguimento após o parto. Discussão A adesão contínua ao TARV é essencial para prevenir a transmissão vertical do HIV. A interrupção do tratamento resultou em aumento da viremia no terceiro trimestre, exigindo intervenção imediata com reintrodução do TARV e planejamento individualizado do parto. O caso destaca a importância do cuidado centrado no paciente, incluindo decisões compartilhadas (como a via de parto), especialmente em pacientes com HIV congênito. Aspectos psicossociais e determinantes sociais de saúde, como a perda de seguro-saúde, tiveram impacto direto no manejo clínico. A abordagem multidisciplinar e estratégias para transição adequada no puerpério são fundamentais para garantir continuidade do cuidado. Conclusão A prevenção da transmissão vertical do HIV requer TARV contínuo, vigilância laboratorial frequente e manejo obstétrico individualizado. O sucesso no caso apresentado reforça a importância da coordenação entre especialidades e de modelos de cuidado que enfrentem barreiras sociais ao tratamento. Estratégias para garantir adesão no puerpério são essenciais para a saúde materna e neonatal. Insights clínicos Qual a principal estratégia para prevenir a transmissão vertical do HIV? A manutenção de carga viral indetectável com uso contínuo e correto do TARV durante toda a gestação. Quando está indicada a cesariana em gestantes com HIV? Em pacientes com carga viral ≥1000 cópias/mL ou desconhecida no final da gestação, para reduzir risco de transmissão vertical. Como deve ser conduzido o recém-nascido exposto ao HIV? Deve-se iniciar TARV profilática com base na classificação de risco (baixa, moderada ou alta), e realizar testes de HIV por PCR (NAT) ao nascimento, 14–21 dias, 1–2 meses e 4–6 meses. O que deve ser evitado no parto de gestantes com carga viral detectável? Ruptura artificial de membranas, eletrodos de couro cabeludo fetal e parto vaginal assistido com fórceps ou vácuo. Qual a importância do cuidado multidisciplinar nesse contexto? Fundamental para garantir decisões clínicas seguras, adesão ao tratamento, enfrentamento de barreiras sociais e continuidade no pós-parto. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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