Incorporação de estressores durante intubação endotraqueal neonatal simulada gera resposta ao estresse sem impactar o desempenho: estudo piloto randomizado

Incorporação de estressores durante intubação endotraqueal neonatal simulada gera resposta ao estresse sem impactar o desempenho: estudo piloto randomizado Sobre o artigo A intubação endotraqueal neonatal (IET) é uma habilidade crítica, porém muitos residentes de Pediatria não atingem proficiência ao final da formação, o que levou à incorporação ampla da simulação no treinamento. Entretanto, a melhora do desempenho em ambiente simulado nem sempre se traduz em melhor performance clínica real. O estresse agudo, definido como resposta fisiológica e psicológica quando as demandas excedem a capacidade percebida do indivíduo, pode aumentar a carga cognitiva e comprometer desempenho técnico e não técnico. Estudos prévios sugerem que estressores isolados (ruído ambiental, presença de observadores, instabilidade do paciente) podem modular a resposta ao estresse durante simulação, mas permanece incerto se a combinação estruturada de estressores é capaz de induzir resposta fisiológica, psicológica e endócrina mensurável. Objetivo Avaliar se um cenário de IET neonatal simulada com múltiplos estressores (fisiológicos, psicológicos, contextuais e situacionais) induz maior resposta ao estresse (frequência cardíaca, ansiedade estado e cortisol salivar) quando comparado a um cenário de baixo estresse, além de analisar impacto no desempenho técnico. Métodos utilizados Desenho do estudo: ensaio clínico randomizado, cruzado, não cego, em ambiente de simulação. População: residentes de Pediatria, fellows em Neonatologia e candidatos a nurse practitioner neonatal de um centro terciário no Canadá. Participantes com doença endócrina ou uso de corticosteroides foram excluídos da análise de cortisol. Intervenção: cada participante realizou dois cenários (alto estresse – HS; baixo estresse – LS), com intervalo mínimo de 1 semana. Estressores no cenário HS: Fisiológicos: ruídos ambientais de UTI neonatal e alarmes de monitorização Psicológico/social: presença de médico assistente supervisor observando Contextual: equipe ampliada (enfermeira e terapeuta respiratório) Situacional: instabilidade clínica do neonato simulado (queda de saturação para 85–88%) No cenário LS, utilizou-se manequim de baixa fidelidade, menos estímulos ambientais e equipe reduzida. Desfechos primários: Fisiológicos: frequência cardíaca (FC) e variabilidade da FC (HRV) Psicológicos: STAI (State-Trait Anxiety Inventory) Endócrinos: cortisol salivar Desfechos secundários: Taxa de sucesso da intubação Duração do procedimento Escore em checklist validado de competência em IET neonatal Análise estatística: modelo misto para medidas repetidas; teste de McNemar para taxa de sucesso; nível de significância de 5%. Resultados Amostra: 48 participantes completaram ambos os cenários (96 simulações). Resposta fisiológica: FC maior no cenário HS durante a intubação (104±15 vs 100±15 bpm; p=0,03) FC maior no pós-intubação no HS (97±18 vs 93±15 bpm; p=0,04) Sem diferença significativa na HRV entre os grupos Resposta psicológica: STAI estado maior no pós-cenário HS (38±8 vs 34±7; p=0,001) STAI traço sem diferença entre os cenários Resposta endócrina: Sem diferença significativa nos níveis de cortisol salivar pré ou pós-cenário entre HS e LS Desempenho: Taxa de sucesso semelhante (60% HS vs 52% LS; p=0,54) Sem diferença na duração da intubação Sem diferença nos escores de checklist, escala global ou competência Discussão A combinação estruturada de múltiplos estressores foi capaz de induzir resposta fisiológica (aumento modesto da FC) e psicológica (aumento do STAI estado), porém sem ativação mensurável do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (cortisol). A ausência de resposta endócrina pode refletir limitações inerentes à simulação, que não reproduz completamente a imprevisibilidade e o risco real da prática clínica. A percepção de ausência de dano real pode mitigar a ativação hormonal. Apesar do aumento de marcadores de estresse, o desempenho técnico não foi prejudicado. Os autores discutem o modelo “challenge versus threat”, sugerindo que os participantes podem ter interpretado o cenário como desafio manejável, e não ameaça, o que preserva o desempenho. Limitações: Desenho cruzado com possível viés de familiaridade Combinação de múltiplos estressores sem análise isolada de cada componente Ausência de fatores como fadiga e pressão temporal Estudo piloto com poder limitado para detectar diferenças de desempenho Conclusão A incorporação combinada de estressores fisiológicos, psicológicos, contextuais e situacionais em simulação de IET neonatal gera resposta fisiológica e psicológica modesta, mas não induz resposta endócrina nem impacta o desempenho técnico. Estudos futuros devem explorar outros elementos de estresse, maior complexidade de tarefa e comparação com intubações reais. Insights clínicos  A simulação com múltiplos estressores realmente aumenta o estresse do residente? Sim. Houve aumento significativo da frequência cardíaca durante e após o procedimento e maior escore de ansiedade estado no cenário de alto estresse. O estresse induzido foi suficiente para ativar o eixo HPA (cortisol)? Não. Não houve diferença significativa nos níveis de cortisol salivar entre cenários de alto e baixo estresse. O desempenho técnico foi prejudicado pelo aumento do estresse? Não. Taxa de sucesso, tempo de intubação e escores de competência foram semelhantes entre os grupos. O que isso implica para programas de treinamento em Neonatologia? A incorporação estruturada de estressores pode tornar a simulação mais realista sem comprometer o desempenho, potencialmente ajudando o treinamento adaptativo ao estresse. A simulação reproduz o estresse da prática real? Provavelmente não completamente. A ausência de resposta endócrina sugere que elementos do ambiente real — imprevisibilidade, risco real ao paciente, fadiga — não foram totalmente replicados. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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