Análise por vídeo de intubações neonatais com videolaringoscopia: comparação prospectiva entre a prática clínica e diretrizes de reanimação Sobre o artigo Este estudo avalia a adesão de profissionais de saúde às diretrizes do Neonatal Resuscitation Program (NRP) durante intubações traqueais realizadas com videolaringoscopia (VL) em recém-nascidos. Embora o NRP recomende a laringoscopia direta (DL) como padrão e forneça orientações técnicas específicas, ele não aborda as particularidades do uso da VL, que tem demonstrado maior taxa de sucesso na primeira tentativa. O estudo investiga se a técnica descrita para DL pode ser aplicada com sucesso ao uso da VL e quais desvios impactam os resultados clínicos. Métodos utilizados Trata-se de um estudo prospectivo realizado em um hospital universitário de referência na Irlanda, incluindo recém-nascidos de qualquer idade gestacional intubados com VL na sala de parto ou UTI neonatal. As intubações foram filmadas simultaneamente por uma câmera GoPro (visão externa) e pelo videolaringoscópio C-MAC (visão interna). As gravações foram sincronizadas e analisadas com base em uma lista de verificação construída a partir das etapas do NRP. Os desfechos incluíram aspectos técnicos, visualização anatômica e sucesso da intubação. Dois avaliadores revisaram os vídeos de forma independente, com um terceiro revisor para resolver discordâncias. Foram utilizadas análises estatísticas apropriadas para comparar tentativas bem-sucedidas e malsucedidas. Resultados Foram analisadas 95 tentativas de intubação em 57 neonatos. A taxa de sucesso na primeira tentativa foi de 69%. Principais achados: Tempo mediano até visualizar a glote: 22 segundos; para inserção do tubo: 32 segundos. Apenas 17% das tentativas foram concluídas dentro dos 30 segundos recomendados pelo NRP. A manobra correta de elevação da lâmina foi realizada em 69% dos casos. A glote foi visualizada em 89% das tentativas e as cordas vocais em 61%. O posicionamento adequado do neonato foi observado em 71% das tentativas. Pressão cricoide foi aplicada em 91% das tentativas, mas corretamente em apenas 16%. Em 28% das tentativas, a visualização piorou no momento da introdução do tubo. O sucesso esteve associado à visualização da glote na linha média, realização da manobra de elevação correta e visualização das cordas vocais. Discussão A técnica de intubação com VL diferiu significativamente das diretrizes do NRP baseadas em DL. Apesar da VL proporcionar melhor visualização da glote, a passagem do tubo traqueal foi mais demorada, possivelmente devido a limitações ergonômicas ao manuseá-lo pelo canal reto da lâmina. A maioria dos operadores inseriu o tubo diretamente pelo canal da lâmina (diferente da técnica lateral indicada para DL), o que parece mais adequado para a VL. Foi observada perda de consciência situacional em alguns casos, sugerindo foco excessivo no monitor e posicionamento inadequado do neonato. A pressão cricoide, quando aplicada, frequentemente não seguia as orientações técnicas. A visualização das cordas vocais não foi obtida em 28% das intubações bem-sucedidas, levantando a hipótese de que a visualização da glote pode ser suficiente. Dada a discrepância entre prática clínica e diretrizes, os autores defendem a revisão do NRP para incorporar as particularidades técnicas da VL. Conclusão A prática clínica de intubação neonatal com videolaringoscopia não segue integralmente as diretrizes atuais de reanimação baseadas em laringoscopia direta. Com o aumento do uso da VL, há necessidade urgente de revisar diretrizes e programas de treinamento para refletir as características técnicas exclusivas da videolaringoscopia e promover maior segurança e eficácia. Insights clínicos A videolaringoscopia melhora a taxa de sucesso na intubação neonatal? Sim. A taxa de sucesso na primeira tentativa com VL foi de 69%, superior aos valores históricos com DL (<50%). O tempo para intubação com VL atende aos parâmetros do NRP? Não. Apenas 17% das tentativas foram realizadas dentro dos 30 segundos recomendados. O que mais se associou ao sucesso da intubação? Visualização da glote na linha média, manobra correta de elevação e visualização das cordas vocais. A técnica recomendada pelo NRP é adequada para uso com VL? Não totalmente. A VL exige adaptações técnicas não previstas nas diretrizes baseadas em DL. A videolaringoscopia compromete a consciência situacional da equipe? Potencialmente sim. Em quase 30% dos casos, o neonato estava desalinhado, sugerindo atenção excessiva ao monitor. A visualização das cordas vocais é indispensável? Não necessariamente. A glote foi visualizada em 98% das intubações bem-sucedidas, mesmo sem visualização das cordas em alguns casos. O que os autores recomendam? Revisar as diretrizes de reanimação neonatal para adaptá-las às particularidades técnicas da videolaringoscopia. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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