Meningite enteroviral em recém-nascido pré-termo Sobre o artigo O artigo descreve o caso de um recém-nascido masculino, segundo gemelar, de 28+2 semanas de idade gestacional, que apresentou deterioração clínica aguda no 11º dia de vida, com palidez, letargia e hemorragia pulmonar maciça. A investigação identificou meningite enteroviral como causa de um quadro grave associado a persistência do canal arterial (PCA) e distúrbio da secreção inapropriada de ADH. Métodos utilizados Foi conduzida uma avaliação diagnóstica abrangente, incluindo: Exames laboratoriais completos (hemograma, função hepática, coagulograma, eletrólitos). Hemocultura, urocultura e cultura de líquor. PCR viral em líquor e secreções respiratórias. Ecocardiograma bidimensional para avaliação de PCA. Neuroimagem seriada (ultrassonografia craniana e ressonância magnética). Monitorização evolutiva clínica e neurológica. Resultados Diagnóstico final: meningite enteroviral confirmada por PCR em líquor e swab nasofaríngeo. Complicações: hemorragia pulmonar, supraventricular tachycardia, hemorragia intraventricular grau III, hidrocefalia progressiva necessitando drenagem ventricular e posteriormente derivação ventriculoperitoneal. Evolução: alta hospitalar com 40 semanas de idade pós-concepção, peso de 2950 g e bom ganho ponderal. Seguimento até 17 meses corrigidos demonstrou desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Discussão A meningite enteroviral é uma etiologia rara, porém relevante em neonatos, podendo mimetizar sepse bacteriana. O caso ilustra a apresentação incomum com hemorragia pulmonar e instabilidade cardiovascular grave. A coinfluência de prematuridade, síndrome do desconforto respiratório e PCA hemodinamicamente significativo provavelmente aumentou a gravidade do quadro. O tratamento permaneceu de suporte, sem uso de imunoglobulina intravenosa, embora estudos recentes indiquem potencial benefício quando administrada precocemente. O caso ressalta a importância da PCR viral em líquor para diagnóstico diferencial entre etiologias bacterianas e virais. Conclusão O relato destaca que meningite enteroviral deve ser considerada em recém-nascidos pré-termo com deterioração clínica súbita, principalmente quando associada a multissistema comprometido. A identificação rápida por técnicas moleculares permite diagnóstico precoce, essencial para conduta adequada. Complicações neurológicas (hemorragia intraventricular e hidrocefalia) reforçam a necessidade de seguimento prolongado em unidades de alto risco. Insights clínicos Qual foi a principal etiologia identificada no caso? Meningite enteroviral confirmada por PCR no líquor e secreções respiratórias. Quais complicações sistêmicas foram observadas? Hemorragia pulmonar, arritmia supraventricular, hepatite, coagulopatia, PCA hemodinamicamente significativo. Quais complicações neurológicas ocorreram? Hemorragia intraventricular grau III, ventriculomegalia progressiva e necessidade de derivação ventriculoperitoneal. Qual a relevância da PCR em líquor nesse contexto? Permitiu diferenciar etiologia viral de bacteriana em um quadro de sepse neonatal grave, direcionando a conduta. Qual foi a evolução a médio prazo? Boa evolução neuropsicomotora até 17 meses de idade corrigida, com acompanhamento contínuo em seguimento neonatal. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


