Padrões de referência para mensuração da frequência respiratória em crianças menores de 5 anos: uma revisão de escopo

Padrões de referência para mensuração da frequência respiratória em crianças menores de 5 anos: uma revisão de escopo Sobre o artigo  A frequência respiratória (FR) é um dos principais sinais vitais na prática pediátrica, sendo marcador fisiológico fundamental da função pulmonar e critério central para diagnóstico de pneumonia, especialmente em contextos de baixa renda segundo diretrizes da OMS (IMCI/iCCM). Apesar do surgimento de novas tecnologias — incluindo dispositivos automatizados e ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA) — não há um padrão de referência universalmente aceito para validar métodos de mensuração da FR. A ausência de consenso limita a comparação entre dispositivos e dificulta a incorporação de novas tecnologias à prática clínica. O objetivo desta revisão de escopo foi identificar os diferentes padrões de referência utilizados na avaliação da FR em crianças menores de 5 anos, bem como descrever suas forças e limitações percebidas. Métodos utilizados Revisão de escopo conduzida segundo diretrizes PRISMA-ScR. Estratégia de busca: Bases: MEDLINE e Web of Science Período: janeiro de 2013 a fevereiro de 2024 Idioma: inglês Critérios de inclusão: Estudos com crianças de 0 a 59 meses Comparação de método de FR (teste índice) com um padrão de referência Estudos com dados originais Extração de dados: Foram coletadas informações sobre: Cenário clínico Faixa etária Tipo de padrão de referência Método índice Medidas de acurácia e concordância Forças e limitações reportadas Foi realizada: Análise qualitativa de conteúdo (acurácia técnica, usabilidade, carga ao paciente e custo) Análise quantitativa com gráfico de Bland-Altman (forest plot) para estudos que relataram limites de concordância Não houve avaliação formal da qualidade metodológica dos estudos incluídos. Resultados Seleção dos estudos: 933 estudos identificados 56 incluídos na análise final Principais padrões de referência identificados: Pneumografia por impedância – 22 estudos (39%) Contagem manual (observação direta ou vídeo) – 19 estudos (34%) Capnografia – 9 estudos (16%) Esses três métodos representaram 89% dos padrões utilizados. Distribuição por contexto: Pneumografia por impedância: predominantemente em países de alta renda e UTIs neonatais Contagem manual: utilizada em países de baixa e média renda, em diferentes faixas etárias e cenários (hospitalar e comunitário) Capnografia: majoritariamente em países de baixa e média renda, especialmente em enfermarias neonatais Concordância (Bland-Altman): Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos quanto à média de concordância (p = 0,761) A capnografia apresentou maior diferença média (1,54 rpm) A pneumografia por impedância apresentou menor diferença média (0,38 rpm), porém com ampla variabilidade Fatores associados à variabilidade: Idade da criança Condição clínica (crianças agitadas, taquipneicas) Artefatos por movimento Interferência cardíaca (impedância) Ruído ambiental (contagem manual) Definição inconsistente do que constitui um “ciclo respiratório” Discussão Nenhum padrão de referência demonstrou superioridade consistente em termos de acurácia. A escolha do método foi fortemente influenciada por: Infraestrutura disponível Recursos financeiros Treinamento da equipe Faixa etária Cenário clínico A pneumografia por impedância mostrou-se vulnerável a artefatos de movimento e interferência cardíaca, especialmente em neonatos. A contagem manual, embora amplamente utilizada e de baixo custo, apresentou limitações relacionadas a: Variabilidade interobservador Dependência de treinamento Duração da contagem Subjetividade A capnografia demonstrou alta qualidade de sinal, porém é dependente de equipamento específico e pode gerar desconforto pelo uso de cânula nasal. Os autores sugerem necessidade de estudos comparativos diretos entre os três principais padrões sob condições padronizadas, incluindo avaliação de reprodutibilidade e susceptibilidade a artefatos. Conclusão Três principais padrões de referência foram identificados na avaliação da frequência respiratória em crianças menores de 5 anos: pneumografia por impedância, contagem manual e capnografia. Nenhum demonstrou superioridade clara. Há lacuna crítica de estudos que comparem diretamente esses métodos sob condições padronizadas, considerando idade, cenário clínico e treinamento do observador. Os autores sugerem possível abordagem escalonada (tiered approach), com padrões gerais amplamente aplicáveis e padrões especializados para contextos específicos (ex.: UTIs neonatais). Definição padronizada do que constitui um “ciclo respiratório” é fundamental para avanços futuros. Insights clínicos  Existe padrão ouro para mensuração da frequência respiratória em crianças? Não. Nenhum dos três principais métodos demonstrou superioridade consistente. Qual método é mais utilizado em UTIs neonatais? Pneumografia por impedância, principalmente em países de alta renda. A contagem manual ainda é válida? Sim. É amplamente utilizada, especialmente em contextos de baixa renda, porém apresenta variabilidade interobservador. A capnografia é mais precisa? Demonstrou boa qualidade de sinal, mas apresentou maior diferença média em relação aos testes índice e depende de equipamento específico. O que mais interfere na acurácia da FR? Movimento da criança, choro, taquipneia, interferência cardíaca e inconsistência na definição de respiração. Qual a implicação para desenvolvimento de dispositivos com IA? A ausência de padrão de referência consensual limita a validação e o treinamento adequado de algoritmos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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