Parada cardíaca neonatal por miocardite viral

Fonte: American Academy of Pediatrics

Parada cardíaca neonatal por miocardite viral Sobre o artigo  Este artigo descreve um caso clínico de um recém-nascido previamente saudável que sofreu parada cardíaca súbita aos 12 dias de vida, culminando no diagnóstico de miocardite viral por enterovírus. A apresentação aguda e a ausência de sinais prévios de doença ressaltam a importância de considerar causas infecciosas virais no diagnóstico diferencial de disfunção cardíaca neonatal. Métodos utilizados O caso foi investigado por meio de exames laboratoriais (incluindo marcadores cardíacos e PCR viral), exames de imagem (radiografia de tórax, ecocardiograma e ressonância magnética cardíaca), eletrocardiograma e exames complementares como tomografia para avaliar anomalias congênitas. A exclusão de causas estruturais cardíacas e a positividade para enterovírus confirmaram o diagnóstico clínico de miocardite viral. Resultados O paciente apresentou disfunção ventricular esquerda grave, acidose metabólica severa, alterações eletrocardiográficas e marcadores cardíacos significativamente elevados (ex.: troponina I: 10.565,7 ng/L). O ecocardiograma evidenciou dilatação das câmaras esquerdas, insuficiência mitral moderada e hipertensão pulmonar suprassistêmica. A PCR viral confirmou infecção por enterovírus. Após suporte intensivo, o recém-nascido apresentou melhora progressiva com recuperação parcial da função ventricular, e RM cardíaca posterior evidenciou fibrose miocárdica residual. Discussão A miocardite viral, frequentemente causada por enterovírus, pode se manifestar como colapso hemodinâmico agudo em neonatos, mimetizando sepse bacteriana. O diagnóstico é desafiador e geralmente clínico, com base em disfunção ventricular, alterações eletrocardiográficas e elevação de marcadores cardíacos na ausência de cardiopatias estruturais. A biópsia endomiocárdica raramente é realizada devido à sua natureza invasiva. O tratamento permanece de suporte, com o uso ocasional de imunoglobulina intravenosa e ECMO em casos refratários. A morbimortalidade é elevada, mesmo com cuidados intensivos. Conclusão A miocardite viral deve ser considerada como causa de disfunção miocárdica súbita em neonatos previamente saudáveis. O reconhecimento precoce e o suporte intensivo são fundamentais. O seguimento cardiológico contínuo é essencial devido ao risco de disfunção cardíaca persistente e desenvolvimento de fibrose miocárdica. Insights clínicos Qual foi a causa da parada cardíaca neste recém-nascido? Miocardite viral causada por enterovírus. Quais sinais laboratoriais e clínicos indicaram miocardite? Disfunção ventricular esquerda grave ao ecocardiograma, elevação significativa de troponina e outras enzimas cardíacas, PCR viral positiva para enterovírus e ausência de cardiopatia estrutural. Como foi conduzido o tratamento? Suporte intensivo com inotrópicos, ventilação mecânica, antibióticos empíricos iniciais e imunoglobulina intravenosa. Não houve uso de terapia antiviral específica. Qual foi a evolução clínica do paciente? Recuperação progressiva da função cardíaca, com presença de fibrose miocárdica residual identificada por ressonância magnética cardíaca aos 2 meses. Desenvolvimento neurológico normal aos 11 meses. Quando devemos suspeitar de miocardite viral em neonatos? Em casos de colapso hemodinâmico súbito ou disfunção miocárdica inexplicada em recém-nascidos previamente saudáveis, mesmo na ausência de sintomas respiratórios. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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