Práticas de sono infantil e prevenção da morte súbita inesperada na infância Sobre o artigo Este estudo teve como objetivo descrever os padrões de sono infantil e práticas de cuidado em mães do estado de Illinois (EUA), com base nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP) para prevenção de morte súbita inesperada na infância (SUID). A análise utilizou dados do sistema PRAMS (Pregnancy Risk Assessment Monitoring System) de 2016 a 2020, com foco em práticas como posição ao dormir, superfície apropriada, ausência de itens soltos, ausência de compartilhamento de cama, amamentação por ≥8 semanas e não tabagismo materno. O estudo visa informar políticas públicas e estratégias de equidade em saúde. Métodos utilizados Trata-se de um estudo transversal com análise de dados autorreferidos por mães (n = 5687) extraídos do PRAMS e certificados de nascimento vinculados. Foram identificadas 6 práticas recomendadas pela AAP e agrupadas por análise de cluster não hierárquica para formação de 6 padrões de sono/cuidado infantil mutuamente exclusivos. As prevalências foram ponderadas e analisadas por variáveis demográficas: raça/etnia materna, idade, paridade, escolaridade e status socioeconômico (SES). Resultados Apenas 19,3% das mães relataram seguir todas as 6 práticas recomendadas. O padrão mais prevalente foi o de compartilhamento de cama com amamentação (28,1%). Práticas isoladas variaram de 49,6% (ausência de itens soltos) a 90,8% (não tabagismo). A adesão às práticas recomendadas foi maior entre mães com maior escolaridade, idade ≥35 anos e SES elevado. Mães negras, mais jovens e com menor escolaridade/SES apresentaram maior prevalência de padrões de maior risco. Discussão A análise combinada das práticas permitiu identificar lacunas significativas na implementação das recomendações da AAP. Apesar da alta prevalência de algumas práticas isoladas, a adesão simultânea a todas é rara. O compartilhamento de cama, embora contraindicado pela AAP, mostrou-se comum, especialmente entre mães que amamentam. Barreiras estruturais, culturais e percepções maternas influenciam as decisões. O estudo reforça a importância de abordagens de redução de danos, culturalmente sensíveis, e personalizadas, especialmente para populações minorizadas. Conclusão A maioria das famílias adota apenas parte das práticas recomendadas para sono seguro. Estratégias de saúde pública devem considerar as realidades familiares, com intervenções voltadas à equidade e que levem em conta fatores culturais, sociais e econômicos. A promoção do sono seguro deve ser feita de forma empática, com reconhecimento das boas práticas já adotadas pelas famílias. Insights clínicos Qual é a principal recomendação da AAP sobre o local de sono do lactente? Dormir em superfície apropriada (berço, moisés ou cercado), sem itens soltos e sem compartilhamento de cama. Quantas mães seguem todas as recomendações analisadas pela AAP para sono seguro? Apenas 19,3% relataram seguir todas as seis práticas recomendadas. Quais são os fatores demográficos associados a maior adesão às práticas seguras? Mães com ≥35 anos, nível superior e SES mais alto apresentaram maior adesão às práticas seguras. O compartilhamento de cama é uma prática frequente? Sim, 40% das mães relataram compartilhar a cama com o bebê, sendo a combinação com amamentação o padrão mais prevalente. Como as práticas variam entre grupos raciais e étnicos? Mães negras apresentaram maior prevalência de padrões de maior risco (ex: compartilhamento de cama sem amamentação), enquanto mães brancas e asiáticas tiveram maior adesão às recomendações. O conhecimento das recomendações garante a prática segura? Não necessariamente. Fatores como fadiga, preferências do bebê, normas culturais e insegurança ambiental influenciam as escolhas das famílias. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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