Redução da Exposição a Opioides e Benzodiazepínicos em Recém-Nascidos Prematuros em Ventilação de Alta Frequência por Jato Sobre o Artigo Prematuros extremos estão frequentemente expostos a procedimentos dolorosos, ventilação mecânica prolongada e estímulos estressantes durante a internação em UTI Neonatal. Embora opioides e benzodiazepínicos sejam amplamente utilizados para analgesia e sedação, evidências recentes associam sua exposição prolongada a desfechos adversos pulmonares e neurodesenvolvimentais. Ao revisar dados locais, os autores observaram que mais de 90% dos recém-nascidos com idade gestacional ≤28 semanas ou peso ao nascer ≤1000 g submetidos à HFJV recebiam essas medicações, em doses cumulativas muito superiores às associadas à redução do crescimento cerebelar em estudos prévios. Diante desse cenário, foi desenvolvido um projeto de melhoria da qualidade com o objetivo de reduzir em 50% a exposição cumulativa a opioides e benzodiazepínicos ao longo de 12 meses, mantendo os resultados por pelo menos mais 6 meses. Métodos Utilizados Estudo prospectivo de melhoria da qualidade realizado em uma UTI Neonatal nível IV acadêmica nos Estados Unidos. População Recém-nascidos com: Idade gestacional ≤28 semanas ou Peso ao nascer ≤1000 g Necessidade de HFJV em qualquer momento da internação. Exclusões Distúrbios genéticos suspeitos. Hidropisia fetal. Óbito antes de 72 horas de vida. Estratégia de intervenção Utilizando o modelo de melhoria contínua (Model for Improvement), a equipe multidisciplinar identificou três fatores principais para o uso excessivo de sedativos: Falta de conhecimento sobre potenciais danos dos medicamentos. Ausência de padronização na avaliação da dor. Falta de critérios claros para iniciar analgesia ou sedação. Foram implementados seis ciclos PDSA (Plan-Do-Study-Act), incluindo: Novo protocolo de avaliação e tratamento da dor. Readequação do escore NPASS para pacientes em HFJV. Incentivo a medidas não farmacológicas. Padronização das indicações e doses medicamentosas. Educação multiprofissional. Inclusão de indicações neonatais específicas no prontuário eletrônico. Os desfechos principais foram exposição cumulativa a opioides e benzodiazepínicos e uso de infusões contínuas. Também foram avaliados indicadores de segurança, incluindo escores NPASS elevados e extubações não planejadas. Resultados Foram analisados 93 pacientes elegíveis. Os recém-nascidos do período pós-intervenção apresentaram menor idade gestacional e menor peso ao nascer, indicando uma população potencialmente mais grave. Principais resultados Exposição a opioides Redução de 13,7 para 3,3 mg/kg em equivalentes de morfina. Redução relativa de 75,9%. Exposição a benzodiazepínicos Redução de 1,3 para 0,5 mg/kg em equivalentes de lorazepam. Redução relativa de 61,5%. Infusões contínuas de opioides Redução de 21,1% para 0%. Medidas de segurança Dor e agitação (NPASS ≥4) Redução de 8,2% para 3,5%. Extubações não planejadas Redução de 1,1 para 0,6 eventos. Os resultados foram mantidos por mais de 12 meses após a implementação do protocolo. Discussão A implementação de um protocolo estruturado de dor e agitação levou a uma redução substancial e sustentada da exposição a opioides e benzodiazepínicos em prematuros extremos sob HFJV. Os autores destacam que a principal mudança ocorreu após a introdução do protocolo institucional, reforçando o impacto da padronização das práticas clínicas. Um aspecto relevante foi a revisão da interpretação do NPASS em pacientes ventilados por HFJV. Como esses pacientes respiram frequentemente acima da frequência programada do ventilador, essa condição vinha sendo interpretada como assincronia e agitação, elevando artificialmente os escores de dor. A correção dessa interpretação contribuiu para a redução do uso de sedativos sem aumento de eventos adversos. Além disso, o fortalecimento de medidas não farmacológicas, como cuidado a quatro mãos, terapia oral com leite materno e contato pele a pele, provavelmente colaborou para o controle adequado da dor e da agitação. O estudo reforça que educação continuada, protocolos claros e auditorias frequentes podem modificar a cultura assistencial e reduzir exposições potencialmente prejudiciais em populações neonatais de alto risco. Conclusão Uma iniciativa multidisciplinar de melhoria da qualidade foi capaz de reduzir significativamente a exposição a opioides e benzodiazepínicos em prematuros extremos submetidos à HFJV. A redução ocorreu sem aumento de dor, agitação ou extubações não planejadas, sugerindo que estratégias de avaliação padronizada da dor, uso criterioso de medicamentos e fortalecimento de intervenções não farmacológicas são alternativas seguras e eficazes para essa população vulnerável. Os autores sugerem futuras investigações sobre o uso de dexmedetomidina e o impacto dessas estratégias nos desfechos neurodesenvolvimentais de longo prazo. Insights Clínicos Devemos sedar rotineiramente prematuros extremos em HFJV? Não. O estudo demonstrou que uma redução expressiva da sedação foi possível sem aumento de dor, agitação ou extubações acidentais. A diminuição de opioides aumentou os escores de dor? Não. Houve redução dos escores NPASS elevados, sugerindo melhor avaliação e manejo da dor. Qual foi a principal intervenção responsável pela mudança? A implementação de um protocolo estruturado de avaliação da dor e indicação padronizada de medicamentos. O uso de infusão contínua de opioides é necessário na maioria dos pacientes em HFJV? Os resultados sugerem que não. A utilização caiu de 21,1% para 0%, sem prejuízo clínico observado. Quais medidas não farmacológicas devem ser priorizadas? Cuidado a quatro mãos, terapia oral com leite materno, contato pele a pele e investigação sistemática de causas reversíveis de desconforto respiratório. Qual a principal mensagem para a prática clínica? Prematuros extremos em HFJV podem ser manejados com muito menos exposição a opioides e benzodiazepínicos quando há protocolos claros, avaliação padronizada da dor e forte envolvimento multiprofissional. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


