Ressecções Pancreáticas em Pacientes Pediátricos: Análise de Resultados e Fatores Associados a Eventos Adversos Pós-Operatórios com Base no Banco de Dados NSQIP-Pediátrico Sobre o artigo Pancreatectomias são procedimentos raros em pediatria, indicados para condições como neoplasias pancreáticas, cistos, hipoglicemia neonatal, pancreatite e trauma. A escassez de dados populacionais limita a compreensão dos resultados cirúrgicos e complicações pós-operatórias. Este estudo visa preencher essa lacuna por meio de uma análise multicêntrica baseada no banco de dados NSQIP-Pediátrico, avaliando os desfechos de 30 dias e fatores associados a eventos adversos. Métodos utilizados Estudo retrospectivo de coorte com dados do NSQIP-Pediátrico entre 2012 e 2021, envolvendo pacientes ≤18 anos submetidos a pancreatectomias. Foram incluídas diferentes modalidades cirúrgicas, agrupadas conforme códigos CPT, com exclusão de diagnósticos não pancreáticos. Variáveis clínicas, operatórias e resultados de 30 dias foram analisados por regressão logística multivariada. Resultados Foram incluídos 336 pacientes: 77,4% realizaram pancreatectomia distal 16,1% enucleação 3,6% pancreatectomia total com auto-transplante de ilhotas 1,5% pancreatoduodenectomia 0,9% pancreatectomia total 0,6% desbridamento pancreático Principais indicações: Neoplasias/cistos pancreáticos (39,9%) Hipoglicemia (28,3%) Pancreatite/pseudocistos (10,7%) Trauma (3,6%) Complicações em 25,3%, readmissão em 8%, reoperação em 6% e óbito em 0,3%. Eventos adversos em 31,5% dos pacientes. Comorbidades pré-operatórias (OR ajustado: 2,51) e suporte nutricional pré-operatório (OR ajustado: 3,94) foram os principais preditores de eventos adversos. Discussão Este é um dos maiores estudos multicêntricos sobre pancreatectomia pediátrica, com achados que indicam taxas de complicações e mortalidade inferiores às da população adulta. Procedimentos como a pancreatectomia distal e enucleação mostraram menores taxas de complicações. Cirurgias mais complexas (pancreatoduodenectomia, pancreatectomia total) apresentaram maior morbidade. O estudo destaca a necessidade de otimização pré-operatória multidisciplinar, principalmente em pacientes com comorbidades e necessidade de suporte nutricional. Conclusão Pancreatectomias pediátricas são raras, mas associadas a considerável morbidade. Comorbidades e suporte nutricional pré-operatório aumentam significativamente o risco de eventos adversos. A abordagem multidisciplinar e a otimização pré-operatória são essenciais para melhorar os resultados. Insights clínicos Quais são as principais indicações para pancreatectomia em crianças? As principais indicações incluem neoplasias e cistos pancreáticos (39,9%), hipoglicemia (28,3%), pancreatite e pseudocistos (10,7%) e trauma (3,6%). Qual o tipo de pancreatectomia mais realizado em pediatria? A pancreatectomia distal foi a mais comum, representando 77,4% dos casos. Quais fatores aumentam o risco de eventos adversos pós-operatórios? Comorbidades pré-operatórias (OR ajustado: 2,51) e necessidade de suporte nutricional pré-operatório (OR ajustado: 3,94). Qual a taxa de mortalidade observada no estudo? A mortalidade em 30 dias foi de 0,3%, mostrando um perfil de segurança relativamente alto. O tipo de cirurgia influencia nas taxas de complicações? Sim. Pancreatectomia distal e enucleação apresentaram menores taxas de complicações, enquanto procedimentos mais extensos como TP e PD apresentaram taxas superiores a 50% de eventos adversos. O que é recomendado para pacientes pediátricos com alto risco cirúrgico? Planejamento cirúrgico com equipe multidisciplinar, incluindo gastroenterologia, anestesiologia e cirurgia pediátrica especializada, além de otimização das comorbidades e do estado nutricional pré-operatório. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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