Sepse Tardia por Enterobacteriaceae Resistentes a Carbapenêmicos em Prematuros Extremos: Estudo Multicêntrico na China

Fonte: The Pediatric Infectious Disease Journal

Sepse Tardia por Enterobacteriaceae Resistentes a Carbapenêmicos em Prematuros Extremos: Estudo Multicêntrico na China Sobre o artigo  A resistência antimicrobiana é uma ameaça crescente à saúde neonatal, especialmente entre recém-nascidos muito prematuros (RNMPs), que frequentemente necessitam de internação prolongada e exposição a antibióticos de amplo espectro. Este estudo investigou a epidemiologia e os regimes terapêuticos utilizados em casos de sepse tardia causada por Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos (CRE) em RNMPs internados em UTIs neonatais chinesas, utilizando dados da Chinese Neonatal Network (CHNN). Métodos utilizados Estudo transversal multicêntrico com base em dados de 88 UTIs neonatais da CHNN. Foram incluídos todos os RNMPs (24–31 semanas de idade gestacional ou peso ao nascer <1500 g) admitidos em 2022 que desenvolveram sepse tardia (>72h de vida) por Enterobacteriaceae. Foram analisadas características clínicas, microbiológicas e terapêuticas, incluindo uso prévio de antibióticos e mortalidade. A análise estatística incluiu regressão logística multivariada com estimativas ajustadas. Resultados Entre 11.447 RNMPs admitidos, 205 desenvolveram 207 episódios de sepse tardia por Enterobacteriaceae.  Desses, 27 (13,0%) foram causados por CRE, sendo os principais agentes Klebsiella spp. (66,7%) e Enterobacter spp. (29,6%).  A exposição prévia a carbapenêmicos foi identificada como fator de risco independente para sepse por CRE (OR ajustado: 2,33; IC95%: 1,02–5,49).  A mortalidade relacionada à sepse por CRE foi de 22,2%, e a mortalidade geral durante a hospitalização foi significativamente maior no grupo CRE (29,6%) em comparação ao grupo não-CRE (13,5%).  A meningite associada foi mais frequente no grupo CRE (14,8% vs. 3,4%).  A terapia empírica mais utilizada foi a monoterapia com meropenem (77,8%), com falha terapêutica em 28,6% dos casos.  Na terapia definitiva, 77,3% dos pacientes receberam monoterapia (principalmente meropenem), enquanto 22,7% receberam terapias combinadas baseadas em meropenem.  Discussão A prevalência de CRE foi relevante (13%) e associada a elevada mortalidade hospitalar. O uso prévio de carbapenêmicos mostrou-se fator de risco importante, refletindo o impacto da pressão seletiva antibiótica. Apesar da resistência, meropenem ainda foi o principal antibiótico utilizado, o que evidencia a limitação de opções terapêuticas disponíveis para neonatos. O estudo também mostrou variabilidade nas abordagens terapêuticas, ausência de padronização e casos de uso inadequado de antimicrobianos, ressaltando a necessidade de medidas robustas de stewardship antimicrobiano. Conclusão A sepse tardia por CRE é uma complicação grave em prematuros extremos, com impacto significativo na mortalidade. A exposição prévia a carbapenêmicos aumenta o risco de infecção, e o tratamento empírico baseado em meropenem, embora amplamente utilizado, apresentou taxa relevante de insucesso terapêutico. Há urgência em desenvolver diretrizes específicas para o manejo de CRE em neonatos e em reforçar ações de controle de infecção e uso racional de antibióticos. Insights clínicos  Qual a prevalência de sepse por CRE em RNMPs na China? 13,0% dos episódios de sepse tardia por Enterobacteriaceae foram causados por CRE. Qual foi o principal fator de risco identificado para sepse por CRE? Exposição prévia a carbapenêmicos (OR ajustado: 2,33). Quais os principais patógenos envolvidos? Klebsiella spp. (66,7%) e Enterobacter spp. (29,6%). Qual a taxa de mortalidade associada à sepse por CRE? Mortalidade atribuída à sepse por CRE foi de 22,2%; mortalidade hospitalar geral foi de 29,6%. Qual o regime antimicrobiano mais utilizado? Meropenem, usado como monoterapia em 77,8% dos casos na fase empírica. Existe benefício da terapia combinada nesses casos? Apesar do uso de terapias combinadas em alguns casos, os dados são inconclusivos quanto à superioridade em relação à monoterapia com meropenem. Há diferenças entre os patógenos CRE de neonatos e adultos? Sim. A suscetibilidade ao meropenem pode ser maior em isolados neonatais, sugerindo perfis de resistência distintos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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