Variação no uso de antibióticos e incidência de sepse neonatal precoce (EOS) em recém-nascidos ≥34 semanas

Variação no uso de antibióticos e incidência de sepse neonatal precoce (EOS) em recém-nascidos ≥34 semanas Sobre o artigo O uso de antibióticos em recém-nascidos pré-termo tardios e a termo varia amplamente entre países de alta renda (1%–14%), principalmente devido à dificuldade de diferenciar sepse neonatal precoce (EOS) de condições não infecciosas nas primeiras horas de vida. O uso excessivo está associado a resistência antimicrobiana, impacto negativo no microbioma, maior risco de doenças crônicas e aumento de custos e tempo de internação. Em estudo prévio da mesma coorte sueca, a taxa de uso de antibióticos foi relativamente baixa (1,9%) e a incidência de EOS foi 0,63 por 1000 nascidos vivos. Os autores levantaram a hipótese de que ainda poderiam existir variações regionais significativas dentro do país. O objetivo deste estudo foi quantificar e comparar variações regionais e entre unidades neonatais quanto ao uso de antibióticos na primeira semana de vida, incidência de EOS e mortalidade, além de avaliar tendências temporais. Métodos utilizados Desenho do estudo: coorte nacional retrospectiva baseada em registro populacional. Período: 1º de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2020. População: todos os recém-nascidos ≥34 semanas de idade gestacional admitidos em unidades neonatais da Suécia. Fonte de dados: Swedish Neonatal Quality Register (SNQ) Registro Nacional Médico de Nascimentos Definições: EOS: sepse com cultura positiva até o 2º dia de vida (dias 0–2). Sepse na primeira semana: dias 0–6. Mortalidade: óbito até 28 dias de vida. Contaminantes (Bacillus, Micrococcus, CoNS) excluídos. Desfecho primário: variação no uso de antibióticos na primeira semana de vida entre regiões e unidades. Desfechos secundários: incidência de EOS, mortalidade e número de recém-nascidos tratados por caso confirmado de EOS. Análise estatística: regressão logística ajustada para idade gestacional, sexo, pequeno para idade gestacional, ruptura de membranas, Apgar, via de parto. Resultados População total: 1.025.515 recém-nascidos ≥34 semanas. Uso de antibióticos: 19.286 recém-nascidos (1,88%) tratados na primeira semana. Variação regional: 1,3% a 3,0% (diferença de 2 vezes). Variação entre unidades nível II: 0,9% a 4,3% (diferença de 5 vezes). Dias de antibiótico por 1000 nascidos vivos: 70 a 176 (variação de 3 vezes). Duração mediana do tratamento: EOS: 7–10 dias. Sem sepse confirmada: 4–7 dias. Incidência de EOS: 0,33 a 0,93 por 1000 nascidos vivos. Total nacional: 0,63/1000. GBS foi o patógeno mais comum. Número de tratados por caso de EOS: 22 a 39 entre regiões. 7 a 113 entre unidades (variação de até 15 vezes). Mortalidade: Mortalidade geral: 0,21 a 0,54 por 1000 nascidos vivos. 96% dos óbitos entre tratados ocorreram em recém-nascidos sem sepse confirmada. Apenas 9 óbitos entre casos de EOS (6 relacionados à sepse). Unidades com menor uso (≤1,0%) apresentaram baixa incidência de EOS e nenhuma mortalidade associada à EOS. Discussão O estudo demonstra variações expressivas no uso de antibióticos entre regiões e unidades com casemix semelhante, sugerindo que diferenças nas práticas clínicas — e não na gravidade populacional — explicam grande parte da variação. A região East apresentou: Menor uso de antibióticos (1,3%) Menor incidência de EOS (0,33/1000) Baixa mortalidade Isso demonstra que uso ≤1% é alcançável sem aumento de mortalidade. A duração do tratamento em recém-nascidos com cultura negativa (4–7 dias) foi maior que a recomendada em diretrizes internacionais (36–48h em culturas negativas). A Suécia não utiliza o EOS calculator; a abordagem é baseada em exame clínico seriado e PCR repetida, o que pode contribuir para prolongamento desnecessário do tratamento. Programas estruturados de stewardship antimicrobiano são apontados como fundamentais para redução segura do uso. Limitações: Dados retrospectivos de registro Ausência de biomarcadores detalhados Ausência de dados sobre profilaxia intraparto individual Conclusão Há ampla variação no uso de antibióticos entre regiões e unidades neonatais na Suécia. O estudo demonstra que é possível manter uso baixo (≤1,0%) com baixa incidência de EOS e baixa mortalidade. Comparações sistemáticas e transparência de indicadores são ferramentas essenciais para otimização do uso racional de antibióticos na neonatologia. Insights clínicos  É possível reduzir o uso de antibióticos em recém-nascidos ≥34 semanas sem aumentar mortalidade? Sim. Unidades com uso ≤1,0% apresentaram baixa incidência de EOS e nenhuma mortalidade associada. Existe variação significativa no uso de antibióticos dentro de um mesmo país? Sim. Houve variação de até 5 vezes entre unidades semelhantes. A incidência de EOS justifica o volume de antibióticos utilizados? Os dados sugerem desproporção entre incidência de EOS e número de tratados, indicando potencial para redução. A duração do tratamento em cultura negativa está adequada às diretrizes internacionais? Não completamente. A mediana de 4–7 dias excede as recomendações internacionais de suspensão em 36–48h com culturas negativas. O uso do EOS calculator é prática na Suécia? Não. O país utiliza avaliação clínica seriada e biomarcadores, sem ferramenta preditiva formal. Qual o principal patógeno da EOS nesta coorte? Streptococcus do grupo B foi o agente mais frequente. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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