Viabilidade da Terapia de Interação Pais-Criança com Acompanhamento Digital em Tempo Real: Ensaio Clínico Randomizado Sobre o artigo Este estudo investigou a viabilidade e adesão ao uso de um smartwatch como ferramenta de suporte à Terapia de Interação Pais-Criança (PCIT), voltada para crianças de 3 a 7 anos com comportamentos disruptivos. A tecnologia permitiu alertas em tempo real aos pais sobre sinais fisiológicos que indicam risco de explosões comportamentais, como birras intensas, possibilitando intervenções preventivas baseadas em estratégias da PCIT. Métodos utilizados Ensaio clínico randomizado e cego (terapeutas, pais e pacientes), conduzido entre março de 2022 e dezembro de 2023 no Mayo Clinic, EUA. Participaram 50 crianças (28 no grupo PCIT com inteligência artificial [PCIT-AI] e 22 no grupo controle com tratamento usual [PCIT-TAU]). Ambos os grupos receberam 12 sessões semanais de PCIT. No grupo PCIT-AI, os pais recebiam alertas via aplicativo quando a criança apresentava sinais de risco para birra com base na frequência cardíaca. Resultados 74% dos participantes completaram o estudo. Adesão ao uso do smartwatch foi de 75,7%, superando o limite de viabilidade (70%). Tempo mediano de resposta dos pais aos alertas foi de 3,65 segundos. Não houve diferença estatisticamente significativa nas escalas de comportamento (ECBI) e sono (PSQ) entre os grupos. A duração média das birras foi significativamente menor no grupo PCIT-AI (10,4 minutos) comparado ao PCIT-TAU (22,1 minutos). O grupo PCIT-AI apresentou menor probabilidade de birras prolongadas (>15 minutos), com odds ratio de 3,66. Discussão O estudo demonstrou que a integração de tecnologias digitais com terapias comportamentais é viável e bem aceita por famílias com crianças pequenas, inclusive em contextos clínicos naturais e comorbidades (ex.: TDAH, autismo). A resposta rápida dos pais aos alertas indica boa usabilidade da ferramenta. Embora os desfechos comportamentais não tenham atingido significância estatística, a redução na duração das birras sugere benefício clínico relevante. Conclusão A utilização de smartwatches como suporte à PCIT é factível e bem tolerada, com alta adesão. Os resultados sugerem que intervenções parentais proativas, acionadas por alertas fisiológicos, podem reduzir a duração das birras em crianças com transtornos disruptivos. O estudo apoia a condução de ensaios clínicos maiores para avaliar eficácia terapêutica em larga escala. Insights clínicos A tecnologia wearable é viável para uso clínico em crianças pequenas com transtornos de comportamento? Sim, o estudo demonstrou adesão adequada ao uso de smartwatches e resposta eficaz dos pais aos alertas. O uso de tecnologia reduziu a duração das birras? Sim, a duração média das birras foi significativamente menor no grupo que utilizou o sistema com alertas digitais. O sistema mostrou impacto em outras escalas clínicas como comportamento e sono? Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas escalas ECBI e PSQ entre os grupos. Quais populações clínicas foram incluídas? Crianças de 3 a 7 anos com comportamentos externalizantes, incluindo aquelas com TDAH e autismo leve. Qual é a principal contribuição deste estudo para a prática clínica? Este estudo valida o uso de tecnologias digitais para intervenções parentais em tempo real, abrindo caminho para terapias mais responsivas e personalizadas para crianças com dificuldades de regulação emocional. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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