[AAP 2025] Atualização em Antimicrobianos: Otimizando Prescrição e Minimizando a Resistência

Por Jasmin Pacheco Um dos temas centrais do Congresso Americano de Pediatria deste Ano, ocorrido no final de setembro em Denver (EUA) foi a palestra focada na otimização da prescrição de antimicrobianos e na minimização da resistência bacteriana, apresentada por Daniel J. Adams. Foram apresentados diversos estudos sobre o uso de antibiogramas regionais, a eficácia de cursos mais curtos de antibióticos para infecções comuns e a importância de reavaliar alergias à penicilina em crianças, além de citados novos antibióticos no mercado. A NeoPedHub assistiu e trouxe um resumo completo para você: Relatório do CDC de Julho de 2024 Um relatório do CDC de 2024 e uma publicação do JAMA mostraram una redução de 50% nas mortes associadas à RAM (Resistência Antimicrobiana) em crianças < 5 anos de 1990 a 2021. Os principais germes associados a resistência antimicrobiana são: ERC (enterobacterias resistentes a carbapenêmicos) MRSA: S. Aureus resistente a meticilina CRA (acinetobacter resistente a carbapenêmicos) VRE (enterococo resistente a vancomicina) MDR (multidrug resistant) Candida auris ESBL extented-spectrum → Enterobacterales   ✔ A maior redução observada foi de S. pneumoniae resistente – queda de 78% nas mortes atribuíveis. Fator principal: vacinação infantil. Declínios significativos também foram observados nas mortes associadas à RAM devido a Salmonella, Shigella, E. coli enteropatogênica e enterotoxigênica através do acesso a WASH (Água, Saneamento e Higiene). Contudo, 31% das mortes por sepse em crianças pequenas em 2021 foram causadas por patógenos com RAM, mostrando a relevância do tema. ✔ Os estudos reforçaram que prevenir infecções (com vacinação e saneamento básico) é uma força potente na redução da morbidade e mortalidade por germes resistentes. Foram mostrados diversos estudos, com destaque para um estudo na Geórgia (referência 1) que elaborou Antibiogramas combinados de 5 hospitais infantis em toda a Geórgia de 2014-2023 para criar o primeiro antibiograma pediátrico estadual. Comparação da RAM entre hospitais e tendências ao longo do tempo. E. coli (urina) 84% suscetível à cefazolina. S. pneumo 96% suscetível à amoxicilina. E. coli e K. pneumo 92% e 90% suscetíveis à ceftriaxona, respectivamente. MRSA e MSSA 97% e 99% suscetíveis a TMP/SMX. New Hampshire criou um antibiograma estadual em 2017 e o usou para criar mensagens clínicas para infecções comuns. 🔔Importância de checar os patógenos mais comuns na região para guiar antibióticos. Infecções comuns Escolher o antibiótico que cubra o germe mais comum, pelo menor período de tempo e minimiza pressão seletiva para resistência. 1) Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) Estudo: Pacientes saudáveis entre 6 meses e 5 anos, fizeram 5 dias de tratamento e, após, 1 grupo fez 5 dias a mais de antibiótico e 5 dias de placebo. 2 semanas após feito swab para avaliar resistência. Resultado: melhor resultado — tratamento por 5 dias: 8% persistiram sintomas (ex: tosse), 69% maior probabilidade de desfecho mais desejável, menos genes de resistência à antibiótico. 2)ITU febril Curso menor de antibiótico (48h após se manter afebril, média de 5 dias de tratamento total) = maior risco de recorrência com 28 dias porém menos efeitos adversos Curso maior de antibiótico = maiores efeitos adversos (Náusea, vômito). ✔Mundo ideal = identificar quais crianças tem risco para ITU recorrente para avaliar quais de fato precisam de 10 dias de tratamento de quem não precisa. a proporção de infecções de ITU-AC causadas por ESBL aumentou de 0,97% em 2015 para 3,54% em 2020 Otite média Um estudo mostrou que a média de 10 dias de tratamento foi reduzida para ≤ 7 dias quando combinada discussão com infectologista e educação de antibióticos (utilizados amoxicilina ou clavulin). Faringite por Estreptococo do Grupo A Faringite Diferentes abordagens em países com baixa incidência de febre reumática = tratamento basicamente para reduzir o tempo e intensidade dos sintomas. → Esse estudo considerou não tratar amigdalite estreptocócica (antibiótico reduz o tempo de febre em poucas horas). Não é a realidade da maioria dos países. → Testagem com streptest: vários países da Europa não testam, usam scores clínicos (como FeverPAIN score) para definir se vai tratar ou não e faz decisão conjunta com família em casos de dúvida. Outros como França testam todos com streptest. Atenção: streptest tem alta especificidade mas baixa sensibilidade. Por isso é fundamental fazer cultura de orofaringe. → testes genéticos moleculares têm sido mais promissores, especialmente em casos com streptest negativo. ✔Mas ao mesmo tempo pela alta sensibilidade dos testes moleculares trataremos mais casos de colonizadores crônicos não infectados (assintomáticos) com teste positivo. Hemoculturas: sempre precisa colher? Foi questionado o excesso de coleta de hemoculturas, especialmente pacientes admitidos em internação. Um novo estudo no Colorado em andamento está 20 variáveis que aumentam a chance de hemocultura positiva em um paciente. É um estudo promissor que provavelmente trará diretrizes nos próximos anos. Cultura de aspirado traqueal: de quem coletar? O mesmo vale para aspirado de cultura traqueal — as recomendações de como e quando coletar, assim como direcionamento do manejo, pode ser guiado pelo algoritmo BrighT STAR Respiratory Culture Algorithm. Quando colher? Presença de 1 sinal sistêmico (prostração, febre, leucocitose, aumento de marcador inflamatório) + 1 sinal respiratório (opacidade nova no RX, necessidade de parâmetros maiores na VM) ou 2 respiratórios. Guiar pelo resultado para escolha do antibiótico + clínica do paciente. Reduzindo o Uso de Cefdinir em Crianças Foi reforçado que o Cefdinir não é a primeira linha para otite media aguda, pneumonias da comunidade e sinusite, devendo dar preferência para amoxicilina ou amoxicilina + clavulanato quando possível. Rótulos de alergia a penicilina O grupo que é tratamento de primeira linha para sinusite, OMA e faringite é responsável por um grande número de rótulos de alergia. Estudos americanos mostraram que 75% desses rótulos são aplicados até os 3 anos de idade → consequência: uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro, mais caros e menos eficazes e com maior chance de resistência. Muitos pacientes com rótulo de alergia à penicilina podem ser "desrotulados" com base apenas na história. Exemplo: dor de cabeça, fadiga, náusea — não são sintomas que justificam sua suspensão. Um estudo americano com teste de provocação oral feito com 61 crianças com amoxicilina.

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