Por Maria Paula Aquino Resumo da aula sobre "Fast Facts about Anaphylaxis" A anafilaxia é considerada provável quando qualquer um dos seguintes três critérios estiverem presentes. O primeiro ocorre na ausência de exposição conhecida a um alérgeno, caracterizando-se pelo início súbito de uma doença — em minutos ou até algumas horas — com envolvimento de pele ou mucosa, associado a manifestações respiratórias ou cardiovasculares. O segundo critério envolve exposição provável ou conhecida a um alérgeno e caracteriza-se pelo início súbito de dois ou mais dos seguintes achados: envolvimento de pele ou mucosa, manifestações respiratórias, cardiovasculares ou sintomas gastrointestinais graves. Por fim, o terceiro critério corresponde à exposição conhecida a um alérgeno, com início súbito de manifestações respiratórias, geralmente após exposição a um alérgeno não inalado, e/ou manifestações cardiovasculares. Sinais e Sintomas A anafilaxia é uma reação sistêmica que pode afetar múltiplos órgãos, e nem todas as reações apresentam sintomas cutâneos. A seguir estão listados os sistemas mais cometidos, a frequência de ocorrência e os sintomas mais comuns: Cutâneo (80-90%): urticária, angioedema, prurido, rubor (vermelhidão), erupção cutânea. Respiratório (mais de 70%): rinite, estridor, rouquidão, espirros, tosse, sibilância, dispneia, cianose. Cardiovascular (mais de 45%): vasodilatação, taquicardia, arritmia, hipotensão, choque. Gastrointestinal (mais de 45%): edema de lábios/língua, prurido palatal, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia. Neurológico (mais de 15%): ansiedade, cefaleia, convulsões, perda de consciência. Manejo Agudo A epinefrina é o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia, e seu uso precoce está associado a melhores desfechos, reduzindo o risco de necessidade de novas doses, recorrência bifásica, hospitalização e até morte. A aula destacou que os anti-histamínicos são tratamento de segunda linha, devendo ser usados apenas como terapia complementar, já que aliviam sintomas de pele e alguns gastrointestinais, mas não têm efeito sobre manifestações respiratórias ou cardiovasculares. Os corticosteroides, por sua vez, não têm papel no manejo agudo da anafilaxia. ✅Pacientes que melhoram completamente após usar epinefrina não precisam tomar anti-histamínicos ou corticosteroides depois, e nem devem ser usados como estratégia de prevenção de anafilaxia bifásica. Segurança e Administração da Epinefrina Foi reforçado que as reações adversas graves à epinefrina intramuscular são muito raras e não devem ser uma barreira para a prescrição ou administração precoce. Os efeitos adversos graves como edema pulmonar, arritmia, infarto do miocárdio, hemorragia intracraniana, geralmente acontecem por erros de dose, diluição ou via incorreta, como intravenosa ao invés de intramuscular. Um estudo retrospectivo em unidades de emergência demonstrou que dentre as reações adversas: 10% foram pela administração intravenosa enquanto 1,3% pela via intramuscular. Não houve overdose no uso intramuscular, e no uso intravenoso cerca de 13,3%. 📢A educação é uma ferramenta valiosa para a segurança na administração. A demonstração do dispositivo repetidas vezes está associada a uma probabilidade 4 a 5 vezes maior de acionar corretamente o dispositivo Emergência x Gerenciamento Domiciliar Quando buscar a emergência? Primeiro é preciso uma avaliação se a criança é capaz de carregar sua medicação e administrá-la sozinha. Com cerca de 9 a 11 anos a criança seria capaz de descrever sintomas de anafilaxia, reconhecer a necessidade do uso de epinefrina bem como fazer autodemonstração do seu uso. Com 12 a 14 anos a criança começaria a ter responsabilidade para carregar a medicação sozinha e injetar a medicação. Recomendação de dose: Intramuscular: 7,5-13 kg: 0,10mg; 13-25 kg: 0,15mg → Usar 0,15 mg se 0,10 mg não estiver disponível; ≥ 25 kg: 0,30 mg. Intranasal: ≥4 anos e 15-30 kg: 1 mg; ≥30 kg: 2 mg. Considerações para o Manejo Domiciliar A favor: o paciente/cuidador está confortável com o manejo domiciliar, tem acesso imediato a pelo menos dois dispositivos de epinefrina, tem um plano de tratamento de anafilaxia disponível e demonstra proficiência técnica. Contra: histórico de anafilaxia grave/quase fatal (que exigiu mais de duas doses de epinefrina, hospitalização ou intubação), falta de acesso imediato a dois dispositivos de epinefrina, ou falta de proficiência técnica/fobia de agulha. Reforçando essas considerações, em um estudo de coorte retrospectiva entre 2016 e 2019 em 30 emergências nos EUA e 1 emergência no Canadá com 5.641 pacientes com idade média de 7,9 anos, sendo 43,9% meninas: 45,5% receberam epinefrina antes da chegada na emergência e 84,2% destes casos não tiveram que receber uma segunda dose na emergência. Alergias Alimentares e Ambiente Escolar O gatilho de anafilaxia mais comum em crianças é o alimento, e na escola a exposição oral é a via que causa reações alérgicas mais graves, enquanto o contato com a pele ou a inalação são mais improváveis. Vale ficar atento durante as aulas de ciências e artes! Elas podem incluir materiais que escondem alérgenos., como: creme de barbear (leite), massa de modelar (trigo). O bom e velho água e sabão é a estratégia mais eficaz na remoção de alérgenos, enquanto água sozinha ou desinfetante antibacteriano deixam alérgenos residuais. Como sugestão para creches e escolas: Implementação de treinamento de equipe para o manejo de alergia e anafilaxia. Manutenção de dispositivos de epinefrina em estoque para tratar qualquer indivíduo com anafilaxia. Comunicação entre família, médicos e escola. Mudanças Sugeridas na Prática Clínica Aconselhar os pacientes a sempre carregar seus dispositivos de epinefrina, uma vez que não é prontamente acessível em ambientes comunitários. Fornecer às famílias planos de emergência para alergia e anafilaxia para guiar o manejo das reações. Colaborar com as escolas para garantir um ambiente de aprendizado seguro para crianças em risco de anafilaxia. WANG, Julie. Fast Facts about Anaphylaxis- Congresso Americano de Pediatria – American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference & Exhibition, Denver, 26–30 set. 2025. Acesse mais aulas sobre a AAP 2025 clicando aqui
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