[AAP 2025] Highlights Insônia infantil

por Jasmin Pacheco  O que há de mais novo sobre insônia pediátrica? Como diagnosticar, quando iniciar medicamentos e quais disponíveis? A sessão no Congresso Americano de Pediatria de 2025 foi apresentada pelo Dra. Binal Kancherla, um tema muito relevante na rotina do pediatra, mostrando também exemplos de intervenções comportamentais, como extinção não modificada e positiva, como tratamento. A NeoPedHub trouxe um resumo da aula: Qual a duração do sono por idade? A necessidade total de sono muda ao longo da infância (bebê 10-20h por dia, por exemplo), com melhor estabelecimento do sono noturno entre 6 meses e 1 ano: Recém-nascidos: 14-17 horas Lactentes (4-11 meses): 12-15 horas Bebês (1-2 anos): 11-14 horas Pré-escolares (3-5 anos): 10-13 horas Escolares (6-13 anos): 9-11 horas Adolescentes (14-17 anos): 8-10 horas Definição de insônia Dificuldade repetida na iniciação, duração, consolidação ou qualidade do sono, que ocorre apesar de tempo e oportunidade apropriados para a idade para dormir Resulta em alguma forma de comprometimento funcional diurno para a criança e/ou a família Insônia x duração Insônia crônica: 3 dias por semana por mais de 3 meses Insônia de curto prazo: Menos de 3 meses Outra insônia Tipos de Insônia Infantil Existem diversos tipos de insônia, dentro as mais comuns: Insônia comportamental da infância — muito prevalente Insônia psicofisiológica → comum em adolescentes Insônia paradoxal → preocupação dos cuidadores que a criança não está dormindo bem, mas não há prejuízo do sono Devido a um transtorno mental Devido a um distúrbio médico Devido a uma droga ou substância Insônia transitória Insônia Comportamental Comportamentos aprendidos que interferem no início ou manutenção do sono da criança, não associados a condições médicas, que afetam a criança e/ou sua família -> insônia comportamental Muito prevalente: até 30% das crianças menores de 5 anos de idade Causas: amadurecimento neurológico, predisposição genética à insônia → parente de primeiro grau com histórico de insônia, interação pais-filho → grande fator, ambiente O temperamento infantil também pode ser causa → crianças descritas como “night owls” ou criança que não precisa de tanto sono como outras da idade podem ter insônia comportamental. Tipo Associação de Início do Sono Processo prolongado com condições especiais para iniciar o sono, que geralmente são problemáticas ou exigentes. O início do sono é atrasado se a condição não for fornecida ou disponível. Despertares noturnos requerem que a condição seja repetida antes da re-iniciação do sono. Associações comuns por faixa etária: Lactentes: deitar ao lado dos pais, embalar, massagear, amamentar, mamadeira, chupeta, música, andar de carro, ruídos. Crianças pequenas: além dos anteriores, comum apego por objetos como cobertor / bicho de pelúcia → chamamos de objetos de transição (usados para substituir outros hábitos como deitar ao lado dos pais). Insônia Tipo Estabelecimento de Limites A criança tem dificuldade para iniciar ou manter o sono, se recusa a ir para a cama na hora ou se recusa a voltar para a cama após um despertar noturno. Geralmente há estabelecimento de limites insuficiente ou variável pelos pais, comum em crianças a partir de 2 anos (“terrible two”). A criança faz barganhas: “preciso de uma bebida”, "estou com fome", "só mais um livro”, “mas o Jason pode ficar acordado até mais tarde”, "meu estômago dói”, "preciso ir ao banheiro”… Impactos da insônia comportamental Na criança: Dificuldade para adormecer a longo prazo Dificuldade com atenção Aprendizagem diminuída Humor ruim Dificuldades comportamentais Função imunológica Em pais: Transtornos de humor materno (maior incidência de depressão e ansiedade em mães com crianças com insônia) Discórdia familiar Sentimentos de inadequação como pais Síndrome de fase atrasada do sono Muito comum em adolescentes, é a dificuldade de iniciar o sono no horário desejado de dormir. Quando dorme, a duração e qualidade do sono são normais. O sono insuficiente por acordar cedo para ir para escola pode gerar sonolência diurna na escola. Ciclo circadiano dos adolescentes Crianças até a pré-puberdade dormem em torno de 22h, na adolescência ocorre um shift do ciclo circadiano, tendendo a dormir 1-2h após o habitual. Eles ainda necessitam de forma fisiológica de 10 horas de sono como, mas precisam acordar no mesmo horário para escola mesmo dormindo mais tarde = sono insuficiente. Pode demorar de 2-3 anos para reajustar até o sono normal do adulto. Distúrbios do sono Geralmente são multifatoriais — na anamnese, investigar a criança como um todo (padrão do sono, ambiente, rotina, alimentação, os pais, genética, medicações, comorbidades). Quando pedir exames complementares (polissonografia) para avaliar o sono? Na minoria dos casos (maioria diagnostica com anamnese e exame físico). Algumas das indicações são: alteração respiratória no sono, distúrbio do movimentos periódicos dos membros (como síndrome de pernas inquietas, comum se histórico familiar — pedir ferritina da criança), insônia paradoxal, dúvida de comportamentos durante o sono (como equivalentes convulsivos). Na anamnese do sono: Rotina de dormir (onde ocorre, duração, condições) Hora de dormir (dias de semana e fins de semana) Resistência ao dormir? Resposta dos pais à resistência? Hora de acordar (dias de semana e fins de semana) Horários e duração dos cochilos -> idealmente as sonecas devem ocorrer no máximo por 1 hora e antes de 17h. Despertares noturnos (número, duração, horário) Efeitos diurnos: sonolência diurna excessiva, hiperatividade, distúrbio de humor, sificuldades de concentração, impacto nos marcos de desenvolvimento. Avaliar também os pais para distúrbios de humor e sonolência diurna excessiva. Descartar outras etiologias Afastar diasgnósticos diferenciais Algumas condições podem contribuir para distúrbios do sono: Dor (dentição, otite média, constipação, etc.) Refluxo gastroesofágico Alergias Asma Outros distúrbios do sono: Apneia Obstrutiva do Sono Síndrome das Pernas Inquietas Distúrbio de Movimento Periódico dos Membros Medicações (uso de medicamentos como Benadryl, medicamentos para TDAH, etc.) Dieta (cafeína, alimentação antes de dormir ou durante o sono) Cafeína: idealmente não consumir após 14h. Conferir também outros alimentos que podem ter cafeína e a criança pode estar ingerindo (como refrigerantes e chocolates) Doenças neurológicas Tratar Distúrbios Primários do Sono Apneia obstrutiva do sono: encaminhar para especialista (otorrino), em alguns casos pode precisar de CPAP Síndrome de pernas inquietas: suplementação de ferro vs gabapentina vs agonistas dopaminérgicos Fase de sono

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