[AAP 2025] Highlights — Rastreio de CMV Congênito

por Jasmin Pacheco A sessão “Congenital CMV Screening Update: A Review of the Evidence”, apresentada no Congresso Americano de Pediatria de 2025 por Stephanie McVicar e Karen M. Puopolo, destacou as atualizações mais recentes sobre citomegalovírus congênito, desde suas formas diagnósticos, tratamento e, o principal: quem, quando e como rastrear? Quais são as perspectivas para o futuro? Essas são as perguntas que a palestra buscou responder e a NeoPedHub acompanhou de perto, trazendo um resumo para você: Importância do tema: a infecção por CMV congênito é a causa não genética mais comum de perda auditiva congênita e muitas vezes é assintomática, além do risco aumentado de morbimortalidade neonatal e infantil. O que é o citomegalovírus (CMV) e como pode ser transmitido para os bebês? O CMV é um vírus da família herpes de fita dupla, transmitido por: contato direto pessoa a pessoa (saliva) transfusões e transplantes de órgãos → menos comum com as testagens dos bancos da mãe para o bebê (ainda no útero — CMV congênito, no ato do parto - CMV perinatal ou pelo leite materno - CMV pós natal). CMV congênito x pós-natal Infecção congênita por CMV (CMVc): Teste de CMV positivo ≤21 dias de idade. São os bebês infectados intraútero Infecção pós-natal por CMV: Teste de CMV negativo ≤21 dias de idade e teste de CMV positivo >21 dias, ou seja, bebês infectados após o nascimento, geralmente via leite materno. Epidemiologia A soroprevalência materna é comum → 60% das pessoas nos EUA são soropositivas (IgG positivas e IgM negativas), sendo que 95% dos indivíduos são infectados até a idade adulta. A infecção congênita por CMV não é incomum → 1/200 – 1/250 dos recém-nascidos nos EUA. Mas a doença em si por CMV é incomum (infecção é diferente de doença). O que aumenta o risco da mãe ser soropositiva na gestação? Nos EUA, um estudo mostrou alguns fatores: Idade Materna Avançada: aos 20-29 anos: 53% são IgG+ vs aos 40-49 anos: 66% são IgG+. Maior Paridade: Paridade 0: 49% vs Paridade 3: 74% Nascimento fora dos EUA: EUA: 56% vs Fora dos EUA: 90% Marcadores de privação social: Renda acima/abaixo do nível de pobreza: 57% vs 79% Aglomeração domiciliar baixa vs alta: 50% vs 86% </aside> A relevância de saber a soroprevalência materna e os riscos associados para o bebê Pessoas grávidas já imunes ao CMV, ou seja, IgG+ e IgM- (40-80% das gestantes): taxa de 0.5% de CMV congênito e menos de 10% dos recém-nascidos com sinais/sequelas. Nos EUA, há uma estimativa de 10.000 casos anualmente de infecção, mas <1000 casos de doença por CMV congênita. Pessoas grávidas suscetíveis ao CMV, ou seja IgG e IgM negativos (20-60%): 1-4% adquirem CMV durante a gravidez → 40-50% transmitem para o feto → 1/3 dos recém-nascidos apresentam sinais/sequelas. Nos EUA: cerca de 7.000-14.000 casos de infecção anualmente, desses 2500-5000 casos de doença por CMVc. O destaque da palestra foi que o número de crianças soropositivas para CMV são muito similares para mães imunes ou não imunes durante a gestação, mas a maior parte das crianças com doença por CMV são de mães que entraram na gestação não imunes (sucetíveis). O Risco de CMV congênita Varia com o Momento da Infecção Primária Periconcepção: Taxa de transmissão de 21,0%, sinais ao nascer de 1,3%. Primeiro trimestre: Taxa de transmissão de 36,8%, sinais ao nascer de 9,1%, perda auditiva neurossensorial (PANS) de 22,8%. Segundo trimestre: Taxa de transmissão de 40,3%, sinais ao nascer de 0,3%, PANS de 0,1%. Terceiro trimestre: Taxa de transmissão de 66,2%, sinais ao nascer de 0,4%, PANS de 0,0%. Causas de perda auditiva congênita 2/3 são de causas genéticas: autossômica dominante, ligada ao X, mitocondrial, sindrômica, autossômica recessiva... Causas não sindrômicas: Infecção congênita (principal: CMV) Ototoxinas Prematuridade Kernicterus Anoxia ao nascimento A relevância do CMV: causa sozinho causa 20-25% (1/4) de toda a perda auditiva na primeira infância! Doença por cCMV Sinais neonatais: Pequeno para a idade gestacional, microcefalia Púrpura/petéquias Hepatomegalia, esplenomegalia Coriorretinite Anormalidades em testes: Imagem pré-natal anormal (calcificações, intestino ecogênico) Neuroimagem pós-natal anormal (calcificações, ventriculomegalia, polimicrogiria) Trombocitopenia, leucopenia Hepatite, colestase O impacto da doença por CMVc Morte neonatal: 80 crianças afetadas anualmente (0,5% de todas as infecções por cCMV) Doença por cCMV: 2800 crianças afetadas anualmente (17%) Perda auditiva neurossensorial (PANS): 825 crianças afetadas anualmente (5%) Comprometimento cognitivo: 495 crianças afetadas anualmente (3%) Comprometimento motor: 165 crianças afetadas anualmente (1%). Medidas para Reduzir o Risco de CMV Durante a Gravidez Higiene das mãos após contato com saliva ou urina através de objetos contaminados como fraldas e chupetas de outras crianças pequenas; Evitar: compartilhar copos, utensílios ou escovas de dentes usados por crianças pequenas O Congresso reforçou que muitas orientações, na prática, são difíceis, uma vez que a maioria das mães convive (ou já possui) outras crianças em casa, profissionais que não mães que trabalham com crianças (escolas, profissionais da saúde…). Como testar para CMV? Cultura celular: Alterações citopáticas da infecção; até 3 semanas Cultura rápida: Detecção baseada em anticorpos da expressão antigênica precoce; 1-2 dias. PCR: Amplificação de ácido nucleico; horas. A técnica de PCR pode ser utilizada em diferentes materiais: Urina: alta sensibilidade – padrão ouro atual. sangue seco (papel filtro): Sensibilidade mais baixa. Usar se precisar fazer o diagnóstico de cCMV, mas perdeu a janela de 21 dias Saliva: Saliva líquida: 100% sensível, 99,9% de especificidade; Saliva seca: 97% sensível, 99,9% de especificidade. A saliva é um bom teste para triagem de alto volume (swab fácil e rápido de realizar). Preocupações: falsos-positivos entre bebês a termo testados para cCMV e falsos-negativos entre bebês prematuros testados para CMV pós-natal. É recomendado sempre confirmar os positivos com teste de PCR de urina. Manejo do CMV congênito Monitoramento auditivo seriado → lembrar que é a principal causa infecciosa de surdez na infância; Terapias física, ocupacional e fonoaudiológica Monitoramento longitudinal do desenvolvimento → ponto importante para pediatras em consultório; Apoio para a criança afetada e para a família; Terapia antiviral → Dependendo da gravidade e especificidade dos impactos → casos moderado-graves e alguns casos de

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