[AAP 2025] Hot Topics em Urologia

Por Joana Machado   Hot topics em urologia pediátrica- esse foi um dos temas da academia americana de pediatria no congresso  do congresso Esta sessão ofereceu uma visão geral rápida e prática das principais condições urológicas pediátricas, com base nas dúvidas mais frequentes que surgem no atendimento primário. O conteúdo é baseado em uma aula apresentada durante o congresso anual da American Academy of Pediatrics (AAP) de 2025, realizado entre os dias 26 e 30 de setembro, em Denver, Colorado (EUA).   FIMOSE Um ponto central discutido foi a importância de fornecer aos pais informações corretas e imparciais sobre a circuncisão, preferencialmente antes do nascimento ou no início da gestação.  Os aspectos culturais, religiosos e pessoais de cada família devem ser respeitados, pois os benefícios médicos isolados nem sempre são determinantes. Forçar a retração do prepúcio é um erro comum que pode causar microtraumas e cicatrizes.  Não existe uma idade fixa para o prepúcio se retrair totalmente; estudos mostram falta de consenso entre urologistas pediátricos, indicando que o desenvolvimento é individual. Outro mito frequente é associar o esmegma com pus ou infecção. O esmegma é composto por células mortas e restos celulares, e não representa problema se não houver dor, vermelhidão ou sinais de inflamação. Outro mito é que o prepúcio precisa ser retrátil antes do desfralde. Muitos meninos com fimose ou prepúcio não retrátil passam pelo desfralde sem dificuldade. O uso de corticosteroide tópico, como valerato de betametasona 0,1%, é uma opção eficaz quando aplicado corretamente, diretamente no anel fimótico, 2 a 3 vezes ao dia por 6 a 8 semanas. Explicações claras aumentam a adesão ao tratamento. Não há consenso rígido sobre quando tratar a fimose, mas se a criança estiver assintomática, com prepúcio normal, e a família não desejar circuncisão, o ideal é conduta expectante até a puberdade A recomendação é que, após a puberdade, o prepúcio deva ser totalmente retrátil. A educação contínua dos pais é fundamental: durante o banho, a pele deve ser puxada suavemente para limpar o que estiver visível, sem forçar, até a criança ter autonomia para fazer sozinha.     CRIPTORQUIDIA   Na sequência, o conteúdo aborda os testículos não descidos (criptorquidia). A recomendação atual é que, durante cada consulta de puericultura, os profissionais verifiquem a presença e posição dos testículos. Crianças que, até os 6 meses de idade (corrigidos para prematuridade), não apresentarem descida espontânea dos testículos devem ser encaminhadas a um cirurgião pediátrico ou urologista para avaliação. É importante destacar que não se deve solicitar ultrassonografia de rotina nesses casos antes da avaliação com especialista, já que esses exames raramente influenciam a conduta. Em recém-nascidos com testículos não palpáveis bilateralmente associados a hipospádia, deve-se investigar distúrbios do desenvolvimento sexual, e nesses casos a ultrassonografia pélvica pode ajudar a identificar a presença de gônadas.   ENURESE NOTURNA   Discutiu-se a enurese noturna (xixi na cama), um tema muito frequente e cercado de frustração para famílias e até profissionais. O primeiro passo é sempre seguir a liderança da criança, e não a do cuidador. É fundamental investigar aspectos simples: a criança tem o hábito de ingerir muitos líquidos à noite? Pratica esportes intensos no fim do dia? Está constipada? A constipação é um fator frequentemente negligenciado e pode limitar a capacidade da bexiga se expandir durante a noite. Corrigir a constipação pode melhorar significativamente a enurese. Alterações neurológicas, endócrinas ou anatômicas são causas muito menos frequentes, mas às vezes é necessário realizar uma ultrassonografia apenas para tranquilizar a família. O reforço positivo deve ser a base da abordagem.  Pode-se considerar o uso de medicamentos como o DDAVP (desmopressina), que reduz a produção de urina à noite. No entanto, ele é apenas uma solução paliativa e não ajuda no aprendizado fisiológico. É útil em situações específicas, como viagens, acampamentos ou eventos sociais.   TORÇÃO TESTICULAR O que, na prática, realmente compromete o prognóstico é o intervalo entre o surgimento dos sintomas e a busca por atendimento médico. Foi enfatizado a necessidade de uma abordagem educativa direta: é essencial que os pacientes saibam que, diante de qualquer dor testicular súbita, devem comunicar imediatamente aos pais ou responsáveis.   INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO Um ponto fundamental abordado foi a importância da coleta adequada da urina — a obtenção de uma amostra não contaminada é essencial para garantir um diagnóstico correto. A ultrassonografia de vias urinárias está indicada em crianças pequenas com primeiro episódio de ITU febril, bem como em crianças maiores com infecções urinárias recorrentes. A uretrocistografia miccional não é necessária rotineiramente após o primeiro episódio de ITU febril, mas pode ser considerada em casos específicos: USG com alterações, patógeno atípico, quadro clínico complexo ou cicatriz renal conhecida.   Ao longo da aula, ficou claro que a educação das famílias, orientação clara e abordagem individualizada são a base do cuidado em urologia pediátrica na atenção primária. Saber quando observar, quando tratar e quando encaminhar é essencial para garantir um manejo adequado, evitar intervenções desnecessárias e oferecer tranquilidade às famílias.   Artigos destaques:     Referência da aula: ABELSON, B. Hot Topics in Urology. Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP), 2025 – Denver, Colorado (EUA)  AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS TASK FORCE ON CIRCUMCISION. Male circumcision. *Pediatrics*, Elk Grove Village, IL, v. 130, n. 3, p. e756–e785, Sept. 2012. DOI: [10.1542/peds.2012-1990](https://doi.org/10.1542/peds.2012-1990). Disponível em: [https://doi.org/10.1542/peds.2012-1990](https://doi.org/10.1542/peds.2012-1990). AMERICAN UROLOGICAL ASSOCIATION. *Cryptorchidism guideline*. [S. l.], 2021. Disponível em: [https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/cryptorchidism-guideline](https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/cryptorchidism-guideline).  MATTOO, T. K.; SHAIKH, N.; NELSON, C. P. Contemporary management of urinary tract infection in children. *Pediatrics*, Elk Grove Village, IL, v. 147, n. 2, p. e2020012138, 2021. DOI: [10.1542/peds.2020-012138](https://doi.org/10.1542/peds.2020-012138). Disponível em: [https://doi.org/10.1542/peds.2020-012138](https://doi.org/10.1542/peds.2020-012138). Acesse mais aulas sobre a AAP 2025 clicando aqui

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