[AAP 2025] Otorrinolaringologia Pediátrica: Desafios Diagnósticos

Por Carolina Paixão Otorrinolaringologia Pediátrica: Desafios Diagnósticos O conteúdo é baseado em uma aula apresentada durante o congresso anual da American Academy of Pediatrics (AAP) de 2025, realizado entre os dias 26 e 30 de setembro, em Denver, Colorado (EUA). Infecções Pediátricas Comuns em Otorrinolaringologia Abscesso Peritonsilar (PTA) Abscesso Peritonsilar é uma complicação da amigdalite. É uma infecção bacteriana que se espalha para o espaço peritonsilar e forma um abscesso entre a cápsula da amígdala e fáscia muscular faríngea. É a infecção pediátrica mais comum do espaço cervical profundo, representando 30-49% dos abscessos de cabeça e pescoço. Não há diretrizes formais de consenso para o manejo do PTA. A idade média é de 11,7 anos. Manifestações Clínicas Comuns: Odinofagia, trismo, voz abafada (muffled voice), assimetria amigdaliana, desvio uvular, má ingestão oral e febre. Outras manifestações: otalgia, linfadenopatia, leucocitose e histórico de amigdalite crônica. Exames de imagem: Ultrassom: É rápida, de baixo custo e não utiliza radiação. É dependente do operador e apresenta limitações para imagens de tecidos profundos. Tomografia Computadorizada de Pescoço com Contraste: É a modalidade de imagem mais comum. É rápida, altamente precisa e oferece um exame uniforme. No entanto, envolve exposição à radiação, custo e carga de contraste. A TC é útil para guiar o manejo, pois determina a presença, o tamanho e a localização do abscesso. Manejo Clínico: Investigação Laboratorial: Considerar exames laboratoriais – provas de atividade inflamatória Antibióticos: O patógeno mais comum é o S. pyogenes. IV: Ampicilina-sulbactam. VO: Amoxicilina-clavulanato. Crianças mais jovens e abscessos menores respondem melhor aos antibióticos, o que pode evitar o manejo cirúrgico. Manejo do Abscesso: A localização e o tamanho são importantes (espaço peritonsilar vs. intratonsilar). Um tamanho > 1 cm provavelmente precisa ser drenado. As abordagens cirúrgicas incluem incisão e drenagem versus aspiração por agulha. Manejo Operatório: Devido à má tolerância a procedimentos à beira do leito na população pediátrica, o manejo operatório é comum. Procedimento: Incisão através do pilar tonsilar anterior (no ED ou OR). Dissecção romba no espaço peritonsilar. Cultura e irrigação. A incisão é deixada aberta, permitindo drenagem passiva. Pós-operatório: Dieta conforme tolerado, sem cuidados com a ferida. A cicatrização ocorre em 5-7 dias. Complicações: Não Tratado: Ruptura espontânea. Disseminação para espaços cervicais locorregionais. Pode disseminar para o mediastino. Comprometimento das vias aéreas. Sepse. Tratado: Recorrência. Pode exigir repetição da incisão e drenagem ou consideração de amigdalectomia Abscesso Retrofaríngeo O abscesso retrofaríngeo origina-se de uma linfadenopatia primária que involui após os 5 anos de idade. Apresenta risco de comprometimento das vias aéreas, torcicolo e rápida propagação ao longo do "espaço de perigo". A mediastinite é uma complicação séria, que apresenta alta morbidade e mortalidade em adultos, mas menos em crianças. Apresentação Clínica: febre, disfagia, odinofagia, torcicolo/rigidez, dispneia. Outros achados: sialorréia, edema cervical, linfadenopatia, estridor e edema faríngeo posterior. Laboratório: provas inflamatórias aumentadas Exames de imagem: Raio-X (perfil): A distância da via aérea ao corpo vertebral deve ser: Em C2: < 7 mm em todas as idades. Em C6: < ou = 14mm em < 15 anos de idade. Exame não específico, útil para triagem. TC: Imagem mais precisa. Alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Ajuda a distinguir edema/flegmão versus abscesso.   Manejo: Recomenda-se um teste de 24-48 horas de antibióticos IV. Bactérias comuns: GBS, Staphylococcus, bacteroides, H. influenzae, Bartonella, polimicrobiano. Culturas frequentemente negativas devido ao uso de antibióticos antes da cultura do abscesso. Tratamento: Ampicilina-sulbactam, clindamicina, etc.. Manejo Cirúrgico: Transoral: A maioria das coleções é acessível por esta via. Oferece acesso fácil, sem incisão na pele, e a dieta é possível. Transcervical: Usado para coleções inferiores. Permite melhor visualização de grandes vasos e é necessário para extensão ao mediastino, exigindo drenos. Cuidados Pós-Operatórios: Continuar antibióticos. Se houver febre persistente, falha em melhorar adequadamente ou outros sinais de alarme, é necessária uma reavaliação por imagem. Angina de Ludwig É uma celulite grave e de evolução rápida dos espaços submandibulares (sublingual/submandibular). Comumente causada por infecções dentárias (85% dos casos), sialoadenite, trauma oral e linfadenite supurativa. O sinal clássico é a protuberância do assoalho da boca. Intervenção: Uma intervenção de emergência é indicada. Risco da Via Aérea: Pode levar à obstrução das vias aéreas, protrusão da língua e edema supraglótico. Pode exigir intubação endotraqueal ou possível traqueostomia de emergência. Manejo Prioritário: O manejo das vias aéreas deve ser a prioridade. Se houver preocupação com comprometimento, realizar intubação eletiva. Não enviar para radiologia sem via aérea segura. Tratamento: Antibióticos IV. Drenagem cirúrgica com possíveis extrações dentárias. Mastoidite   Crianças com altas taxas de OMA devido a múltiplos fatores Sistema imunológico imaturo Função deficiente da tuba auditiva Tônus diminuído, angulação curta e menos aguda A mastoidite é a extensão da infecção da cavidade do ouvido médio. Mastóide: cavidade que existe como uma única célula aérea no nascimento e pneumatiza até aproximadamente 2 anos de idade. Patogênese: Edema e acúmulo de exsudato nas células →  necrose do osso (coalescência) →  formação de cavidades de abscesso → escape de pus para áreas contíguas A incidência atingiu o pico entre 2-3 anos de idade. O diagnóstico é clínico. Manifestações Clínicas: Otalgia, dor retro-auricular, febre, sensibilidade, efusão no ouvido médio. Patógenos: Semelhantes à otite média – S. pneumoniae, S. pyogenes, H. influenza, Moraxella. A incidência de Staphylococcus está aumentando. Pseudomonas se otorreia/perfuração estiver presente. Exames de Imagem: TC com Contraste: É o exame de 1ª linha. Proporciona visualização rápida e de alta resolução de todas as estruturas locorregionais. Achados da TC incluem opacificação da célula aérea mastoidite, abscesso subperiosteal, alterações/destruição óssea, trombose e extensão intracraniana. RNM: Sem e com contraste. Usada quando há preocupação com complicações intracranianas e como adjunto para planejamento cirúrgico. Manejo: Antibióticos IV. Cultura direcionada quando possível. Não Complicada: Opacificação da célula aérea mastoide, sem alterações ósseas, sem extensão locorregional, sem abscesso de tecido mole. Tratamento: Terapia com antibióticos IV isoladamente. Miringotomia com ou sem inserção de tubo. A mastoidectomia é menos comum, reservada para falha da terapia anterior ou progressão da infecção. A terapia conservadora (Antibióticos IV e/ou miringotomia com ou sem tubo) tem alta eficácia como tratamento de primeira linha

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