[AAP 2025] Skin care: O que pediatras precisam saber?

Por Ruth Fiszon Zagarodny   Ingrid Polcarini, ministrou uma excelente atualização sobre a realização de Skincare , por crianças e adolescentes, o que os pediatras devem saber sobre as modas das redes sociais ? Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP), 2025 — Denver, Colorado (EUA). O interesse de crianças e adolescentes por rotinas de skincare explodiu com as redes sociais. Vídeos curtos, filtros e influencers ampliaram o consumo de produtos e criaram modas com potenciais riscos (irritação, piora de acne/eczema, custos desnecessários, uso de produtos de forma indiscriminada e inadequada). Nesse contexto, esta aula orienta o pediatra a reconhecer tendências, avaliar segurança de ingredientes, propor rotinas adequadas à idade e abordar com as famílias o impacto de todo esse contexto. Importância clínica Adesão social: tweens e teens buscam aprovação dos pares e são altamente responsivos a tendências. Fontes de informação: muitos pacientes obtêm “conselhos” de saúde primeiro nas redes, só depois com o médico. Expectativas irreais de aparência: o uso de filtros e selfies modifica a autoimagem, favorece comparações e pode estimular procura por “correções” cosméticas. Abordar skincare proativamente em consultas de rotina é essencial. Podemos recorrer a perguntas breves sobre produtos usados, influenciadores seguidos e objetivos estéticos, o que ajuda a prevenir danos e gastos desnecessários. Redes sociais, filtros e autoimagem Filtros suavizam pele, afinam contornos, aumentam olhos/lábios, criando padrões inatingíveis. Efeitos psicológicos: aumento de insatisfação corporal e, em casos, preocupações compatíveis com transtorno dismórfico corporal. Relações parassociais: vínculos unilaterais com influenciadores geram confiança indevida em dicas não validadas. Rotinas complexas e “skin care smoothie” O que é: combinação de vários séruns, hidratantes e “bronzing drops”. Riscos: irritação cumulativa, piora da acne/eczema, custo alto sem benefício adicional. Conduta: simplificar, priorizar poucos produtos com função clara. Produtos “anti-idade”  Retinol/retinoides: úteis para acne, mas fotossensibilizam e podem irritar a pele. Problema: uso precoce e sem indicação, por “prevenção de rugas”. Conduta: restringir a indicações (principalmente acne). Se prescrever retinoide, orientar uso gradual e fotoproteção rigorosa.  Séruns populares Ácido hialurônico/glicerina: humectantes seguros e úteis. Peptídeos: segurança geral boa; benefício cosmético modesto/curto prazo. Antioxidantes: variáveis; priorizar formulações simples, bem toleradas. AHAs/BHAs (glicólico, lático, salicílico): potencialmente úteis, mas irritantes; cuidado especial em pele jovem.  “Slugging” O que é: camada oclusiva (ex.: petrolato) Riscos: milia, piora de acne Conduta: pode ser aceitável em pele seca/dermatite atópica estável, sem ativos fortes por baixo; evitar em pele acneica. Óleos essenciais e “receitas caseiras” Problema: alta taxa de irritação/dermatite; risco de queimaduras quando usados puros; dúvidas sobre efeitos endócrinos. Conduta: desencorajar; se a família insistir em “óleo”, preferir coco ou girassol em pequena quantidade e pele íntegra.  Sebo bovino (beef tallow) Alegações: “nutritivo”, “oclusivo”. Riscos: impurezas, sensibilidade a produtos de origem animal; benefício não comprovado. Conduta: sugerir hidratantes dermatologicamente testados e mais estáveis. Máscaras e “festas de spa” Conteúdo comum: Ácidos, fragrâncias, botânicos irritantes. Risco: dano de barreira cutânea, irritação/dermatite de contato. Conduta: evitar em crianças e adolescentes, especialmente as esfoliantes.  Rotinas adequadas por faixa etária (propostas simples) Pré-púberes Manhã: limpador suave → hidratante com FPS. Noite: limpador suave → hidratante simples (se necessário). Evitar: ácidos, retinoicos, fragrâncias. Púberes / pele acneica Manhã: limpador suave ou com ácido salicílico → hidratante com FPS. Noite: limpador suave → retinoide tópico (adapaleno ou tretinoína) em dias alternados no início → hidratante. Pontual: peróxido de benzoíla (gel/leave-on) para lesões; evitar uso concomitante imediato com tretinoína para reduzir irritação. Observação: orientar sobre “purging” (piora inicial por ~2 semanas); ajustar frequência conforme tolerância. Adultos jovens (quando pertinente na família) Base: limpador suave → retinoide tópico noturno (se indicado) → hidratante com FPS de manhã. Adjuvantes: considerar cosmecêuticos bem tolerados (p.ex., AH leves ou antioxidantes), sempre avaliando custo/benefício. Regra de ouro: menos é mais. Clareza de objetivo por produto (limpar, tratar, proteger) e tolerância da pele guiam a seleção.   Produtos OTC para acne: o que faz sentido Podem ajudar em acne leve: ácido salicílico (desobstrui), peróxido de benzoíla (antibacteriano). Evitar: toners/adstringentes “secantes” — custo alto, benefício mínimo, maior irritação. Dica: priorize formulações simples, sem fragrância; orientar quantidade (tamanho de ervilha), área, frequência e fotoproteção diária.  Instruções para reduzir efeitos adversos dos retinoides Introdução gradual: 2–3 noites/semana, aumentando conforme tolerado. Sanduíche com hidratante: aplicar hidratante antes e depois do retinoide em peles sensíveis. Quantidade: ervilha para todo o rosto, poupar cantos de nariz, comissuras e pálpebras. Pausar em crise de irritação; retomar com menor frequência. Protetor solar todas as manhãs. Fotoproteção: o melhor “anti-idade” e anti-dano FPS 30+ de amplo espectro diariamente (rostos e áreas expostas), reaplicar em atividades externas. Barreiras físicas: boné, óculos, sombra, evitar picos de UV. Educação: alinhar expectativa (“protetor evita manchas, manchas novas e envelhecimento precoce”). Óleos de cozinha na pele Preferir: coco ou girassol em pequena quantidade, se a família insistir em “óleo”. Evitar: azeite em pele sensível/atópica (pode prejudicar a barreira).   Conversas-chave com famílias e adolescentes Validação + redirecionamento: reconhecer o interesse por skincare e redirecionar para práticas seguras. Desmistificar influenciadores: diferenciar opinião de conteúdo revisado por profissionais. Alfabetização em ingredientes: ensinar a ler rótulos (evitar fragrância, múltiplos ácidos sobrepostos, misturas caseiras). Custo-benefício: poucas etapas bem escolhidas superam rotinas longas e caras. Quando encaminhar: acne moderada a grave, cicatrizes, dermatites recorrentes, suspeita de TDC ou sofrimento emocional relevante.  Na consulta Pergunte: “Que produtos você usa? Onde visualizou?” Identifique pele/queixa principal (seca, atópica, acneica). Simplifique a rotina (limpar → tratar → proteger). Reforce fotoproteção diária. Desencoraje desafios e receitas caseiras. Combine sinais de alarme para retorno/encaminhamento. POLCARINI, Ingrid, Skin Care Craze: What pediatricians should know about social media fads, Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP), 2025 — Denver, Colorado (EUA). Acesse mais aulas sobre a AAP 2025 clicando aqui  

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