Antibióticos na sepse neonatal: um overview Sobre o artigo A sepse neonatal, classificada em precoce (EOS) e tardia (LOS) conforme o momento de início dos sintomas, é uma condição crítica associada a elevadas taxas de morbimortalidade. Apesar do uso disseminado de culturas sanguíneas como padrão-ouro diagnóstico, limitações como baixa sensibilidade e tempo prolongado para resultados têm levado ao uso empírico indiscriminado de antibióticos, contribuindo significativamente para a resistência antimicrobiana (AMR). O artigo revisa criticamente as estratégias atuais de antibioticoterapia na sepse neonatal e propõe perspectivas futuras para aprimoramento do manejo clínico. Métodos utilizados Trata-se de uma revisão narrativa baseada em literatura publicada entre 2000 e 2023, obtida nas bases PubMed/MEDLINE. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos controlados, revisões sistemáticas e artigos publicados em inglês, com foco em “neonatal sepsis”, “EOS”, “LOS” e “antibiotic treatment”. Resultados EOS (sepse neonatal precoce): Associada à transmissão vertical (ex: Streptococcus do grupo B e E. coli). Ampicilina + Gentamicina são a terapia empírica padrão. Em prematuros de risco elevado, Amicacina pode substituir Gentamicina. Cefalosporinas de terceira geração são utilizadas quando há suspeita de meningite, sendo a Cefotaxima preferível à Ceftriaxona por questões de segurança. LOS (sepse neonatal tardia): Associada à infecção nosocomial. CoNS, S. aureus e Enterobacteriaceae são patógenos frequentes. Em ambientes com alta AMR, usa-se Vancomicina com aminoglicosídeos ou Piperacilina–Tazobactam. Meropenem e Colistina são opções para cepas multirresistentes. O uso precoce e prolongado de antibióticos está relacionado ao aumento de doenças crônicas como obesidade, doenças inflamatórias intestinais e distúrbios neurológicos. Discussão Há uma preocupação crescente com a AMR, especialmente em países de baixa e média renda, onde o acesso limitado a antibióticos de última linha e a vigilância microbiológica insuficiente favorecem a disseminação de cepas resistentes. Estratégias como o uso de algoritmos de risco (ex: calculadora de sepse), suspensão precoce da antibioticoterapia quando culturas são negativas e introdução de novos esquemas combinados (ex: Fosfomicina + Amicacina) estão sendo propostas para uso racional dos antibióticos. Conclusão Embora antibióticos permaneçam a principal intervenção terapêutica, a implementação de programas robustos de stewardship, o diagnóstico etiológico precoce e o desenvolvimento de novas classes antibacterianas são urgentes para frear a AMR. Estratégias preventivas, como imunização materna e terapias adjuvantes específicas, devem ser consideradas para reduzir a carga da sepse neonatal. Insights clínicos Quando iniciar antibiótico empírico em neonatos com suspeita de sepse precoce? Iniciar após coleta de hemocultura em presença de pelo menos 1 “red flag” ou mais de dois “non-red flags” conforme as diretrizes do NICE. Qual a combinação empírica de primeira linha recomendada para EOS? Ampicilina + Gentamicina, com possibilidade de substituição de Gentamicina por Amicacina em prematuros de alto risco. Quais os riscos da antibioticoterapia prolongada em neonatos? Aumento do risco de disbiose, infecções fúngicas invasivas, enterocolite necrosante, doenças crônicas e resistência antimicrobiana. Quando considerar uso de carbapenêmicos ou Colistina? Em casos confirmados de infecção por patógenos multirresistentes (ESBL, AmpC, CRO), especialmente em cenários com alta prevalência de AMR. O que pode ser feito para prevenir sepse neonatal além do uso de antibióticos? Imunização materna, controle rigoroso de infecção hospitalar, vigilância microbiológica e uso de algoritmos clínicos para guiar antibioticoterapia. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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