Avaliação de Disparidades Étnico-Raciais em uma Corte Diversificada de Crianças com Doença Inflamatória Intestinal Sobre o artigo O estudo teve como objetivo identificar disparidades raciais e étnicas no fenótipo da doença, tratamento e desfechos clínicos em uma coorte pediátrica diversa com Doença Inflamatória Intestinal (DII). A prevalência de DII tem aumentado entre minorias raciais/étnicas nos EUA. Embora estudos em adultos tenham mostrado diferenças significativas em apresentação, tratamento e utilização de cuidados, há escassez de dados em populações pediátricas, especialmente entre crianças hispânicas. Métodos utilizados Foi conduzido um estudo de corte retrospectivo com crianças entre 7 e 18 anos diagnosticadas com DII em um centro terciário entre março de 2020 e junho de 2021. A raça e etnia foram autorrelatadas (não hispânico branco, não hispânico negro ou hispânico). Foram analisados dados clínicos, socioeconômicos (por meio dos índices CDC/ATSDR SVI e Childhood Opportunity Index - COI), tempo até diagnóstico, tratamento e uso dos serviços de saúde. Modelos lineares generalizados foram utilizados para análise estatística. Resultados A amostra incluiu 97 pacientes: 18,6% não hispânicos negros, 53,6% não hispânicos brancos e 27,8% hispânicos. A colite ulcerativa foi mais prevalente entre pacientes hispânicos (48,1%) em comparação aos não hispânicos brancos (26,9%). Pacientes hispânicos apresentaram maior probabilidade de internação no momento do diagnóstico e maior número de visitas ao pronto-socorro antes do diagnóstico. Não houve diferenças significativas no tempo até o diagnóstico ou no tipo de tratamento entre os grupos. Após o diagnóstico, a utilização dos serviços de saúde foi semelhante entre os grupos étnicos, com exceção dos hispânicos, que tiveram menos visitas ao pronto-socorro nos dois anos subsequentes. Discussão Os resultados indicam que existem desigualdades importantes no momento da apresentação clínica e na internação inicial entre crianças hispânicas, mas uma vez estabelecido o cuidado especializado, essas disparidades tendem a se reduzir. O estudo destaca o papel dos determinantes sociais da saúde e sugere que fatores institucionais, como oferta de serviços em espanhol e profissionais culturalmente sensíveis, podem ter contribuído para reduzir as desigualdades após o diagnóstico. Conclusão Crianças hispânicas com DII apresentam maior gravidade clínica na apresentação, refletida por internações mais frequentes no diagnóstico. No entanto, o acesso equitativo ao cuidado especializado pode mitigar disparidades subsequentes. São necessários estudos multicêntricos maiores para validar esses achados e orientar estratégias de equidade em saúde. Insights clínicos 1. Crianças hispânicas apresentam maior risco de colite ulcerativa?Sim. Neste estudo, quase metade das crianças hispânicas apresentaram colite ulcerativa, um número significativamente maior em relação a crianças brancas não hispânicas. 2. Existe diferença no tempo até o diagnóstico entre os grupos raciais?Não. O tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico foi semelhante entre os grupos étnicos analisados. 3. Crianças hispânicas são mais frequentemente internadas no diagnóstico?Sim. A hospitalização no momento do diagnóstico foi mais frequente entre os pacientes hispânicos, sugerindo apresentação clínica mais grave. 4. As disparidades persistem após o início do cuidado com especialista?Não. Após o diagnóstico e início do acompanhamento por gastroenterologista, a utilização de serviços (como visitas ao pronto-socorro e internações) foi semelhante entre os grupos, indicando possível mitigação das disparidades. 5. Os determinantes sociais da saúde influenciam esses achados?Sim. Crianças hispânicas e negras apresentaram piores escores nos índices de oportunidade infantil e maior dependência de seguros públicos, refletindo vulnerabilidades sociais que podem afetar o acesso e a apresentação clínica. Acesse NeoPed Hub para mais conteúdos!
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