Desfechos respiratórios em crianças nascidas com atresia de esôfago com ou sem fístula traqueoesofágica: estudo de coorte longitudinal retrospectivo Sobre o artigo O artigo aborda a morbidade respiratória em sobreviventes de atresia de esôfago com ou sem fístula traqueoesofágica (AE/FTE), condição associada a comprometimento pulmonar na infância e adolescência. Estudos prévios demonstraram persistência de sintomas respiratórios na vida adulta, porém majoritariamente com delineamento transversal e sem grupo controle. Os autores propuseram: Comparar risco e frequência de doenças respiratórias entre pacientes com AE/FTE e controles pareados por data de nascimento; Avaliar a evolução dos desfechos respiratórios da infância à idade adulta; Analisar se pacientes nascidos mais recentemente apresentam melhores resultados respiratórios. Hipóteses: maior risco e recorrência de infecções respiratórias, asma, bronquite e pneumonia em AE/FTE; melhora com a idade; e melhores desfechos nas coortes mais recentes. Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectiva longitudinal incluindo todos os pacientes com AE/FTE tratados entre 1991 e 2022 no Winnipeg Health Sciences Centre, identificados via banco WiSDOM. Cada caso foi pareado com 10 controles por data de nascimento a partir do banco populacional do Manitoba Centre for Health Policy. Desfechos respiratórios identificados por códigos ICD-9: 460–466: infecções respiratórias agudas 493: asma 490–491: bronquite 487–488: influenza 480–486: pneumonia Eventos repetidos foram considerados distintos apenas se separados por >28 dias. Análises estatísticas incluíram: Odds ratio (OR) Hazard ratio (HR) Rate ratio (RaR) por regressão de Poisson Intensity ratio (IR) para eventos recorrentes Modelos de Cox com splines cúbicos naturais Ajuste para sexo e índice socioeconômico (SEFI) Nível de evidência: III (prognóstico). Resultados A amostra incluiu 95 casos e 945 controles. Características ao nascimento: casos apresentaram menor peso, menor idade gestacional, piores escores de Apgar e maior tempo de internação neonatal. Principais desfechos respiratórios: Infecções respiratórias agudas Alta prevalência em ambos os grupos (81% vs 78%) Maior recorrência nos casos (RaR 1,45; p<0,001) Sem diferença significativa na chance de ocorrência isolada Redução da frequência nas coortes mais recentes Asma Maior risco nos casos (OR 2,32; HR 2,77; p<0,001) Maior frequência e recorrência (RaR 3,12; IR 3,34) Maioria dos diagnósticos antes dos 5 anos Tendência de melhora nas coortes após 2005 Bronquite Sem aumento no risco de diagnóstico isolado Maior risco precoce na infância (HR 5,83) Maior recorrência (RaR 4,75; IR 15,58) Eventos raros após adolescência Influenza Sem diferença significativa entre grupos Pneumonia Maior risco (OR 5,94; HR 5,83; p<0,001) Maior frequência (RaR 13,30; IR 15,58) Maioria dos episódios antes da adolescência Recorrência rara após a maturidade Redução progressiva nas coortes mais recentes Discussão O estudo confirma maior morbidade respiratória em AE/FTE, especialmente para asma e pneumonia, além de maior recorrência de infecções e bronquite. Observa-se melhora progressiva com o avançar da idade, com redução significativa de novos eventos após a adolescência. Casos nascidos mais recentemente apresentaram menor carga de doença, possivelmente relacionada a: Avanços técnicos cirúrgicos Abordagens minimamente invasivas Melhor manejo do refluxo gastroesofágico Seguimento multidisciplinar estruturado Diagnóstico e tratamento precoce de complicações respiratórias Limitações: Ausência de testes de função pulmonar Possível superdiagnóstico de asma Uso de dados administrativos (ICD-9) Impossibilidade de controle para traqueobroncomalácia Conclusão Embora crianças com AE/FTE apresentem maior risco e recorrência de doenças respiratórias, há redução progressiva da morbidade com a maturidade. Os resultados respiratórios vêm melhorando nas coortes mais recentes, sugerindo impacto positivo de avanços cirúrgicos e do seguimento especializado. Sobreviventes podem esperar melhora da saúde pulmonar na transição para a vida adulta. Insights clínicos Crianças com AE/FTE têm maior risco de asma? Sim. O risco é mais que duas vezes maior comparado a controles e ocorre principalmente antes dos 5 anos. Pneumonia é frequente nesses pacientes? Sim. Mais da metade apresentou pelo menos um episódio, especialmente antes da adolescência. A morbidade respiratória persiste na vida adulta? Há redução significativa após adolescência, com raridade de novos episódios recorrentes na vida adulta. Infecções respiratórias agudas são mais comuns? A prevalência é semelhante aos controles, porém há maior recorrência nos casos. Pacientes nascidos recentemente evoluem melhor? Sim. Observou-se redução progressiva no risco e na frequência de eventos respiratórios nas coortes mais recentes. Deve-se confirmar diagnóstico de asma nesses pacientes? Sim. O estudo destaca possibilidade de superdiagnóstico e recomenda confirmação com testes de função pulmonar antes de tratamento crônico. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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